Internacional

Egito: militares pedem que protestos parem

Folhapress
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Cairo - Os militares egípcios voltaram a pedir ontem que dezenas de milhares de pessoas abandonem as greves e protestos e acatem o apelo para voltar ao trabalho. Diante das liberdades recém-adquiridas com a queda da ditadura, muitas categorias - de bancários a guias de turismo, passando por policiais e metalúrgicos - decidiram levar reivindicações trabalhistas às ruas. No entanto, os militares, que agora governam o país, temem que isso prejudique ainda mais a economia, praticamente paralisada durante os 18 dias de rebelião que levaram à renúncia do ditador Hosni Mubarak.“Mubarak foi embora, mas os problemas ainda são os mesmos, ou maiores”, disse o economista John Sfakianakis, do Banque Saudi Fransi. “A esta altura, eu estaria mais otimista do que na semana passada, já que não há centenas de milhares nas ruas.” A rebelião no Egito - parcialmente inspirada numa revolta semelhante ocorrida semanas antes na Tunísia - repercute em todo o Oriente Médio. Enquanto o Egito discute as reformas democráticas a serem adotadas nos próximos meses, surgiram rumores sobre o estado de saúde de Mubarak, 82, que está refugiado na sua residência de veraneio, no balneário de Sharm el Sheikh, depois de fugir do palácio presidencial do Cairo. No seu último pronunciamento, Mubarak disse que desejava morrer no Egito. Leia abaixo Na sexta-feira, os líderes do movimento pró-democracia pretendem realizar uma “Marcha da Vitória”, para celebrar a queda de Mubarak e mostrar aos militares que continuam mobilizados.
365 mortos
O Ministério da Saúde do Egito informou ontem que 365 pessoas foram mortas durante os 18 dias de protestos, iniciados em 25 de janeiro, que terminaram na última sexta-feira com a renúncia do ditador do país, Hosni Mubarak, que estava há 30 anos no poder. Trata-se da primeira estatística dada pelo governo sobre as revoltas populares, apesar de o ministro da Saúde, Ahmed Sameh Farid, afirmar que é apenas uma contagem preliminar sobre a morte de civis - não estão incluídos policiais ou prisioneiros.
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Mubarak recusa oferta de asilo
Cairo - Em meio à multiplicação de vozes que pedem seu julgamento por corrupção e outros crimes cometidos em 30 anos no poder, o ex-ditador egípcio Hosni Mubarak se recusa a deixar o país. Recolhido no balneário de Sharm el-Sheikh desde que renunciou ao poder, na última sexta-feira, Mubarak rejeitou uma oferta de asilo da Arábia Saudita. Rumores de que a saúde do ex-ditador de 82 anos teria se deteriorado após a renúncia foram confirmados pelo representante saudita que transmitiu a oferta de asilo a Mubarak. “Ele não está morto, mas não está nada bem, e se recusa a partir. Basicamente, ele desistiu e quer morrer em Sharm”, disse a fonte. O maior nome da oposição a Mubarak nos últimos anos, Aymar Nour, defendeu que o ex-ditador seja levado a julgamento caso se confirmem as suspeitas de corrupção e desvios bilionários de fundos públicos em seu governo.“Queremos que ele seja julgado no Egito, e por uma corte civil”, diz Nour, que desafiou Mubarak ao candidatar-se a presidente em 2005. As estimativas sobre a fortuna de Mubarak variam entre US$ 40 bilhões e US$ 70 bilhões (entre R$ 67 bilhões e R$ 117 bilhões). Mas é a quantia mais alta, equivalente a um terço do PIB do país, que está na ponta da língua dos egípcios.“Roubar US$ 70 bilhões de um povo tão pobre não pode ficar sem punição”, diz o estudante Islam, 29.

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