Cultura

Carnaval mostra suas cores e sons

Karla Beraldo
| Tempo de leitura: 2 min
A menos de um mês do Carnaval, Bauru começa a se contagiar pelo clima da folia que percorre os ensaios das escolas de samba. Na última quinta-feira à noite, a reportagem do JC Cultura circulou por alguns bairros para conferir os preparativos das agremiações, que, ao lado dos blocos carnavalescos, serão responsáveis por movimentar o Sambódromo de Bauru nos próximos dias 5 e 7. No Parque Vista Alegre, desde a semana passada, já é possível ver o samba enredo da Acadêmicos do Cartola ganhar vida pelas mãos dos ritmistas e na boca dos que acompanham os ensaios da escola. "A movimentação já é grande. Afinal, a comunidade é a razão de tudo. Se não fosse por ela, a Cartola não ensaiava", comenta o diretor de Carnaval Paulo Madureira. Animada e entregue ao samba, que neste ano faz uma homenagem à mulher, a moradora do bairro Gasparini diz frequentar o barracão da escola de quinta a sábado. "Adoro o Carnaval e tenho paixão pela escola mesmo não sendo do bairro", afirma Vera Lúcia de Oliveira. Enquanto uns dançam e cantam, nos bastidores é possível conferir o trabalho dos carnavalescos e costureiras, que a todo vapor vão dando forma às fantasias. Dona de um amor pelo Carnaval herdado dos pais, Maria Aparecida da Silva Duarte, 66 anos, chega à "casa" da Cartola por volta das 15h e garante sair só depois da meia-noite. "Todo canto aqui tem minha mãozinha", diz orgulhosa entre chapéus, plumas e adereços. A mesma dedicação fez a aposentada, no ano passado, desistir de uma viagem com a família após descobrir que o Carnaval voltaria ao Sambódromo. "Na última hora foi decidido: ?a Cartola vai sair?. Não tive dúvida, vendi a passagem e fiquei", conta a integrante da ala das baianas. Também orgulhoso estava Jair Luis Alves embora seu trabalho não fique à mostra na avenida. O folião é responsável por produzir toda a estrutura em ferro dos carros alegóricos. "Quando o carro fica pronto não aparece nada do que eu fiz, mas mesmo assim o trabalho é gratificante". No Parque Jaraguá, o corre-corre também era grande na residência de dona Cidinha, onde a maior parte das fantasias, adereços e instrumentos ficam armazenados. Na companhia do carnavalesco Owaldir Júnior, ela confeccionava as fantasias de uma das quatro alas que a Azulão do Morro levará para o Sambódromo. "Fica tudo espalhado pela casa. De vez em quando, eu me estresso com essa bagunça danada, mas não tem jeito. Chega o Carnaval e a gente não pensa e nem faz outra coisa", diverte-se. Na rua, a bateria começava a esquentar seus instrumentos, nas mãos, principalmente, das crianças e adolescentes do bairro. "Por causa do nosso projeto de percussão Sementes do Azulão, a maior parte da bateria é formada pela molecada", justifica Edson Carlos Brito. Entre eles, estava o estreante Criseverton Gomes, 11 anos. "Eu sempre tive essa vontade e agora eu consegui. Não vejo a hora de chegar o Carnaval".

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