Sanaa - O presidente do Iêmen, Ali Abdullah Saleh, disse que os manifestantes que exigem sua renúncia não poderão obter seu objetivo por meio da "anarquia e do assassinato". "Se querem o poder devem alcançá-lo pelas urnas", disse Saleh, há 32 anos no cargo, numa entrevista coletiva em Sanaa, a capital.
Pelo menos 12 pessoas morreram em protestos desde quinta-feira no país, um dos mais pobres do mundo árabe. Ontem, as forças de segurança mataram a tiros um adolescente na cidade portuária de Áden (sul). Outros quatro jovens que apedrejavam uma patrulha ficaram feridos.
Os protestos no Iêmen são parcialmente inspirados nas recentes rebeliões que derrubaram ditaduras no Egito e na Tunísia.
Bahrein
Um grupo de manifestantes pediu ontem a destituição da monarquia governante do Bahrein, uma das demandas para que a revolta popular no pequeno país do golfo Pérsico seja encerrada. Os protestos ocorrem no mesmo dia em que o opositor xiita exilado Hassan Mashaima, atualmente julgado à revelia por terrorismo, anunciou que voltará hoje ao país.
Marrocos
O governo do Marrocos afirmou ontem que pelo menos cinco pessoas morreram durante os protestos por reformas realizados na véspera, contrariando os relatos de que os atos promovidos são essencialmente pacíficos.
Segundo o Ministério do Interior, cinco corpos carbonizados foram encontrados em um banco incendiado na véspera em Alhucemas (no norte), um tradicional reduto de opositores ao regime.
Outras 128 pessoas, na maioria membros das forças de segurança, ficaram feridas nos protestos que reuniram ao menos 37 mil pessoas em várias cidades marroquinas. Segundo o governo, 120 opositores foram detidos. Ontem foram registrados novos atos opositores em algumas cidades após o anúncio das mortes, embora menores que os da véspera. Também ontem o rei Mohammed 6.º fez um pronunciamento ao país se dizendo "comprometido com a realização de reformas estruturais", em aparente reação à eclosão de manifestações.