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100 árvores já caíram neste verão

Vinícius Lousada
| Tempo de leitura: 5 min

Este verão está sendo marcado pelas fortes chuvas, especialmente no mês janeiro, quando foi batido o recorde de 30 anos no nível de precipitações. Além das inundações, outro problema gerado pelas chuvas é a queda de galhos e árvores. Segundo levantamento realizado pelo Jornal da Cidade, cruzando dados do Corpo de Bombeiros e do Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet), pelo menos 100 árvores caíram na cidade desde o início do verão.

Apesar disso, a Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma) não possui levantamento com o número total de árvores na área urbana do município. Muitas delas, pelas condições em que se encontram, representam problemas e geram riscos aos munícipes. Em uma parceria da Semma com o Grupo Cidade, começaram as discussões acerca de um projeto para a realização de um censo das árvores, com o objetivo de chegar a um diagnóstico da realidade para promover melhorias na qualidade e na quantidade da arborização urbana.

A cada chuva forte, cerca de 10 a 15 árvores caem parcial ou integralmente. No final do mês de janeiro, porém, um episódio de chuva associado a fortes ventos, de até 60 quilômetros por hora, derrubou cerca de 50 árvores em Bauru. A capital do Estado também foi afetada pela força dos ventos com a queda de 100 árvores na última segunda-feira.

"Algumas árvores são bem resistentes, mas um vento de intensidade entre 40 e 50 quilômetros por hora já pode derrubar uma árvore que não esteja bem enraizada, que tenha sido mal cortada", explica Álvaro de Brito, coordenador da Defesa Civil de Bauru.

Episódios como esses assustam a população e triplicam as ligações na Semma com pedidos de substituição de árvores de grande porte por medo de possíveis problemas. O principal fator que pode ocasionar a queda de árvores, porém, está associado a problemas radiculares, que dificilmente são identificados a olho nu, mas podem ser indicados pela copa das árvores.

"Muita gente pensa que o fator de perigo para a queda de uma árvore está ligado ao tamanho ou à idade dela, mas não é isso necessariamente. Outro problema é que as pessoas entendem como sujeira a queda de folha de árvores na frente de casa. Essas situações levam muitos munícipes a podar as árvores sem autorização da Semma, e isso é o que gera e agrava os problemas", diz Valcirlei Gonçalves da Silva, titular da Semma.

Durante a tarde de ontem, funcionários da Secretaria executaram serviço de poda em uma grande seringueira, localizada na Praça dos Professores, a pedido dos moradores por conta dos riscos de queda sobre a rede elétrica e residências.

O secretário explica que na Semma, além da distribuição gratuita de mudas para o plantio, há o serviço de orientação a munícipes, que pode avaliar a necessidade de manutenção ou de substituição de árvores. "É fundamental que a comunidade procure a secretaria para não agir de forma equivocada", ressalta.

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Estudo das árvores no Jardim Brasil


Um grupo de estudantes da Universidade Sagrado Coração (USC), coordenados pelo professor de Botânica Dorival José Coral, realizou estudo científico que analisou quantitativamente e qualitativamente as árvores do Jardim Brasil. "Nosso objetivo é estender esse trabalho à cidade inteira", afirma Coral.

O professor explica que foram identificadas 510 árvores com altura maior que 1,30 metro e com mais de 15 centímetros de perímetro, sendo que 20 delas estão em péssimo estado e cerca de 50 foram atacadas por algum tipo de praga, especialmente por cupins. "A melhor forma de detectar a presença desses insetos é observar a queda de grande quantidade de galhos, a dificuldade para florescimento das plantas, além da presença desses animais. Quando isso acontece, é necessário consultar um especialista", alerta.

No estudo também foram identificadas 43 espécies diferentes de árvores, sendo que apenas 18 delas são nativas da região, uma baixa variedade de espécies, o que é considerado um problema pelos botânicos. "Quanto maior a diversidade, melhor. Além disso, deveriam ser plantadas mais árvores nativas da região", explica Coral.

Segundo o professor, a espécie oiti é a mais comum no Jardim Brasil, correspondendo a 32% de todas as árvores do bairro. O secretário da Semma confirma o fenômeno. "Essa é a árvore da moda. Da mesma forma que, há 30 anos, as sibipirunas eram maioria, o que gerou muitos problemas com pragas a essa espécie", explica Valcirlei.

Outro levantamento realizado isoladamente em um bairro aconteceu no Distrito de Tibiriçá, há cerca de cinco anos. Segundo o secretário do Meio Ambiente, das 200 árvores identificadas, 40 precisaram ser substituídas e outras 40 foram plantadas. "Problemas nas redes elétrica, de água e de esgoto são os mais comuns para motivar a substituição dessas árvores", afirma.

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Escolha e manejo adequados são essenciais


Os principais fatores que podem prejudicar a saúde das árvores são a escolha de espécies que não são apropriadas para a área urbana e o manejo incorreto no plantio e nas podas. Valcirlei Gonçalves da Silva, titular da Semma, relata que grande parte dos munícipes executa o plantio por conta própria e contrata pessoas que não são qualificadas para fazer o serviço de poda.

"A Semma oferece anualmente um curso para aqueles que desejam fazer esse tipo de serviço. O munícipe deve exigir esse certificado antes de contratar a execução do trabalho. Na secretaria nós temos a relação dos habilitados", explica Valcirlei.

Segundo o botânico Dorival José Coral, a poda irregular e inadequada pode facilitar a entrada de insetos invasores nas árvores. "O corte feito de maneira incorreta dificulta a cicatrizarão da planta, tornando-a mais vulnerável. A maioria dos problemas é causada pela desinformação por parte de pessoas que acham que entendem do manejo de árvores", afirma.

O responsável pela Semma destaca que, apesar dos cuidados necessários, é fundamental que as pessoas possuam árvores em frente às suas casas, pois apesar de não haver levantamento oficial, Bauru, como a maioria das cidades, não atinge a marca de 100 metros quadrados de área verde por habitante, estabelecida como ideal por organizações internacionais.

No Jardim Brasil, por exemplo, onde os estudantes realizaram o estudo, esse número é de 50 metros quadrados.

"Em uma cidade quente como a nossa, é fundamental que tenhamos árvores que proporcionem sombras. Além disso, pesquisas indicam que grandes quantidades de árvores são sinônimo de saúde para a população", destaca Valcirlei.

Como política de incentivo ao plantio, a Semma contratou uma empresa que está fornecendo 10 mil mudas de árvores para o município. "Elas são distribuídas gratuitamente e nós oferecemos todas as informações necessárias para garantir o plantio adequado", afirma o secretário.

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