Túnis - O Ministério do Interior da Tunísia suspendeu ontem todas as atividades do ex-partido governante do país, o RCD, após os mais graves protestos desde que o ditador Zine El Abidine Ben Ali deixou o país."O ministro do Interior decidiu suspender todas as atividades do RCD e fechar todos os seus escritórios, faltando a decisão judicial para sua dissolução", disse uma fonte do ministério à agência Reuters sob condição de anonimato."Isto está sendo feito porque há uma necessidade extrema e para prevenir a quebra da segurança geral e para proteger os mais altos interesses do país", acrescentou. O anúncio ocorreu horas depois de cidadãos terem saqueado e incendiado uma delegacia de polícia na cidade de Kef, Noroeste do país, um dia após a polícia ter atirado e matado ao menos dois manifestantes. Foi o pior episódio de violência na Tunísia desde a queda de Ben Ali, forçado a exilar-se em 14 de janeiro, após um mês de protestos nacionais antigoverno. Autoridades têm procurado acabar com os resquícios do regime de Ben Ali, notavelmente eliminando figuras com conexões no ex-partido governante - mas não rápido o suficiente para muitos cidadãos. As atividades do RCD não limitavam-se apenas à cena política. Nos 23 anos de governo de Ben Ali, a legenda criou tentáculos em todos os setores da vida tunisiana. Entre outras entidades desacreditadas está a força policial, que disseminou medo enquanto levava adiante políticas repressivas do ex-ditador.
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