O alto número de casos de dengue registrados em Bauru levou o município à segunda colocação no ranking estadual sobre a quantidade de pessoas infectadas no mês de janeiro deste ano. Segundo a Secretaria Estadual de Saúde, Bauru abrange 7% (com 40 casos confirmados somente em janeiro) do total de 571 registros da doença no Estado de São Paulo em janeiro, perdendo apenas para Ribeirão Preto, que concentrou 45,7% - com 261 casos naquele mês. São Joaquim da Barra, na região de Franca, teve 29 registros e segue em 3º lugar.
Ontem, conforme divulgou a assessoria de imprensa da Prefeitura de Bauru, mais 30 ocorrências da doença foram confirmadas. Com isso, o município passa a totalizar 275 casos incluindo os dados de fevereiro, sendo 273 autóctones e dois importados.
Dados divulgados pelo Centro de Vigilância Epidemiológica estadual "Prof. Alexandre Vranjac" apontam 40 casos diagnosticados em janeiro em Bauru. Contudo, fevereiro foi o mês em que a quantidade mais assustou: foram 235 casos confirmados em curtos intervalos de tempo. Em 2010, o número total de casos registrados foi de 648, sendo 485 autóctones, 47 importados e 116 por critério clínico epidemiológico.
Na avaliação da médica infectologista Maristela Pastore Oliveira, o expressivo número de episódios de dengue ocorridos em um espaço de tempo tão curto já caracteriza epidemia.
"O número de ocasiões é maior que o ano passado, se comparado o mesmo período. E ainda há chances de termos muitos doentes no decorrer do ano. Por isso, a população precisa estar atenta e tomar os devidos cuidados e providências para evitar a disseminação da doença", ressalta a especialista.
Para combater o problema, a assessoria de imprensa da Prefeitura Municipal informou que todas as equipes de agentes de controle de endemias continuam concentradas no trabalho de bloqueio nas regiões onde foram registrados os casos da doença. O trabalho de bloqueio consiste em visitas domiciliares para vistorias referentes a possíveis criadouros do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, nebulização e orientações.
Segundo a prefeitura, as equipes de agentes permanecem concentradas na região do bairro Fortunato Rocha Lima com o serviço de nebulização, em parceria com a Superintendência de Controle de Endemias (Sucen), da Secretaria de Estado da Saúde.
De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, a maioria dos casos da doença (70%) registrada neste ano está concentrada na região dos bairros Parque Jaraguá, Santa Edwirges, Eldorado, Bela Vista, Vila Quaggio, Nova Esperança, Bauru XVI e outras áreas próximas a esses bairros.
Sintomas e procedimentos
Os principais sintomas da dengue são febre, dores de cabeça, cansaço, dor muscular e nas articulações, indisposição, enjoos, vômitos, manchas vermelhas na pele, dor abdominal, entre outros sintomas.
A primeira coisa a fazer ao identificar algum desses sintomas é procurar a Unidade Básica de Saúde mais próxima da residência para realização dos exames e tratamento, se necessário.
"Quem não tem plano de saúde deve recorrer às unidades, que estão preparadas para identificar o problema. O médico pode diagnosticar a doença antes mesmo do paciente se submeter ao exame de sangue, que se chama sorologia para dengue", explica a médica infectologista Maristela Pastore Oliveira.
"Porém, o paciente somente pode fazer o exame de sangue que confirma a doença a partir do sétimo dia após começarem os sintomas. Antes, o médico pode diagnosticar o caso e já orientar a pessoa, para que quando ela fizer o exame possa ser constatada possível melhora do quadro. Esse é um procedimento padrão realizado no mundo todo", esclarece Maristela, que afirma que grande parte das unidades de saúde municipais estão aptas a fazer o exame.
Já aqueles que contam com plano de saúde privado devem recorrer ao pronto-atendimento do plano e, se confirmada a doença, é necessário notificar a Secretaria de Saúde através do telefone (14) 3235-1458.
Infectado, morador reclama de atendimento
Moradores do Ferradura Mirim apontam falhas no atendimento e esclarecimento sobre a dengue, assim como reclamam do descaso do poder público com um dos bairros que também apresenta número preocupante de pessoas com os sintomas da doença. Muitas delas já foram diagnosticadas.
É o caso de Flávio Soares da Fonseca Filho, 34 anos. Ele começou a sentir os sintomas da doença no início da semana e procurou por unidades públicas de saúde municipais para ser atendido. Ele denuncia ao JC uma situação constrangedora que precisou enfrentar.
"Além de esperar por mais de cinco horas, o médico chamava de quatro a cinco pacientes para atender todos de uma vez. Ele não olhou para minha cara. Ali tinham pessoas, cada um com um problema diferente, sendo atendidas todas juntas. Aí o médico me encaminhou para tomar soro e diagnosticou a doença, sem nenhum tipo de exame", alegou.
Além de reclamar das condições precárias ao ser atendido, Flávio aponta que vários de seus vizinhos e familiares estão com o mesmo problema. "Aqui no Ferradura Mirim, pessoas estão doentes por causa de dengue, precisando de atendimento. Nós chamamos a ambulância e ela não vem até aqui".
Flávio ainda alega que o bairro precisa, urgentemente, ser contemplado com o serviço de nebulização. "Eu já insisti para que a Sucen, órgão responsável, viesse até aqui fazer o serviço, mas cansei de contar quantas vezes já liguei", relata.
Preocupado com a proliferação da dengue, um grupo de moradores do bairro pretende se reunir para exigir providências urgentes da administração pública.