Internacional

Acossado, Gaddafi faz mais ameaças

Folhapress
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Benghazi - Acossado por forças rebeldes que dominam boa parte da Líbia, o ditador Muammar Gaddafi recorreu ontem a seu maior trunfo na tentativa de reaver controle sobre o país: ameaçou cortar a produção e o fornecimento de petróleo.

"Se os cidadãos não retornarem ao trabalho, o fornecimento de petróleo será cortado", disse Gaddafi no terceiro discurso nesta semana.

A Líbia detém a décima maior reserva comprovada de petróleo do mundo e é o 11º maior exportador, responsável por 1,5% do comércio mundial da commodity.

O recrudescimento dos protestos antirregime no país já fez o preço do barril tipo Brent subir mais de 20% desde a semana passada, chegando hoje aos US$ 111, valor mais alto desde 2008.


Rebeldes controlam leste


Relatos de moradores da região leste da Líbia indicam que os opositores já tomaram o controle de importantes terminais de produção de petróleo no país, o que pode ameaçar o fluxo de fornecimento a diversos países e elevar a cotação do produto internacionalmente.

Rebeldes, que controlam todo o leste do país e parte das poços de petróleo, também prometem interromper a produção para tentar enfraquecer ainda mais Gaddafi, entrincheirado em Trípoli.

A Arábia Saudita, no entanto, já prometeu compensar a diminuição no fornecimento do produto líbio acionando capacidade ociosa da sua indústria de extração.


Al-Quaeda


Numa segunda frente de reação aos opositores, Gaddafi atribuiu os protestos ao líder da Al-Qaeda, Osama bin Laden, e disse que os rebeldes são jovens sob efeito de drogas alucinógenas fornecidas pela rede terrorista.

"Que vergonha, povo de Zawiya! Controlem as suas crianças??, afirmou, em referência a uma cidade localizada a apenas 50 km da capital e tomada pela oposição que foi palco ontem de conflito de grupos pró e antirregime.

Na cidade, a oeste de Trípoli, uma mesquita foi atacada com opositores dentro deixando até 20 mortos. Militares ainda leais a Gaddafi e mercenários atacaram também Misratah, terceira cidade do país e tomada pela oposição desde a véspera.

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Ganância e inveja contaminam família


Bruxelas - Ganância, inveja e ambição contaminaram as relações na família do líder líbio, Muammar Gaddafi, e muitas vezes destruíram a carreira das autoridades que se colocaram no caminho, de acordo com os despachos diplomáticos norte-americanos publicados pelo WikiLeaks.

Os cinco filhos de Gaddafi citados nas avaliações diplomáticas usaram ameaças e, às vezes, violência para que seus interesses comerciais e políticos se dessem bem no país, que é um grande exportador de petróleo.

A família opera agora como uma unidade coesa contra a insurreição que ameaça pôr fim ao governo de Gaddafi, mas os relatórios norte-americanos documentam uma divisão entre o segundo filho mais velho de Gaddafi e suposto herdeiro, Saif al-Islam, e quatro de seus irmãos.


Abusos


Um dos filhos Mutassim, teria pago 1 milhão de dólares para a cantora pop norte-americana Mariah Carey cantar quatro canções numa festa de ano-novo no Caribe e teve negado um pedido de comprar armas e outros equipamentos militares para criar uma unidade de segurança própria, disse o embaixador da Sérvia na Líbia. Hannibal, outro filho do ditador, foi preso na Suíça sob a acusação de maus-tratos contra duas empregadas domésticas e o terceiro filho mais velho de Gaddafi, Saadi, foi para Roma contra a vontade do pai.

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Primeiro grupo chega a São Paulo


São Paulo -O primeiro grupo de brasileiros que foram retirados da Líbia chegou no início da manhã de ontem ao Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, relatando que não tiveram problemas no retorno ao país.

Os brasileiros - quatro no total - chegaram em dois voos da companhia aérea TAP, segundo a emissora de rádio CBN, que fizeram escala em Lisboa. Os governos brasileiro e português fizeram um acordo para retirar funcionários da empresa Andrade Gutierrez que trabalhavam em território líbio.


114 chegam à Malta


Um voo fretado chegou à ilha de Malta na manhã de ontem levando os últimos 114 brasileiros que tentavam sair da capital da Líbia, Trípoli. Segundo o Itamaraty, 148 cidadãos ainda aguardavam para ser resgatados de barco na cidade de Benghazi.

Dos 114 brasileiros, sete são empregados da Petrobras e os demais da construtora Andrade Gutierrez.


Navio


Uma fila de navios com pessoas tentando fugir do cenário de conflito na Líbia atrasa a retirada dos últimos 146 brasileiros do país. Todos são funcionários da empreiteira Queiroz Galvão e seus familiares.

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