Nacional

Chefe da Civil cai após ação da PF

Folhapress
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Rio - O delegado Allan Turnowski deixou ontem a chefia da Polícia Civil do Rio após quatro dias de conflito interno na instituição. Sua substituta, anunciada no início da noite, é a delegada Marta Rocha, diretora da Divisão de Polícias de Atendimento à Mulher. Ela será a primeira mulher chefe da Polícia Civil. A crise foi detonada pela operação Guilhotina, feita na sexta-feira passada pela Polícia Federal, Ministério Público e pela cúpula da Secretaria de Segurança do Rio. Trinta policiais civis e militares foram presos. Entre eles, o delegado Carlos Oliveira, ex-braço direito de Turnowski. O ex-chefe da Polícia Civil sai após levantar suspeitas de corrupção contra o também delegado Cláudio Ferraz, que colaborou nas investigações da operação. Fora do cargo, Turnowski será convocado novamente para se apresentar à Polícia Federal. Na sexta, ele foi ouvido como testemunha. A reportagem apurou que, nas investigações, agentes federais receberam denúncias de que ele recebeu propina. Questionado, ele negou. Por enquanto, o delegado não é oficialmente investigado. A PF chegou a planejar buscas e apreensão na casa de Turnowski. A avaliação de membros da secretaria é de que Turnowski agiu de forma açodada após as prisões e os questionamentos que sofreu na PF. Suas declarações foram consideradas afrontas ao secretário de Segurança, José Mariano Beltrame. Após ter seu círculo de confiança devassado, Turnowski revidou. Lacrou a Delegacia Repressão às Ações Criminosas Organizadas e de Inquéritos Especiais (Draco/IE), chefiada por Ferraz, em busca de provas de corrupção. Encontrou indícios que serão apurados pela Corregedoria da polícia. Em entrevistas, o ex-chefe de Polícia Civil disse que, se o delegado Cláudio Ferraz fosse subordinado a ele, seria exonerado. A ação caberia a Beltrame - na véspera da operação, por determinação do secretario, a Draco passou a ser subordinada diretamente a ele e não mais a Turnowski. Na nota em que divulgou a saída do delegado, a Secretaria de Segurança afirma que a decisão foi tomada “para preservar o bom funcionamento das instituições”. Em nota, Turnowski afirmou que sai deixando em “outro patamar” a Polícia Civil. O governador Sérgio Cabral Filho (PMDB) disse que Turnowski deu “enormes contribuições para a nossa política de segurança” e afirmou que Beltrame tem autonomia para traçar a política de segurança do Estado.“No Rio de Janeiro, graças a Deus, acabou a fase em que o Palácio Guanabara participava ou permitia que outros agentes se intrometessem na política de segurança.”

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