A Polícia Civil de Bauru procura os pais de um bebê que ingeriu maconha dentro de casa e foi encaminhado ao Pronto-Atendimento Infantil (PAI) ao passar mal, no início da tarde de ontem, em um caso de total irresponsabilidade e imprudência familiar. A criança, uma menina de apenas 1 ano e 1 mês, deu entrada na unidade de saúde apresentando quadro de sonolência e apatia, mas nem chegou a receber tratamento. Ao desconfiar de que a polícia poderia ter sido acionada, a tia da criança a retirou da sala de emergência e fugiu, acompanhada da mãe e da avó do bebê, além de outras três mulheres.
A grande dificuldade da polícia para localizar os responsáveis, entretanto, é que os envolvidos seriam de uma família de ciganos, que não mantinha residência fixa em Bauru. No prontuário que chegou a ser registrado no PAI, consta apenas como endereço a cidade de São Paulo.
Segundo informações da Polícia Militar, que foi acionada por volta das 13h45 de ontem, a mãe e a tia da menina relataram aos profissionais do PAI que ela teria ingerido uma pequena porção de maconha. A droga teria caído no chão enquanto o avô da criança preparava um cigarro da droga, no final da noite de anteontem. A criança teria colocado o pedaço na boca antes que os adultos presentes pudessem agir.
Como o bebê ficou letárgico e não melhorava, por volta das 12h20, a mãe, a tia e mais quatro mulheres o levaram à unidade de saúde. No colo da mãe, embora sonolento e com o olhar perdido, ele mantinha o tronco firme, conforme informou o diretor do Departamento de Urgência e Emergência (DUE) da Secretaria Municipal de Saúde, Luiz Antonio Bertozzo Sabbag.
A menina, de apenas 11,5 quilos, chegou a ser submetida à pré-consulta, onde foram aferidos sua temperatura, peso e nível de glicemia. No entanto, ao ser encaminhada à sala de emergência, quando seria atendida por um médico pediatra, a família decidiu abandonar a unidade, levando a criança sem ser notada por nenhum funcionário.
"A enfermeira deixou a criança e a tia na sala e foi chamar o pediatra. Quando ela voltou, todos tinham ido embora. Os funcionários procuraram em todo o pronto-atendimento, mas não encontraram ninguém", revela Sabbag.
Ainda que o bebê não tenha sido medicado, o diretor do DUE acredita que as chances de ele sofrer consequências graves por conta de uma eventual intoxicação grave é pequena. "Certamente, o que ela ingeriu foi uma pequena quantidade, porque a maconha tem sabor amargo, semelhante ao tabaco. Deve ter sido uma quantidade que, para adultos, não teria efeito nenhum. A intoxicação só acontece quando o volume fumado ou ingerido é em excesso. No caso do dela, não deve ter sido", aponta.
Mesmo sem saber a quantidade exata da droga ingerida, o diretor destaca que, pelo estado inicial da menina, a tendência é de que ela se recuperasse com o passar das horas, somente ingerindo leite e mantendo alimentação correta. "A maconha vai ser eliminada naturalmente do organismo. Ela deve ter ficado mais algumas horas apática, mas acredito que se recuperaria sem grandes dificuldades", frisa.
Segundo ele, de fato, ao serem informados pela tia da menina que a garota havia ingerido certa quantidade de maconha, os funcionários do PAI chamaram a polícia. Após a família deixar o pronto-atendimento com o bebê no colo, um boletim de ocorrência foi registrado para resguardar a unidade de responsabilidade em caso de eventuais problemas que pudessem ocorrer posteriormente com a criança.
O Conselho Tutelar chegou a ser acionado pela instituição, mas, como se tratava de ocorrência policial, a entidade informou que o caso deveria ser conduzido pela própria PM. No final da noite de ontem, o Plantão da Polícia Civil registrou a ocorrência como não criminal, já que os familiares que prestaram as informações ao PAI não foram localizados. Além de eles não terem informado endereço no prontuário médico, o único número de telefone fornecido pela mãe da criança à enfermaria constou como não existente.
Efeitos ao fumar ou ingerir
Euforia, taquicardia, ressecamento das mucosas, olhos vermelhos, torpor, apatia e sonolência. Os efeitos colaterais causados pelo uso de maconha, quando fumada, são parecidos com as sensações provocadas quando a droga é ingerida. De acordo com o diretor do Departamento de Urgência e Emergência (DUE) da Secretaria Municipal de Saúde, Luiz Antonio Bertozzo Sabbag, depois de deglutida, a maconha é absorvida pelo estômago até alcançar a corrente sanguínea, quando os sintomas têm início. "A absorção, quando ingerida, é mais lenta. Mas os efeitos são os mesmos", aponta.
Segundo Sabbag, ao atingir o cérebro tanto de adultos quanto de crianças, o TCH (princípio ativo da droga) estimula a produção de uma substância orgânica que proporciona sensação de felicidade. "Por isso, no começo, é prazerosa. Depois, causa sensação de letargia e fome. No longo prazo, pode ser responsável pela redução na produção de espermatozóides, nos homens, entre outros problemas", observa.