Washington - A atual onda de violência entre manifestantes antigoverno e forças de segurança no Bahrein soma-se a uma longa lista de tensões e conflitos que marcaram a história do golfo Pérsico.
A região desértica, que detém as maiores reservas mundiais de petróleo e abriga os principais santuários do islã, é entrecortada por várias fronteiras artificialmente moldadas ao longo de um passado sangrento.
Entre a expansão islâmica lançada no século 7 e o início do século 20, a região foi disputada por persas, árabes, mongóis, portugueses e otomanos, até ser dominada pelo império britânico.
Acordos firmados entre o clã da família Saud e os britânicos logo após a descoberta das colossais reservas de petróleo da região consolidaram a criação da Arábia Saudita como mais poderoso Estado do golfo Pérsico.
As fronteiras atuais são resultantes em grande parte de recortes feitos sob influência dos britânicos, que puseram fim nos anos 70 às suas colônias e protetorados.
Nas últimas décadas a região voltou a ser palco de conflitos. O mais mortífero, a guerra Irã-Iraque (1980-88), deixou um milhão de mortos.
Em 1990, tropas iraquianas invadiram e ocuparam o Kuait, que o então ditador Saddam Hussein considerava uma extensão natural do território do Iraque.
O Kuait foi libertado no ano seguinte durante a Primeira Guerra do Golfo, na qual uma coalizão liderada pelos EUA e apoiada por vários países árabes deixou o regime iraquiano de joelhos.
Mas Saddam Hussein só caiu em 2003, após a Segunda Guerra do Golfo, deflagrada pelos EUA sob o pretexto, que se revelou falso, de que Bagdá mantinha em sigilo armas de destruição em massa.
A perspectiva de uma nova guerra, desta vez contra um Irã supostamente movido por ambições nucleares bélicas, assombra a região.
Teerã ameaça retaliar qualquer agressão com o fechamento do estreito de Ormuz, por onde circula cerca de 30% da produção mundial de petróleo. Também há tensão por conta de uma disputa de fronteira marítima entre Irã e a ilha do Bahrein.
As rivalidades históricas se refletem até no nome da região. Alguns árabes rejeitam a apelação amplamente reconhecida e chamam a região de golfo Árabe.