Rio - Anunciada há 11 dias, a ocupação pelas forças de segurança das favelas de Santa Teresa e do Complexo São Carlos, no centro do Rio, terminou ontem sem troca de tiros e com poucas prisões. O objetivo é instalar, neste semestre, três UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora). Além de policiais Militar e Civil, participaram federais, rodoviários federais e fuzileiros navais. Às 6 horas, eles deram início às incursões nas comunidades dos Prazeres, Escondidinho, Fogueteiro, Fallet, Coroa, Mineira, Zinco, Querosene e São Carlos. As ruas ainda estavam vazias. Cerca de duas horas depois, a conclusão da operação era comemorada.Debandada O único sinal de criminosos no morro dos Prazeres, na encosta de Santa Teresa, eram inscrições contra a política da Secretaria de Segurança. "UPP é o ca... Bala neles", diziam pichações. Criminosos abandonaram casas luxuosas onde viviam. Moradores contaram que os principais traficantes começaram a deixar as comunidades já na semana passada."Ficaram só os pés de chinelo. Teve traficante que chorou, querendo sair da favela com os chefões, que não quiseram levá-los", disse um morador do Fogueteiro que não quis ser identificado. No fim da manhã de ontem, os bares já funcionavam no São Carlos. Setores de inteligência da polícia apontam a Rocinha (zona sul) e favelas da região metropolitana como destino dos criminosos. Para o secretário de Segurança do Rio, José Mariano Beltrame, o aviso prévio sobre a operação faz parte da estratégia de "retomada do território sem aumentar as estatísticas de bala perdida, de autos de resistência, de homicídios ou ferimento de qualquer pessoa??. Segundo a Polícia Civil, até começo da noite, três pessoas tinham sido presas nas favelas ocupadas: o alemão Kai Jörg Hildebrant Niespodziany, 37 anos, suspeito de atuar como médico para os traficantes e detido por suspeita de exercício ilegal da profissão e falsidade ideológica (leia na página ao lado); Gilvado de Souza Silva, detido por suspeita de porte ilegal de arma; e Ivanaldo Barbosa da Silva, que tinha mandado de prisão expedido por evasão. A polícia não informou se eles têm advogados.Poucas barricadas Nos morros dos Prazeres e da Mineira, policiais e militares encontraram pichações do tráfico com ofensas à UPP. Na localidade conhecida como Chuveirinho, no Morro da Mineira, além de xingamentos, os traficantes escreveram "Vamos voltar. Assinado Bonde do Coelho". Eles se referem ao traficante Anderson Rosa Mendonça, o Coelho, chefe do tráfico na favela e um dos principais abastecedores de maconha e cocaína da facção criminosa Amigos dos Amigos (ADA). A maioria dos moradores adotou o silêncio. Alguns comentavam que "a polícia não iria encontrar ninguém, porque todos foram para a Rocinha".Três menores com mandados de busca foram apreendidos. Nenhum fuzil foi encontrado até o fechamento desta reportagem. No cerco montado pela PRF, na Ponte Rio-Niterói e em rodovias, nenhum traficante foi preso. No bairro turístico de Santa Teresa, o movimento nos restaurantes e ateliês foi fraco. Alguns comerciantes culpavam o forte calor e outros achavam que a operação afugentou os visitantes. "Desde sábado, o meu faturamento caiu pela metade. Espero que na próxima semana as pessoas voltem para constatar que o bairro está seguro", disse a comerciante Lis Rudge, do restaurante Jasmin Manga.
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