Cairo - Os novos governantes militares do Egito pediram ontem que os trabalhadores voltem a seus empregos e ajudem a reativar a economia, afetada pela revolta que pôs fim ao governo de 30 anos de Hosni Mubarak, mas também deflagrou uma onda crescente de greves. Em meio ao ambiente de incerteza predominante, desde a queda do ditador Hosni Mubarak, a junta militar que assumiu o governo deu mais um passo para convencer a oposição de que irá cumprir a promessa de uma transição democrática. Reunidos com jovens oposicionistas que deflagraram os protestos contra o regime, os militares comunicaram que as emendas à Constituição serão finalizadas em dez dias. Após dois meses, elas irão a referendo popular. Além de prometer concessões, a junta militar também fez um alerta contra a onda de protestos e greves dos últimos dias, que moveram o foco da insatisfação popular para os baixos salários e más condições de trabalho. Soldados tentaram ontem impedir manifestações na praça Tahrir, foco dos 18 dias da mobilização popular que pôs fim à era Mubarak. Embora a maioria dos milhares de manifestantes tenha se retirado e os carros já circulem onde antes havia barracas, a praça continua em estado de turbulência e se tornou destino de grevistas de várias categorias. Paralisações e protestos se estenderam a setores como transportes, bancos, turismo, óleo, gás e mídia, impedindo que a economia recupere o fôlego perdido desde que as manifestações começaram, em 25 de janeiro. No quinto comunicado desde o início da crise, o Conselho Supremo das Forças Armadas disse que as greves "comprometem a segurança do país" e pediu "unidade" à população. "Esperamos que todos criem a atmosfera certa até nós transferirmos a liderança a uma autoridade civil eleita", diz o comunicado. A promessa de uma transição democrática feita repetidas vezes pelos militares parece convencer a maioria dos opositores, mesmo após medidas anunciadas no domingo que colocaram o país sob tutela direta dos militares. Os generais que formam a junta suspenderam a Constituição, dissolveram o Parlamento e estabeleceram seu período de permanência no governo em seis meses, ou até as eleições. Em seguida, porém, trataram de assegurar a jovens líderes opositores que não têm intenção em se perpetuar no poder.
Voto de confiança
Um dos 13 jovens que participaram do encontro com dois dos generais foi Wael Ghonim, o executivo da Google que se tornou o herói mais visível da revolução depois de fomentar os protestos em páginas da internet e ficar preso por 12 dias. Em sua página no Facebook, Ghonim escreveu que a comissão constituída para reformar a Constituição "é conhecida pela integridade, honra, e por não pertencer a nenhuma tendência política", num expressivo voto de confiança à neutralidade da junta militar.
Voto de confiança
Um dos 13 jovens que participaram do encontro com dois dos generais foi Wael Ghonim, o executivo da Google que se tornou o herói mais visível da revolução depois de fomentar os protestos em páginas da internet e ficar preso por 12 dias. Em sua página no Facebook, Ghonim escreveu que a comissão constituída para reformar a Constituição "é conhecida pela integridade, honra, e por não pertencer a nenhuma tendência política", num expressivo voto de confiança à neutralidade da junta militar.