Ribeirão Preto - Produtores de cana-de-açúcar e instituições representativas do setor cobraram do Ministério da Agricultura a criação de uma política de subsídios para cobrir as perdas diante da baixa remuneração da matéria-prima. Reportagem publicada semana passada pela Folha de S. Paulo mostrou que, apesar do preço da tonelada da cana ter crescido na região de Ribeirão Preto (313 km de São Paulo) - principal polo sucroalcooleiro do país -, o valor ainda não cobre os custos."Precisamos de alguma ajuda para equalizar o preço, e não há alternativa senão um subsídio", disse o presidente da comissão nacional de cana-de-açúcar da CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária), Gerson Carneiro Leão. Em Ribeirão Preto, o preço da tonelada da cana aumentou 52% no período -de R$ 34 para R$ 52, na média-, mas o custo de produção foi próximo de R$ 58. Leão explicou que o subsídio só seria fixado nas safras em que o preço de venda não fosse suficiente para remunerar o produtor. A proposta de um subsídio foi feita após representantes do ministério negarem a inclusão da cana no PGPM (Programa Geral de Preços Mínimos), que compra produtos e armazena quando os preços são desfavoráveis. Porém, segundo o secretário nacional de produção e agroenergia, Manoel Bertone, é impossível o governo comprar cana, porque ela é perecível e não traria vantagens. "O setor precisa se aperfeiçoar nesse ponto, e não podemos auxiliá-los.?? Leão criticou a postura de Bertone e disse que o governo tem de oferecer proteção ao agricultor. O presidente da Canaoeste (associação dos plantadores do Estado), Manoel Ortolan, disse que a maior preocupação é não conseguir remuneração suficiente para novos investimentos."O produtor precisa renovar parte do seu canavial. Se não houver condições suficientes, toda uma cadeia pode sair prejudicada."
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