Ao mesmo tempo em que anima produtores, a alta histórica no preço do algodão está gerando uma crise em polos têxteis do país e ameaça empresas centenárias. A situação mais grave é em Brusque (SC), cidade tida como berço do setor no Estado. Com dificuldade na compra da matéria-prima, a Schlösser, fundada em 1911, colocou 450 trabalhadores em licença remunerada e paralisou as atividades. Outras indústrias, como a Buettner e a Renaux, planejam a redução de setores e parcelam o pagamento dos funcionários. O problema atinge outras regiões, como São Paulo, Ceará e Minas Gerais. Em Americana (SP), um dos principais polos de tecido nacional, há ao menos 60 teares parados nas fábricas, segundo o sindicato local. As empresas reduziram seus turnos de trabalho de 20 para 16 horas. O aumento dos preços do algodão começou em outubro de 2009 -época em que o mercado mundial começou a sinalizar a ausência de estoques do produto- e se tornou mais visível a partir de agosto passado. Desde então, os recordes são praticamente diários, de acordo com o Centro de Estudos em Economia Aplicada (Cepea), da USP. O valor médio de cerca de R$ 3,50 por quilo há um ano já se aproxima de R$ 8, maior patamar em décadas.
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