Pais e mães de crianças matriculadas na Emeii Mônica Cristina Carvalho, no Parque Santa Edwirges, estão preocupados e inconformados. No final do ano passado, após um temporal acompanhado de vendaval, o muro traseiro da escola caiu e parte da parede do berçário foi comprometida. Por conta disso, desde o início deste ano 105 crianças, entre 1 e 6 anos, estão sendo atendidas em apenas duas salas do prédio da escola desativada Arlindo Boemer Guedes de Azevedo.
Segundo mães e funcionárias, o prédio provisório não tem as mínimas condições de acolher as crianças no período integral, especialmente as menores, que costumam dormir durante parte do tempo em que estão no local. Além da falta de espaço e da união de turmas com crianças de idades diferentes no mesmo ambiente, o prédio apresenta problemas estruturais, como goteiras.
Pela iniciativa do grupo Mulheres em Ação, mães e pais de alunos organizaram, em reunião escolar realizada na tarde de ontem, abaixo-assinado contra a situação à qual as crianças estão submetidas e devem entregá-lo ao prefeito Rodrigo Agostinho em encontro no próximo sábado.
Com uma filha de 4 anos matriculada na escola, Lindinalva Laurentino da Silva Freitas relata a precariedade do atendimento no prédio provisório. "Minha filha reclama demais. Outro dia, choveu em cima dela enquanto ela dormia, por causa das goteiras. A escola vai arrumando o que pode aos poucos, mas a gente quer que o problema seja resolvido", afirma.
A faixineira Sirlene Moreira Carneiro conta que já foi obrigada a sair mais cedo do trabalho para buscar na escola o filho de 2 anos por conta das goteiras em dias de chuva. "As crianças estão em condições precárias. Ficam todas amontoadas", reclama.
A falta de refeitório e a péssima condição dos brinquedos também são motivos de reclamação dos pais. Esses fatores, associados à falta de espaço, estariam aumentando o nível de estresse das crianças, que estão brigando mais durante o período de atividades na escola. Um quiosque que seria utilizado como área de lazer, por exemplo, está interditado pelo risco de queda das telhas.
Andréia Sandra de Almeida Lopes tem um filho de 3 anos que estuda na Emeii e afirma que, por conta da falta de espaço, a sala da diretora está sendo usada para que as crianças possam dormir nos colchões. "Meu filho e outras crianças perderam a vontade de ir às aulas por causa dessa situação. Elas sentem muito a diferença, especialmente porque o espaço e o atendimento eram excelentes na sede da escola. O problema é que faz mais de dois meses que o muro caiu e tudo continua do mesmo jeito", reclama.
Uma funcionária da escola confirma as condições inadequadas para as atividades e diz que o muro já apresentava rachaduras há tempos, tendo, inclusive, a Secretaria de Educação sido informada por meio de ofício.
Sem previsão
Apesar das más condições no atendimento às crianças no prédio provisório, não há previsão para o retorno das atividades na sede da Emeii Mônica Cristina Carvalho. Segundo a Secretaria Municipal de Educação, foi feito um pedido para que a obra fosse realizada em caráter emergencial, dispensando o processo de licitação. No entanto, o pedido foi negado pelo valor das obras necessárias no prédio da escola, inaugurado há apenas oito anos.
De acordo com a diretora do Departamento de Educação Infantil, Lane Mary Gamba, as mães precisam ter paciência, pois apesar de não existir prazo máximo para a permanência das crianças no prédio da escola desativada, essa situação é provisória. "A Secretaria de Educação promoveu reformas para poder receber as crianças e estamos fazendo todos os reparos necessários conforme a demanda, inclusive combatendo o problema das telhas e das goteiras", afirma.
Segundo a Secretaria de Educação, não foi encontrado outro prédio no bairro Santa Edwirges que pudesse ser alugado para receber os alunos da Emeii.
A diretora da escola, Rute Crispim Câmara, assumiu o comando da unidade escolar neste ano e reconhece que o prédio provisório não atende às necessidades para uma escola com permanência de tempo integral das crianças. "Apesar disso, todos os problemas encontrados estão sendo resolvidos. O fundamental é garantir a segurança dos nossos alunos", destaca.
Alunos de 10 escolas foram remanejados
Alunos de até 6 anos de idade, matriculados em dez escolas infantis da rede municipal de ensino, estão, temporariamente, sendo atendidos em prédios de antigas escolas desativadas ou de imóveis alugados pela prefeitura por conta de reformas e obras nos prédios das sedes dessas unidades escolares. O problema é que, em algumas delas, as obras estão paradas porque as empreiteiras responsáveis abandonaram os trabalhos, e em outros casos, pais reclamam da falta de condições adequadas dos prédios provisórios para receber as crianças.
De acordo com o Departamento de Educação Infantil, duas Escolas Municipais de Educação Infantil Integral (Emeiis) e cinco Escolas Municipais de Educação Infantil (Emeis) estão em reforma e devem ser entregues ainda no primeiro semestre de 2011. São elas as Emeiis Luzia Therezinha De Oliveira Braga (Parque Real) e Iara Conceição (Mary Dota), e as Emeis José Gori (Parque Jaraguá), Márcia de Almeida Bighetti (Mary Dota), Gilda dos Santos Improta (José Regino), Maria Alice Seabra Prudente (Vila Industrial) e Isaac Portal Roldan (Núcleo Octávio Rasi).
"São escolas muito antigas, que precisavam de reformas. Para executá-las, era preciso transferir os alunos para locais providenciados pela Secretaria de Educação, que receberam investimentos a fim de adequá-los", afirma a diretora do Departamento de Educação Infantil, Lane Mary Gamba.
Abandono
Duas escolas municipais, no entanto, estão com as obras paradas por conta de problemas judiciais após o abandono das empreiteiras responsáveis pelo trabalho: as Emeis Maria Izolina Theodoro Zanetta e Pinóquio.
A segunda, localizada no Higienópolis, virou depósito de lixo e ponto de encontro para usuários de drogas no período noturno. Além disso, os brinquedos do parquinho da escola estão se deteriorando, acumulando água e tornando-se potenciais criadouros de insetos, inclusive do mosquito transmissor da dengue.
Irma Trevisan Penteado, 84 anos, mora em frente ao prédio da Emei Pinóquio e relata que, durante a noite, ouve barulhos de pessoas lá dentro. "Até tiro eu já escutei. A sorte é que a polícia passa sempre por aqui, senão, não sei o que mais poderia acontecer. O alambrado está quebrado e qualquer um entra lá", relata.
A aposentada lamenta a situação do prédio, que tem as obras paradas há cerca de dois anos, e onde sua filha, de 52 anos de idade, estudou quando pequena. "Era uma das escolas mais disputadas de Bauru, difícil para conseguir vagas. A gente vê o prédio abandonado e não entende o porquê, não se conforma", reclama.
Acionada pela reportagem do Jornal da Cidade, a Secretaria Municipal de Educação solicitou os serviços de limpeza do local pela Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb). "A sujeira era tanta que foi preciso mandar um caminhão para tirar tudo de lá. E quem joga o lixo lá é a própria população. Isso é inaceitável", alerta Vera Caserio, responsável pela pasta.
A secretária de Educação informou também que uma equipe da prefeitura vai fechar o alambrado e trocar o cadeado da Emei Pinóquio. "Contamos com a colaboração da comunidade para que não jogue lixo no local e comunique a administração sobre possíveis problemas", destaca.
Ainda não existe, porém, prazo para que as obras sejam retomadas.
Secretaria quer ampliar a segurança
Alvo frequente de atos de vandalismo, as escolas municipais contam atualmente com sistema de alarme apenas nas salas que guardam objetos de maior valor. Outras unidades possuem vigilantes no período noturno. Apesar disso, as escolas são invadidas, muitas vezes por moradores da própria comunidade onde estão localizadas, e depredadas, tendo lâmpadas, telhas e janelas quebradas, além de torneiras roubadas, como já ocorreu neste mês com a Emef Maria Chaparro Costa, no Santa Edwirges, e na Emei Valéria de Oliveira Asenjo, na Pousada da Esperança II.
A secretária da Educação, Vera Caserio, afirma que solicitou junto à prefeitura orçamento para que as escolas sejam integralmente protegidas por alarmes de segurança ou seja contratada uma empresa terceirizada especializada no serviço.
Além disso, a Secretaria foi procurada pela Polícia Militar (PM) para que seja marcada uma reunião entre policiais e diretores de unidades escolares para discutir ações de combate ao vandalismo. "O objetivo é que ambas as partes exponham suas dificuldades para que encontremos uma saída com o objetivo de coibir esse tipo de prática", explica o capitão Fabiano Serpa, comandante da 4ª Companhia Operacional da PM.