Internacional

Egito: oposição ignora alerta e lota praça

Folhapress
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Cairo - Manifestantes egípcios que exigem a renúncia do ditador do país, Hosni Mubarak, ignoraram as advertências do regime sobre o risco de caos e cercaram ontem o Parlamento e a sede do governo, enquanto que incidentes no sul do país deixaram quatro mortos. Milhares de pessoas voltaram a se concentrar na praça Tahrir, epicentro dos protestos e que anteontem foi palco da maior concentração desde que as manifestações começaram, no último dia 25. A pouca distância, centenas de pessoas cercaram o Parlamento e a sede do governo, situados frente a frente. Os dois edifícios estavam protegidos por militares e veículos blindados, mas o conselho de ministros teve de ser realizado em outro lugar."Viemos impedir a entrada dos membros do PND (Partido Nacional Democrata, de Mubarak), afirmou Mohamed Abdalah, 25 anos, junto a outros jovens que gritavam slogans contra o chefe de Estado egípcio. Apesar da persistência dos manifestantes e do toque de recolher que ainda é implementado entre 20h e 6h, a maioria das lojas da capital voltou a abrir ontem. As manifestações haviam dado lugar, nos primeiros dias, a violentos enfrentamentos com as forças de segurança, que deixaram ao menos 300 mortos e milhares de feridos, segundo avaliações da ONU (Organização das Nações Unidas). As marchas também se espalharam para outras grandes cidades, como Alexandria (norte) e Suez (leste), ambas submetidas também ao toque de recolher.
Mortes
Quatro pessoas foram mortas e várias ficaram feridas por tiros disparados em confrontos, ontem e hoje, entre forças de segurança e cerca de 3.000 manifestantes em El Jargo, cidade localidade em meio ao deserto no sul do país. Quatro pessoas morreram e diversas outras foram feridas por tiros disparados durante confrontos entre as forças de segurança e cerca de 3 mil manifestantes em uma província no oeste do Egito, informaram nesta quarta-feira a TV estatal e fontes de segurança. Os confrontos no Vale Novo, província que inclui um oásis no deserto ocidental do Egito, irromperam anteontem e continuaram até ontem, segundo as forças de segurança. A TV estatal disse que três pessoas morreram nos combates, mas não deu maiores detalhes. O incidente aparenta ser o primeiro grave confronto entre a polícia e manifestantes desde que forças de segurança ocuparam as ruas do Egito depois de agredirem e atirarem gás lacrimogêneo e balas de borracha contra manifestantes em 28 de janeiro, data que ficou conhecida como o "Dia de Fúria".
Reação
Ao se darem conta da morte dos manifestantes, os habitantes, enfurecidos, atearam fogo a sete edifícios, entre eles duas delegacias de polícia, um tribunal e a sede local do PND. Vários movimentos sociais para reclamar melhores condições de trabalho ou salariais também saíram às ruas. Nos últimos dois dias foram registrados protestos em estaleiros do porto Said, na entrada do canal de Suez, e em várias empresas privadas que operam no estratégico eixo do comércio mundial.
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Ministro egípcio rejeita conselhos dos EUA
Washington - O ministro das Relações Exteriores do Egito, Ahmed Aboul Gheit, rejeitou ontem o pedido dos Estados Unidos para a revogação imediata de uma lei de emergência. O ministro Ahmed Aboul Gheit disse ao programa PBS NewsHour, de acordo com trechos da entrevista, que os conselhos políticos do vice-presidente norte-americano, Joe Biden, não eram úteis "de modo algum", e afirmou que Washington parecia estar tentando impor sua vontade no Cairo.
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Executivo do Google fala em morrer pelo país
Cairo - O primeiro candidato a herói da revolta popular no Egito diz que já não há mais espaço para negociação com o governo e se diz disposto a morrer pela causa.
Aclamado na praça Tahrir anteontem, um dia após ter sido libertado pelo governo, o executivo da Google Wael Ghonim, 30 anos, viveu mais um dia como o único rosto visível da revolta deflagrada pelos jovens. Ghonim ficou dez dias preso por ter sido um dos iniciadores do movimento, ao usar sites como Facebook, Twitter e YouTube para convocar protestos. Em entrevista à rede CNN, ele disse que é tarde demais para negociar com Mubarak. "Estou pronto para morrer pela mudança no Egito??, disse, citando o líder pacifista indiano Mahatma Gandhi como herói.

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