Iêmen - As revoltas que varreram do poder os ditadores da Tunísia e do Egito incendiaram populações de países árabes e acuaram regimes autocráticos aterrorizados com a perspectiva de um efeito dominó. A reação à pressão mescla promessas de concessões e repressão. A estratégia tem tido pouco efeito diante de um movimento cuja importância histórica é comparada por analistas à queda do Muro de Berlim, em 1989. No Iêmen, a polícia espancou e prendeu ontem manifestantes que marchavam até o palácio de Ali Abdullah Saleh, no poder há 32 anos. Cerca de mil pessoas participaram do protesto, em meio a gritos de "o povo quer uma revolução iemenita após a revolução egípcia" e "você será o terceiro, ó Ali", em referência à queda dos ditadores da Tunísia do Egito. Após os primeiros protestos, há três semanas, Saleh prometeu não concorrer à reeleição em 2013 e anunciou aumento de subsídios de produtos no país, o mais pobre do mundo árabe. Diante da persistência dos manifestantes, ele ordenou o uso da violência de policiais e milicianos à paisana contra a oposição, rachada entre lideranças partidárias dispostas a negociar e base militante que exige a saída do presidente. Na Argélia, a CNDC (Coordenação Nacional pela Mudança e Democracia) convocou para o próximo sábado uma megamanifestação em todo o país contra o presidente Abdelaziz Bouteflika, um militar no poder desde 1999. A CNDC já havia convocado um grande protesto ontem, mas um dispositivo que incluiu cerca de 30 mil policiais recorreu à violência para impedir a manifestação. A revolta parece se alastrar por quase todos os 22 países que compõem a Liga Árabe, embora em menor proporção, como na Jordânia, onde manifestantes vêm lançando críticas sem pedir o fim da monarquia. No Barein, a oposiçãoorganizará hoje a primeira grande manifestação antigoverno desde a saída dos ditadores tunisiano e egípcio.
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