Tribuna do Leitor

Sobre a Getúlio, sobre Bauru


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Gostaria de agradecer aos leitores Karina Tafner Moysés e Renato Caio Silva Dutra pelas respostas à minha carta e aos amigos que de-bateram o assunto comigo em conversas informais e redes sociais. Agradeço em especial à Karina pela extrema lucidez nas ponderações. Já estive em todas as situações que ela me sugeriu e também me incomodei com elas. Respeito o direito à tranqüilidade de toda a po-pulação, de qualquer região ou classe social. Mas, supondo que as autoridades atendessem ao pedido do leitor Cleuder e os jovens tivessem mais opções de lazer na periferia, o sentimento de exclusão social deles não diminuiria. A his-tória já nos mostrou muito bem os efeitos da chamada política de pão e circo. Teríamos a falsa sensação de que está tudo bem, simplesmente porque não veríamos a realidade escancarada nos redutos da classe média-alta. Como colocou a jovem leitora Mayhara Cristina Pereira, neste mesmo espaço, a violência não é uma ação, é uma reação. Reação por injustiças, como essa que estamos tratando aqui: os jovens da periferia são reconhecidos como baderneiros distribuidores de decibéis quando nem mesmo podem comprar um carro popular. Enquanto isso, os reais infratores desfilam impunemente pela avenida com seus importados de som turbinado. Eles vão continuar cometendo seus "pequenos delitos" enquanto a cegueira de seus pais enxergar a segregação como solução. Nessa onda, a bomba vai carregando para logo explodir no nosso quintal e aí, sim, fazer um grande barulho.


Silvia Ferreira

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