Quando uma pessoa faz um implante dentário, quantas vezes é possível mastigar sem que a prótese sofra danificações? E reparar o osso por meio de células-tronco? Qual a melhor alternativa para os resíduos sólidos produzidos na cidade? Responder a estas e a uma infinidade de outras perguntas é o principal objetivo de quem dedica a vida ao trabalho com pesquisa científica. Em Bauru, embora muitas vezes não seja possível perceber, uma legião de estudiosos se debruça, diariamente, sobre livros, testes em laboratórios e análises de experiências em busca de conhecimento. Trabalho que, na maioria das vezes, levam-se anos para chegar a um resultado. Estes profissionais são movidos pela curiosidade e fazem parte de uma minoria no mercado e quase sempre podem ser encontrados em universidades e institutos de pesquisa. Na cidade, das 11 instituições de ensino superior existentes, a Universidade do Sagrado Coração (USC); o Centro Universitário de Bauru, mantido pela Instituição Toledo de Ensino (ITE); a Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB), mantida pela Universidade de São Paulo (USP); e as Faculdades de Arquitetura, Artes e Urbanismo (Faac), de Ciências (FC) e de Engenharia (FE), que integram o campus da Unesp de Bauru, desenvolvem pesquisa, muitas de ponta, o que confirma a vocação de Bauru como polo de ciência e tecnologia. Exemplo disso é que, somente no ano passado, a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) destinou às instituições de pesquisa da cidade R$ 7.969,493,54 para a realização dos 616 projetos aprovados. Além da Fapesp, a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) dão aporte financeiro aos estudos científicos realizados em Bauru. Apesar disso, ainda falta mais apoio financeiro. Isto porque para manter cursos de mestrado e doutorado que têm como base a pesquisa é necessário, além da contratação de profissionais qualificados, a disponibilização de laboratórios, equipamentos e insumos, que, na maioria dos casos, custam caro. As dificuldades não param por aí. De acordo com os diretores das unidades universitárias entrevistadas, quem transita pela área também enfrenta problemas com logística, legislação e interação junto ao setor produtivo para reverter a pesquisa em produto disponível. Em alguns casos, as universidades até conseguem doações de materiais para pesquisa mas, por questões de legislação, as amostras ficam barradas na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). "Até que os responsáveis entendam que é para pesquisa sem fins lucrativos, o material não é liberado. Isso gera o risco de perder as amostras por vencimento da validade", explica José Carlos Pereira, diretor da FOB.____________________ Secretaria municipal poderia ajudar
Criar uma Secretaria Municipal de Ciência e Tecnologia é uma das soluções defendidas por muitos pesquisadores de Bauru para solucionar os problemas de verbas, logística, legislação e aplicação enfrentados por quem produz ciência na cidade. A ideia, que já foi posta em prática por outros municípios do Estado, tem surtido efeitos positivos, por exemplo, na cidade de São Carlos, localizada a 162 km de Bauru. O município ficou conhecido como polo tecnológico do Interior de São Paulo justamente após a criação de uma pasta para tratar especificamente do assunto, em 1999. De acordo com Marcos Alberto Martinelli, secretário municipal do Desenvolvimento Sustentável, Ciência e Tecnologia de São Carlos, uma das atribuições fundamentais do cargo é manter contato permanente com as universidades da cidade a fim de verificar os projetos em andamento e aplicá-los em benefício da cidade."Muitas vezes a pesquisa existe e os conhecimentos estão prontos para serem explorados, porém os acadêmicos não sabem por que porta da prefeitura entrar para apresentar a ideia, já que nem sempre o gabinete do prefeito é o local ideal. Em encontro a isso, muitas vezes a prefeitura precisa de uma solução inteligente e barata, mas não tem acesso a ela porque desconhece a produção científica da própria cidade", avalia. Alberto Consolaro, professor da Universidade de São Paulo (USP) e colunista de ciência do Jornal da Cidade, acrescenta que, além disso, a criação de uma secretaria seria fundamental para organizar a produção científica em Bauru e estabelecer uma ponte entre as universidades e os interessados nos produtos desenvolvidos. "Sabendo da produção científica que existe na cidade, o município tem a possibilidade de atrair industrias interessadas no segmento, novos pesquisadores e prosperar", avalia Alberto. Mas, no momento, o prefeito Rodrigo Agostinho descarta a criação de uma pasta para tratar especificamente do tema. Segundo ele, não há necessidade, já que outras secretarias, como a do Desenvolvimento Econômico e a da Educação, podem trabalhar integradas no assunto."Temos diversos projetos na área de ciência e tecnologia, como a criação do Parque Tecnológico, da Estação Ciência e de uma incubadora de empresas. Já discutimos de forma embrionária a criação de uma Secretaria de Ciência e Tecnologia, mas cheguei à conclusão de que não é primordial", avalia.
Criar uma Secretaria Municipal de Ciência e Tecnologia é uma das soluções defendidas por muitos pesquisadores de Bauru para solucionar os problemas de verbas, logística, legislação e aplicação enfrentados por quem produz ciência na cidade. A ideia, que já foi posta em prática por outros municípios do Estado, tem surtido efeitos positivos, por exemplo, na cidade de São Carlos, localizada a 162 km de Bauru. O município ficou conhecido como polo tecnológico do Interior de São Paulo justamente após a criação de uma pasta para tratar especificamente do assunto, em 1999. De acordo com Marcos Alberto Martinelli, secretário municipal do Desenvolvimento Sustentável, Ciência e Tecnologia de São Carlos, uma das atribuições fundamentais do cargo é manter contato permanente com as universidades da cidade a fim de verificar os projetos em andamento e aplicá-los em benefício da cidade."Muitas vezes a pesquisa existe e os conhecimentos estão prontos para serem explorados, porém os acadêmicos não sabem por que porta da prefeitura entrar para apresentar a ideia, já que nem sempre o gabinete do prefeito é o local ideal. Em encontro a isso, muitas vezes a prefeitura precisa de uma solução inteligente e barata, mas não tem acesso a ela porque desconhece a produção científica da própria cidade", avalia. Alberto Consolaro, professor da Universidade de São Paulo (USP) e colunista de ciência do Jornal da Cidade, acrescenta que, além disso, a criação de uma secretaria seria fundamental para organizar a produção científica em Bauru e estabelecer uma ponte entre as universidades e os interessados nos produtos desenvolvidos. "Sabendo da produção científica que existe na cidade, o município tem a possibilidade de atrair industrias interessadas no segmento, novos pesquisadores e prosperar", avalia Alberto. Mas, no momento, o prefeito Rodrigo Agostinho descarta a criação de uma pasta para tratar especificamente do tema. Segundo ele, não há necessidade, já que outras secretarias, como a do Desenvolvimento Econômico e a da Educação, podem trabalhar integradas no assunto."Temos diversos projetos na área de ciência e tecnologia, como a criação do Parque Tecnológico, da Estação Ciência e de uma incubadora de empresas. Já discutimos de forma embrionária a criação de uma Secretaria de Ciência e Tecnologia, mas cheguei à conclusão de que não é primordial", avalia.