Polícia

Rapaz é morto a tiro no Jd. Vitória

Lilian Grasiela
| Tempo de leitura: 4 min

"Eu perdi meu filho para as drogas". Foi com esta frase que Ideuvas da Silva, 50 anos, resumiu a dor e a tristeza de ver seu filho Everton Francisco da Silva assassinado aos 21 anos de idade. O jovem levou um tiro na perna, no final da noite de anteontem, na quadra 20 da rua Doutor Walter Belian, Jardim Vitória. As marcas de sangue no asfalto mostram que ele ainda andou por quase 100 metros, antes de pedir ajuda a uma tia. De acordo com familiares, a bala perfurou uma artéria e Everton perdeu muito sangue, morrendo antes de ser socorrido. O autor do disparo ainda não havia sido identificado.

O homicídio ocorreu às 23h57 de anteontem. Everton morava com os pais, a uma quadra de onde foi morto. Segundo a família, o jovem era viciado em crack desde os 15 anos. Após ser atingido pelo disparo, provavelmente próximo a um estabelecimento comercial localizado na quadra 21 da via, Everton foi até a residência de sua tia, no numeral 20-60, pedir socorro.

Quando policiais militares da Base Oeste chegaram ao local, o jovem estava caído na sala, inconsciente. Ele chegou a ser socorrido com vida por uma viatura do Corpo de Bombeiros ao Pronto-Socorro Central, mas, como perdeu muito sangue, acabou morrendo antes de dar entrada na unidade de saúde. A Polícia Técnica foi acionada e efetuou perícia no local. O caso será investigado pela equipe de homicídios da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), que também compareceu ao endereço.

No bairro, moradores preferiram não comentar o assunto, adotando a chamada lei do silêncio. Uma mulher, que preferiu não informar seu nome à reportagem, contou que o jovem não tinha passagens pela polícia, mas era usuário de drogas.

O morador de uma casa na quadra 21, onde a vítima foi alvejada pelo disparo de arma de fogo, disse que não ouviu nada durante à noite. Já uma comerciante que também mora na mesma quadra contou que ouviu um barulho, mas achou que eram fogos.

Pelo levantamento feito pelo Jornal da Cidade, com este crime chega a sete o total de homicídios em Bauru neste ano, o terceiro somente neste mês. A última vítima de morte violenta na cidade foi Richard de Freitas Martins, 30 anos, que foi assassinado a tiros, na madrugada do último dia 5, dentro de um barraco localizado na quadra 4 da rua Benedito Daniel, no Núcleo Fortunato Rocha Lima. Neste caso, também há suspeita de que o jovem estivesse envolvido com drogas.

No ano passado, em outubro, Bauru ultrapassou o limite de mortes por homicídio considerado aceitável pela Organização das Nações Unidas (ONU) em um ano, que, em 2010, foi de 36 casos. Durante todo o ano, ocorreram 46 assassinatos.

A estimativa leva em conta o índice populacional de cada cidade. Em 2009 inteiro, o município totalizou 28 mortes. No início desta década, por quatro anos seguidos, Bauru teve mais de 40 homicídios por ano. O recorde foi em 2004, com 49 casos.

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Vício


Apesar de relatar o seu drama da luta para tentar livrar o filho do vício do crack, Ideuvas lamenta por Everton Silva não ter aceitado o tratamento. "No Caps (Centro de Atencão Psicossocial), ele fez duas semanas de tratamento usando os medicamentos e usando droga também", conta. "É uma droga que acaba com a vida de qualquer pessoa e da família. Na sexta-feira passada, quando eu não quis dar dinheiro, ele subiu no telhado e começou a jogar as telhas no chão", relata

Com lágrimas nos olhos, a mãe de Everton deixou um alerta para que outras mães não percam seus filhos para as drogas. "Se as autoridades não fizerem nada, muita criança e muito adolescente ainda vai morrer do mesmo jeito porque essa droga acaba com a vida da pessoa e da família. O Poder Público tem que fazer alguma coisa. Não é possível ficar só com medidas paliativas", desabafa.

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Família e amigos apontam droga como causa da morte


Ontem à tarde, no velório de Everton Francisco da Silva, amigos e familiares eram unânimes em afirmar que o motivo do assassinato precoce do jovem era o seu envolvimento com as drogas, iniciado quando ele tinha apenas 15 anos de idade. A mãe dele, Ideuvas da Silva, e seu pai, Argemiro Francisco da Silva, 51 anos, disseram que tentaram conseguir internação para o filho por diversas vezes, sem sucesso.

Com o cartão do Sistema Único de Saúde (SUS) em mãos, e chorando bastante, Ideuvas mostrou as anotações das consultas feitas pelo filho em uma unidade de saúde, iniciadas em agosto do ano passado. "A droga acabou com ele", conta. "Eu sofri muito para tentar internar ele, mas não consegui. Eu pedi a internação compulsória, mas ela foi indeferida duas vezes. Eu já fui em todo lugar que você pode imaginar e ninguém me ajudou. Eu sabia que ia chegar onde chegou".

A mãe conta que Everton abandonou os estudos e o trabalho desde que começou a usar crack. "Nos últimos tempos, ele começou a roubar para sustentar o vício. Mas ele roubava coisas da minha casa e da casa da minha mãe. De fora, ele não roubava não", declara. Para ela, a morte do filho está relacionada a dívidas contraídas com algum traficante. "Eu acredito que deve ser dívida de droga. Só pode ser dívida de droga, não tem outro motivo", afirma.

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