Cultura

Sua majestade, a rainha

Karla Beraldo
| Tempo de leitura: 4 min

Entre o título conquistado no último sábado e ontem, Francina Manson, Rainha do Carnaval 2011, fez mesmo foi descansar. Professora de dança em três colégios de Bauru, em uma creche e uma academia, a bauruense enfrentou uma maratona de ensaios ao lado do bloco Beija Flor - Periferia Legal/ Diversidade em busca da conquistada coroação.

Foi a paixão de Francina pela dança que a levou até o Carnaval. Integrante do grupo I am Beyonce Cover, que costuma se apresentar na Labirinthus Lounge Mix, a bauruense foi indicada pela casa, por meio do Bloco da Diversidade, para representar o grupo carnavalesco nesta disputa. Aposta certeira. Entre as oito candidatas que se candidataram à coroa, a dançarina levou a melhor, encantando os jurados com seu samba, simpatia e as muitas curvas.

Ao contrário do que era de se esperar, Francina se diz tímida, embora muito vaidosa. "Mas, quando eu danço, a coisa flui, viro outra", afirma. Ciente da responsabilidade de representar o Carnaval bauruense, ela se sente orgulhosa em participar da história da retomada da folia na cidade. Essas e outras curiosidades reais podem ser conferidas abaixo, em entrevista de Francina ao JC Cultura.


JC: Qual é sua relação com o Carnaval?

Francina: Eu sempre gostei muito. Sou daquelas que acompanha todos os desfiles pela televisão. E, desde pequena, achei o Carnaval algo mágico. Quando tinha no Sambódromo, eu ia assistir, enquanto a minha irmã desfilava. Quando eu estava maior e comecei a me interessar por desfilar também, o Carnaval aqui acabou. Ano passado cheguei a sair em uma escola em Salto (SP) e sempre frequentei muito os clubes.

JC: E agora, o que vai mudar nessa relação?

Francina: Com certeza será mais intensa. A vontade é a de continuar participando sempre, seja como rainha ou de qualquer forma. Eu, que sou da dança, adoraria, por exemplo, integrar a comissão de frente.

JC: O que significa para você ser Rainha do Carnaval de Bauru?

Francina: Uma grande responsabilidade. O Carnaval está voltando com força e eu vou fazer parte disso. O desafio é fazê-lo cada vez melhor, levando sempre muita alegria, que é o que faz parte dessa festa.

JC: Seus pais estavam todos orgulhosos no dia da eleição da Rainha. Como é sua relação com eles.

Francina: Eu passo pouco tempo em casa por conta do trabalho, então eles sentem muito a minha ausência. Mas me apoiam porque sabem que é para o meu bem, sabem que a dança é o meu sonho e eu estou correndo atrás.

JC: Quando a dança surgiu na sua vida?

Francina: Eu comecei a fazer balé com sete anos, mas antes disso eu já dançava. Desde pequena, eu sou apaixonada por dança. Eu e minha irmã ficávamos em casa inventando músicas. Com 11 anos, eu fui federada em ginástica rítmica e, logo depois, comecei a fazer street dance.

JC: Você é formada em educação física, não é isso?

Francina: É. Me formei aos 20 anos pela Unesp, aqui em Bauru. Um dos motivos de eu ter escolhido o curso foi porque eu ficava inconformada pelo fato da dança, assim como a luta e outras atividades, não serem incluídas nas aulas de educação física. Nunca tive aula de dança na escola, por exemplo. O curso foi uma forma de tentar mudar isso e unir as duas coisas.

JC: E quando você começou a dar aulas de dança?

Francina: Comecei aos 16 anos e hoje passo uma média de 10 horas nas salas de aula. Ensino nos colégios São José, Guedes de Azevedo e Geração, na Creche Rainha da Paz e na Academia Sigma. A maioria são crianças, adoro lidar com elas.

JC: O que te agrada nelas?

Francina: Elas são verdadeiras e fazem a gente esquecer os problemas. Às vezes, o dia está estressante, mas aí elas vêm, fazem brincadeiras.

JC: Você é vaidosa?

Francina: Bastante. Eu gosto de me maquiar todo dia, me ver sem um brinco é muito raro. Já regime é difícil, por conta da correria, não consigo comer nos horários certos. O que eu tento, às vezes, é cortar o açúcar.

JC: Então te agrada a ideia de ser o centro das atenções, no Carnaval?

Francina: Na verdade, eu sou um pouco tímida. Mas, quando eu danço, a coisa flui, viro outra.

JC: O que espera levar da experiência?

Francina: Acho que vem para somar na minha carreira na dança. A questão da disputa me fez depositar confiança em mim, conseguir trabalhar a questão da tranquilidade; já na avenida, vai ser gostosa essa troca com o público, eu gosto dessa alegria, dessa energia.

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