Polícia

Racha com morte agora condena dois

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

Nove dias depois de ser condenado a sete anos de prisão por ter participado de um racha em que uma pessoa morreu, André Luiz Romão, 33 anos, foi sentenciado novamente por ter integrado outra disputa automobilística não autorizada em Bauru, que também resultou em morte. Ontem, por quatro votos a três e após de 14 horas e meia de julgamento, o tribunal do júri decidiu que ele deverá cumprir pena de dois anos e nove meses, em regime aberto, por homicídio culposo e lesão corporal culposa.

Junto com ele, Fernando Henrique Santos Silva também foi julgado e punido com a mesma sentença, pelo mesmo crime. No regime aberto, ao qual foram beneficiados por serem réus primários no dia em que o crime ocorreu, eles cumprem a condenação em casa, mas devem obedecer a uma série de exigências judiciais para não perderem este direito.

Romão e Silva foram condenados pelo racha que disputaram no início da madrugada do dia 22 de julho de 2000, na rodovia Comandante João Ribeiro de Barros (SP-225), a Bauru-Jaú. Nas proximidades da fábrica da Coca- Cola, ocorreu um grave acidente de trânsito que resultou na morte de Leonardo Greatti e em lesões corporais em Marcus Vinícius Leizico. Ambas as vítimas eram passageiros do Gol conduzido por Silva, que colidiu contra um poste de iluminação pública.

Segundo apurado na investigação criminal, o condutor do Gol teria perdido a direção do veículo em função de estar imprimindo alta velocidade durante a disputa. O outro automóvel envolvido na competição era também um Gol, cujo motorista era Romão. No decorrer da investigação criminal, Silva e Romão chegaram a negar qualquer envolvimento no acidente.

O promotor Djalma Marinho Cunha Filho, entretanto, pedia que ambos fossem punidos por homicídio doloso, cuja pena prevista é maior, baseado no entendimento de que eles assumiram o risco de provocar o acidente quando decidiram disputar o racha. Mas não foi esta a conclusão a que chegou o tribunal do júri.

"O resultado foi justo. Eles não ficarão presos e terão de se comportar como já vinham se comportando ao longo destes últimos 11 anos", observa o advogado de defesa Duílio Rodrigues Cabello, que pedirá judicialmente a prescrição dos nove meses de pena pelos crimes de lesão corporal e participação em racha. "Só o homicídio culposo não está prescrito, então esperamos que eles cumpram apenas dois anos", pontua.

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Outro caso


Há nove dias, a defesa não conseguiu evitar que André Romão fosse julgado por homicídio doloso. Ele foi condenado há sete anos de prisão em regime semiaberto por outro racha de que participou, em 2 de setembro de 2001. A disputa resultou na morte de Cláudia Silva Nerino, 29 anos, e em graves lesões em Fábio Gonçalves Matheus, então noivo da vítima. Na ocasião, Romão e o parceiro de racha, Adriano Augusto Gabriel, teriam competido em alta velocidade na avenida Getúlio Vargas e, ao alcançarem a quadra 12, abalroado a traseira da motocicleta em que as duas vítimas estavam.

Mesmo usando capacete, Cláudia sofreu traumatismo craniano e morreu após permanecer 13 dias internada no Hospital de Base. Além dela, o noivo, Fábio Gonçalves Matheus, que conduzia a moto, também se feriu gravemente. Ele foi submetido a uma cirurgia para colocar pinos em uma das pernas e sobreviveu.

O advogado de defesa, Duílio Rodrigues Cabello, entendeu que a pena aplicada para este crime foi severa demais e já recorreu da decisão. O resultado do julgamento de ontem, entretanto, foi comemorado por ele e por familiares de Romão e Silva.

"Em relação ao primeiro julgamento, já pedi a interposição e, naturalmente, deve seguir para o Tribunal de Justiça em São Paulo, Superior Tribunal de Justiça e Supremo Tribunal de Justiça. Deve demorar bastante", analisa. Enquanto o processo contra Romnão transitar em julgado, ele permanecerá em liberdade. O segundo réu do caso, Gabriel, ainda não foi julgado.

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