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Escola de Pais do Brasil propõe reflexão

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 5 min

Seja qual for a conformação da família, o dia a dia em casa exige reflexão e equilíbrio para que o relacionamento entre seus membros seja saudável e a educação dos filhos bem sucedida. A avaliação é da psicóloga escolar Elisabeth Aparecida Biondo Salomão. Ela e o marido Fernando Jorge Salomão presidem a seccional de Bauru da Escola de Pais do Brasil.

Trata-se de uma instituição sem fins lucrativos que se apresenta como uma alternativa de recolocar a hierarquia doméstica nos eixos. Aberta a todos os interessados na educação e orientação de jovens e crianças, tornou-se uma instituição a serviço da família, em tempo de tantas mudanças.

"Para mim a família é sagrada, seja qual for sua compleição. A família não acabou e não vai acabar. O mundo mudou com a globalização, mas ainda é referência", diz Beth.

Ela lamenta a escassez de momentos de união familiar, antigamente mais frequentes. "Problemas todas as famílias têm. Importante é saber que existem meios para contornar. Dificuldades vem e vão. Temos de procurar caminhos para solucioná-las", acrescenta a psicóloga.

Para tanto, a Escola de Pais do Brasil desenvolvem dez temas, a começar por quando a criança é gerada. "Falamos muito sobre psicologia, desenvolvimento infantil, as fases pelas quais as crianças passam. Se os pais mantiverem diálogo e procurarem entender cada fase, terão suporte para enfrentar eventuais dificuldades. É preciso sempre buscar equilíbrio na educação. Não exagerar na liberdade nem na rigidez", opina.

A partir de março, ela começa a formar novas turmas do curso, que é gratuito. Aberto a todas as classes sociais e idades por meio de grupos fechados com 20 participantes, a iniciativa já recolocou muitos pais perdidos nos trilhos e já salvou até casamento.

"É um programa aberto a todos que se interessem, pode ser casal, pai, mãe, tio, avô, não importa. As atividades são itinerantes. Desde que haja estrutura mínima adequada, marcamos para diversos locais Nosso trabalho visa auxiliar todas as pessoas que se sentem perdidas nesse campo", incentiva Elisabeth.

Outras informações podem ser obtidas pelo e-mail salomao.blv@terra.com.br.


?Antes era bem mais fácil orientar filhos?

Aos 82 anos e 56 anos de casado, o aposentado Dirceu Garcia acredita que teve menos dificuldades em criar seus quatro filhos do que hoje eles têm para educar seus netos. Depois de casar-se, a esposa Maria Helena de Medeiros Garcia, 78 anos, deixou de lecionar para cuidar das crianças. "E ela não se arrependeu. Eu cobrava disciplina e tinha colaboração total da minha esposa", comenta.

O casal sempre impôs limites, inclusive de horário para voltar para casa. "Não podemos interferir, mas hoje vemos nossos netos, inclusive netas, saindo de casa às 23h, quando os meus voltavam. Atualmente existe mais liberdade, os valores são outros. Não quero dizer que exista problema com meus netos, apenas que é diferente", afirma.

Dirceu admite, porém, perceber falta de imposição das famílias. "Sempre tivemos a religião como orientação a seguir. Hoje ela faz falta em muitas casas", avalia.

Mas realmente eram outros tempos. Quando os filhos eram pequenos não tinham acesso a tantas informações como hoje. Os relacionamentos se concentravam, principalmente, em torno da própria família. As visitas de final de semana ficavam especialmente neste âmbito.

Atualmente, seu Dirceu percebe famílias desorientadas diante das tantas possibilidades. Aproveita para levantar as mãos para o céu em agradecimento pelos filhos terem seguido o exemplo dos pais. "Levamos o amor de Deus conosco. Sofremos baques, mas aceitamos a vontade e a presença Dele na nossa vida", conclui a esposa Maria Helena.


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Bíblia é a referência de ONG para resgatar valores

Se há quem defenda a ausência de padrões, tem quem enxergue na Bíblia a forma de conduzir as famílias. Ao reorganizar o papel do homem e da mulher, a Universidade da Família busca resgatar os valores da ?célula mater?. Trata-se de uma organização não-governamental que há 20 anos oferece cursos a voluntários, que se tornam multiplicadores do conteúdo formatado dentro e fora do Brasil.

"Entendemos que o marido tem a responsabilidade de liderar o lar. A mulher também pode, se não tiver um companheiro. Ela gosta de ser tratada como única, ela tem que ser amada. Os homens perderam essa liderança, abandonaram os lares para as mulheres, que são mais competentes, têm mais habilidades com as crianças, com a família, mas ele precisa ser respeitado. Se não for, não consegue amar sua mulher e aí vemos uma família destruída", comenta André Nunes, gerente de marketing da Universidade da Família.

De acordo com ele, o trabalho da entidade leva em consideração os ensinamentos da Bíblia. "Acreditamos que cada um de nós tem uma missão e um papel, uma proposta a cumprir. Quando são alterados, as consequências aparecem. Podem ser boas, mas geralmente não são", afirma.

Na opinião de Nunes, muitos casais vivem em crise por puro desconhecimento de sua função, propósito e natureza. "A mulher tem uma forma de comunicação diferente da do homem. Se ele está com um problema, chega em casa e ela logo percebe. Mas se ela pergunta o que aconteceu ele responde: nada. Ela entende que não é digna da confiança dele porque ela tem mais facilidade de falar sobre ela. Só não se abre quando não confia na pessoa. Mas quem causou o problema? Nenhum dos dois", explica.

Por essa razão é tão importante conhecer a própria natureza. "E o manual do fabricante é justamente a Bíblia", destaca. No âmbito familiar, a organização não-governamental também propõe, por exemplo, um rito de passagem dos meninos ? assim como acontece com as meninas com o baile de debutante.

"Ele precisa ser preparado para a sociedade. Saber que terá uma função, um propósito dentro da família dele, da profissão dele. É uma coisa que o modelo antigo, tradicional, não tinha. Nós acreditamos que exista um modelo para a família, que é uma coisa divina. Quando Deus quis mostrar sua proximidade, se incluiu numa família", observa o gerente de marketing.

Segundo ele, as orientações da Universidade da Família contemplam também a cultura da bênção e honra. "Os pais abençoam seus filhos e os filhos honram seus pais. Nós temos a ambição de transformar o Brasil através da família", garante.

Para tanto, o trabalho também será estendido aos analfabetos e analfabetos funcionais. Por meio de um projeto de cinema, histórias de superação serão contadas. "O enfoque é trazer para essas pessoas a esperança. Não estão lançadas à própria sorte, existe um Deus que é Pai", acrescenta Nunes.

Por meio da família, escolas, igrejas, empresas, mídia, cultura e governo não abandonam e expectativa de recuperar o modelo social do antigo testamento.

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