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Entre raios e trovões

Ana Paula Pessoto
| Tempo de leitura: 6 min

Além dos dias serem mais divertidos por causa das férias e do calor sem igual, os primeiros meses do ano também são marcados pelas tempestades de verão, chuvas rápidas e fortes, que muitas vezes vêm acompanhadas de ventanias, trovoadas e dos temidos e perigosos raios.

Em Bauru, por exemplo, a média do último janeiro foi de 46 raios por dia. No total, foram 1.438 registros nos 31 dias do mês, segundo dados do Grupo de Eletricidade Atmosférica do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Elat/Inpe).

E basta uma tempestade se formar para que eles, acompanhados de trovões e clarões, comecem seu balé em forma de riscos irregulares e reluzentes enfeitando os céus e despertando a curiosidade por sua beleza e o medo por seus perigos. Mas você sabe exatamente o que é um raio?

Rita Cerqueira Lopes é meteorologista do Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) da Universidade Estadual Paulista (Unesp). Ela explica que um raio nada mais é do que eletricidade. Isto mesmo. Um raio é uma descarga elétrica que surge do contato de uma nuvem com outra e do contato entre solo e nuvem. Já um relâmpago é um clarão (luz) produzido pelo raio. E o trovão é o som provocado pelas descargas elétricas.

Tais descargas elétricas ocorrem com mais frequência nos meses de verão porque as chuvas nessa época do ano são mais fortes, rápidas e intensas. "Além disso, as nuvens tendem a ser mais pesadas devido à umidade e ao forte calor, condições favoráveis para que os raios ocorram", acrescenta Rita.

Segundo a meteorologista, as fortes pancadas de água acompanhadas de raios e trovões são as características mais marcantes e que mais diferem as tempestades de verão das chuvas de inverno, que costumam ser mais fracas e demoradas.

E quando o assunto é chuva, Larissa Carneiro Limeira, 8 anos, confessa que não resiste e, sempre que pode, corre para a calçada, onde se diverte com as gotas de água da chuva.

Mas, apesar de gostar da diversão, a menina sabe dos perigos das tempestades. "Sei que é perigoso por causa dos raios, mas só tomo banho de chuva quando ela está bem fraquinha e sem trovões. É muito refrescante", diz.

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Encantadores
e perigosos


O brilho e o espetáculo no céu proporcionados pelos raios encantam os seres humanos há milhares de anos. Porém, as descargas elétricas representam perigo e podem até matar. Normalmente há registros de acidentes fatais com pessoas e animais, queda de árvores, queima de eletrodomésticos e até incêndios provocados pelas faíscas produzidas pelos raios. E para evitar tragédias e transtornos, o bom mesmo é prevenir.

E quem dá as dicas é o coordenador da Defesa Civil de Bauru, Álvaro de Brito. Ele conta que um raio é capaz de percorrer até 30 quilômetros de distância. Uma chuva que cai na cidade de Agudos, por exemplo, pode fazer com que um raio atinja Bauru. "Isso acontece porque não é preciso que esteja chovendo para que um raio seja produzido. Isso pode acontecer também em dias bastante nublados", explica.

Por isso, na hora da chuva, os cuidados são simples mas eficientes. Se estiver em uma piscina, no quintal ou na rua, o ideal é entrar em casa e procurar outra brincadeira, já que em casos de "tempo carregado", com raios e trovoadas, não é aconselhável ver TV ou mexer no computador, ao contrário, os aparelhos elétricos devem ser desconectados das tomadas.

Contação de histórias e jogos de tabuleiros são opções divertidas para esses dias e, se forem acompanhados com coisas gostosas para comer, como os tradicionais bolinhos de chuva, a brincadeira fica ainda melhor. (APP)O brilho e o espetáculo no céu proporcionados pelos raios encantam os seres humanos há milhares de anos. Porém, as descargas elétricas representam perigo e podem até matar. Normalmente há registros de acidentes fatais com pessoas e animais, queda de árvores, queima de eletrodomésticos e até incêndios provocados pelas faíscas produzidas pelos raios. E para evitar tragédias e transtornos, o bom mesmo é prevenir.

E quem dá as dicas é o coordenador da Defesa Civil de Bauru, Álvaro de Brito. Ele conta que um raio é capaz de percorrer até 30 quilômetros de distância. Uma chuva que cai na cidade de Agudos, por exemplo, pode fazer com que um raio atinja Bauru. "Isso acontece porque não é preciso que esteja chovendo para que um raio seja produzido. Isso pode acontecer também em dias bastante nublados", explica.

Por isso, na hora da chuva, os cuidados são simples mas eficientes. Se estiver em uma piscina, no quintal ou na rua, o ideal é entrar em casa e procurar outra brincadeira, já que em casos de "tempo carregado", com raios e trovoadas, não é aconselhável ver TV ou mexer no computador, ao contrário, os aparelhos elétricos devem ser desconectados das tomadas.

Contação de histórias e jogos de tabuleiros são opções divertidas para esses dias e, se forem acompanhados com coisas gostosas para comer, como os tradicionais bolinhos de chuva, a brincadeira fica ainda melhor.

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O medo que vem do céu


Olhar para o céu e se preocupar com o acúmulo de nuvens é rotina de quem tem medo de chuva, principalmente entre crianças até os 7 anos de idade, por conta do barulho dos trovões.

"Quando criança, o medo da chuva ocorre mais por conta da imaginação e das histórias ouvidas pelas crianças, como pensar que os trovões ocorrem quando Deus está bravo, por exemplo", explica a psicóloga Viviane Nicoliello.

Quando maior, o medo pode estar associado às catástrofes expostas nos veículos de comunicação e no comportamento dos adultos ao redor. No caso do menino João Vítor Cardoso Serrano, 10 anos, o medo de chuva forte vem da experiência que ele viveu na vizinhança.

"Vi um raio cair perto da minha casa. Antes tomava banho de chuva, mas agora prefiro ficar em casa. Sei como um raio se forma e sobre seus perigos. Também sei que a chuva é uma coisa boa, mas tenho medo dos raios quando chove forte", afirma.

E para quem tem medo de chuva mesmo sem saber o porquê, a psicóloga ensina que o melhor é conhecer tudo sobre esse fenômeno da natureza, já que os medos, muitas vezes, vêm do que é desconhecido. Vale ainda perguntar para um adulto, como pais ou professores sobre o assunto.

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Na praia


Por ser um lugar de grande umidade, as praias costumam ser campeãs de incidência de raios. Lá, um quiosque ou uma barraca são os melhores refúgios. E se for para o carro, as portas e janelas devem permanecer fechadas. "Os raios tendem a atingir o que de mais alto encontrar, como árvores, torres e pessoas em lugares abertos. Por isso, em caso de tempestades com raios e lugares sem proteção, o melhor a fazer é abaixar e colocar as mãos nos joelhos. Tal posição pode evitar acidentes mais graves no caso de ser atingido por um raio", afirma Álvaro de Brito, coordenador da Defesa Civil de Bauru.

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