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Entrevista da Semana: Fábio Freire Lara

Ana Paula Pessoto
| Tempo de leitura: 9 min

?O céu de Bauru é o meu refúgio?


O que você costuma fazer para descansar e aliviar o estresse do trabalho? Enquanto uns leem, outros fazem uma caminhada, vão ao cinema, batem papo com os amigos...E há ainda os que, como Fábio Freire Lara, preferem sentir a liberdade dos pássaros e voam pelo céu da cidade. Apaixonado pela aviação, de modo especial pelos planadores, Lara encontrou na capital nacional do voo a vela mais do que um hobby apaixonante: ele também conheceu sua esposa Fernanda, com a qual teve duas filhas, Ana e Eliza, e um novo lar.

Nascido por acaso na cidade de Santos no dia em que Bauru faz aniversário, o atual presidente do Aeroclube de Bauru passou boa parte de sua vida na capital do Estado. "Foi bom morar em São Paulo quando criança. Pude andar de bicicleta e jogar bola livremente pelas ruas. Hoje a insegurança está insuportável, então, decidi priorizar a qualidade de vida e mudei-me para cá em 2001", relata.

O menino que queria ser piloto de avião, mas que não contrariou o pai, fez as contas e seguiu o ramo do mercado financeiro, profissão que despertou sua curiosidade já aos 14 de anos de idade. "A volatilidade do negócio é estressante, mas você se acostuma quando gosta. E para esquecer um pouco dos números, o céu é meu refúgio", diz Lara.

Família, amigos, lembranças da juventude e trabalho também fazem parte da entrevista que segue abaixo. Confira.

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Jornal da Cidade - O que o fez "adotar" Bauru?

Fábio Freire Lara - Coincidentemente eu nasci no dia 1º de agosto, dia do aniversário de Bauru, em Santos, outra coincidência, porque minha mãe estava lá de férias e nasci um mês antes do previsto. Meus pais eram de São Paulo, onde cresci e vivi até optar pela mudança, em 2001. Comecei a vir para Bauru em 1985 atrás da paixão pela aviação. Só que, com isso, meus namoros em São Paulo ficaram cada vez mais complicados. Sempre que podia eu vinha a Bauru nos fins de semana e as namoradas não podiam viajar junto. Muitas vezes tinha festas e encontros marcados, mas quando olhava a previsão do tempo e via que estava propício, deixava tudo e vinha para cá. Não queria saber de outra coisa. E por estar sempre por aqui fiz muitos amigos e conheci a Fernanda, minha esposa. Ainda depois de casados moramos em São Paulo por uns cinco anos até decidir pela mudança.

JC - Ainda se lembra da primeira vez em que aqui esteve?

Lara - Tive a oportunidade de conhecer o Aeroclube de Bauru quando estava voltando de uma viagem aérea e o piloto daquele avião era formado pelo nosso aeroclube. E como ele também era piloto de planador, nós decidimos fazer um pouso para reabastecer e aproveitar para passar algumas horas voando de planador. Voei, adorei e fiquei apaixonado. No fim de semana seguinte eu já estava aqui me matriculando para as aulas. E de lá para cá, todos os fins de semana de tempo bom da minha vida foram passados aqui. Primeiro fiz todos os cursos e depois me interessei muito pela parte esportiva e Bauru tinha os principais pilotos da modalidade e o principal aeroclube. Vinha treinar mesmo e, como esporte, eu me dedicava realmente.

JC - Então pode-se dizer que a mudança ocorreu pela qualidade de vida?

Lara - Aliada à paixão pela aviação. Os problemas crônicos que eu via em São Paulo eram insuportáveis. Trânsito, assaltos, falta de segurança...Tudo isso me deu vontade de criar minhas filhas no Interior, onde eu pudesse ao menos ter uma qualidade de vida melhor.

JC - E como foi ser criança em São Paulo?

Lara - Na época ainda foi bom. Eu digo isso porque peguei um tempo em São Paulo em que era possível jogar futebol na rua, andar de bicicleta...Morei em um bairro chamado Alto de Pinheiros, nos anos 70, e havia apenas uma avenida e nela passava um carro a cada três minutos. Saíamos de lá e íamos até a rua Augusta de bicicleta. Andávamos por toda a cidade e não era perigoso. Hoje em dia você tem medo de sequestro-relâmpago, assaltos, atropelamento, de violências no trânsito... Não dá! Antes de me mudar para Bauru eu morava em um lugar muito bom, perto do Parque do Ibirapuera, mas precisava de segurança contratada na rua e, mesmo assim, a cada dois ou três dias alguma casa da vizinhança era assaltada. Eu não tinha coragem de ir a pé até o Ibirapuera. E por gostar muito do Interior, meu pai tinha fazenda na região de Itu, tomei a decisão. Acho que no Interior a vida tem um ritmo um pouco mais lento e isso proporciona um convívio familiar e pessoal mais intenso.

JC - Você parece ser muito ligado à família e aos amigos.

Lara - E sou muito ligado mesmo. O que mais prezo é a família e, em seguida, os amigos. Sinto muita falta dos amigos que ficaram em São Paulo.

JC - O que mais te desperta desejo na aviação?

Lara - Os planadores, principalmente pelo fato de não serem motorizados, isso os torna mais puros. Você usa as condições da natureza e a meteorologia para conseguir se deslocar no céu. O voo de avião é muito bom, mas o planador é uma coisa mágica. Ele extrapola. Você consegue fazer percursos acima de 500 quilômetros sem motor. As condições meteorológicas de Bauru são muito boas. Os voos são sempre diferentes uns dos outros. Você se lembra de detalhes que são inesquecíveis. Os percursos que eu mais gosto e que mais me trazem boas recordações são os de grande distância. Sair de Bauru e ir para Ribeirão Preto ou Araçatuba e voltar são experiências maravilhosas.

JC - E de onde vem essa paixão em estar no céu?

Lara - Acompanha-me desde a infância. Quando eu era criança meu sonho era ser piloto, mas meu pai era radicalmente contra por achar ser uma profissão que distancia o homem da família e, por mexer com fazenda, a maior queixa de meu pai era passar muito tempo longe da gente. Ele achava que eu devia ter uma profissão que proporcionasse o contato familiar o tempo todo.

JC - E qual é a sua formação?

Lara - Sou administrador de empresas e trabalho com o mercado financeiro. Eu comecei a comprar ações aos 14 anos. Ajudava a minha avó a fazer resgate de suas aplicações e com o contato com a corretora eu acabei colhendo informações sobre como comprar ações e comprei minhas primeiras aos 14 anos de idade. E de lá para cá nunca parei de mexer com isso. É uma coisa que você vai aprendendo e se interessando cada vez mais. Uma coisa que eu acho fantástica é a democratização existente nesse ramo. Você pensa que gostaria ser igual ao dono da Votarantim ou do Itaú e realmente pode. A diferença é que o Antônio Ermírio tem uma quantidade grande de ações, mas você pode ser tão dono quanto ele, basta você ir comprando ações. Isso é o que eu acho interessante: querer ser dono da Petrobras ou das Lojas Americanas e poder ser. As ações está lá na Bolsa.

JC - Existe segredo para esse tipo de negócio?

Lara - Para nunca perder, não existe fórmula. Você tem de identificar momentos favoráveis para a economia. Todas as empresas estão inseridas no contexto macroeconômico. Antigamente você pensava em País e hoje você pensa em mundo por causa da globalização. Qualquer coisa e qualquer crise que aconteça, como o caso recente da Grécia, por exemplo, imediatamente afeta as bolsas de valores. Então você precisa fazer uma análise do contexto global, uma análise macroeconômica. Identificando as condições favoráveis ao mercado, você vai indo para as micros. Por exemplo: você acredita que o setor que deve se desenvolver é o da infraestrutura, por conta das Olimpíadas e da Copa do Mundo que iremos ter. Então uma série de ações terão de ser implantadas e você pode identificar nisso oportunidades de algumas empresas que prestam serviços ligados a esse ramo e que tendem a ter valorização.

JC - Realmente é um trabalho estressante?

Lara - Estressante é o dia a dia pela volatilidade dos mercados, quer dizer, os comportamentos. A Bolsa pode subir e cair em questão de horas, de acordo com as notícias, muitas vezes, globais. Isso gera estresse, mas você se habitua a conviver com isso. Se eu fosse pensar sobre o aspecto rentável da minha carreira eu teria de estar em São Paulo, mas decidi pela qualidade de vida. Você precisa pensar no presente e levar a vida hoje, lógico que de uma maneira racional e pensada no futuro.

JC - E para acabar com o estresse você voa!

Lara - Com certeza! Quando eu morava em São Paulo eu costumava dizer que vir para Bauru e voar para mim era muito mais barato do que pagar um terapeuta (risos).

JC - A publicidade também fez parte de sua vida, certo?

Lara - Meu pai tinha uma pequena agência de publicidade em São Paulo na época em que eu estava na faculdade e eu e meu primo, Luiz de Alencar Lara, decidimos nos aventurar com a publicidade nas férias. Éramos filhos caçulas e como todo filho caçula, a gente se aventurava (risos). Foi uma coisa que deu super certo e meu primo continuou nesse mercado trabalhando em algumas grandes agências até criar a Lew Lara, uma das maiores agências de publicidade do País. Mas eu já gostava mesmo era de números e finanças.

JC - Como você chegou à presidência do Aeroclube?

Lara - Eu comecei a frequentar o Aeroclube em 1985 e de lá para cá não parei mais de me envolver com as atividades. Participava do conselho fiscal e coisas que me permitiam ajudar o clube a distância. Morando em Bauru, não pude deixar de me envolver com a diretoria, isso foi em 2002, época em que o clube passava por muitas dificuldades. Eu achei que deveria contribuir porque o Aeroclube de Bauru me proporcionou muita coisa boa. Descobri uma cidade que eu gosto muito, o esporte pelo qual sou apaixonado e que me rendeu o título de Campeão Brasileiro de Voo a Vela, Classe B, em 1990, além de minha esposa, já que a conheci em confraternizações lá. Nessa época, o clube estava com problemas de caixa e uma ausência de controles administrativos. Precisávamos reconstruir o clube. O que ele tinha de muito bom era a cultura e a mentalidade aeronáutica, coisas que não são construídas em poucos anos. Meu desafio era transformar o Aeroclube de Bauru no melhor do Brasil. Tive a satisfação de conseguir ganhar o troféu transitório da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil). É um troféu destinado ao melhor aeroclube e ele já está em Bauru há três anos. Nossa ideia é que ele more aqui.

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Perfil


Nome: Fábio Freire Lara

Idade: 50 anos

Local de Nascimento: Santos/SP

Signo: Leão

Esposa: Fernanda

Filhos: Ana e Eliza

Hobby: Aviação, kartismo e cavalgada em família

Livro de cabeceira: "Discurso Sobre o Método" e "O Príncipe"

Filme preferido: Comédias românticas

Estilo musical predileto: Músicas brasileiras, como as letras de Raul e Cazuza, por exemplo

Time: Santos e Noroeste

Para quem dá nota 10: Para Deus

Para quem dá nota 0: À corrupção

E-mail: flara@uol.com.br

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