Sabe aquelas pessoas que acordam cantando, vendendo sorrisos e distribuindo bom dias? Costumam ser as brincalhonas da turma, bem humoradas o dia todo e têm sempre uma palavra otimista para o pior dos seus problemas? O jovem Luis Fernando Ferreira Lima, 18 anos, é uma delas. Neste Carnaval, porém, além de animar os amigos, os colegas de trabalho e a família, o bom humor deste bauruense vai contagiar um público bem maior.
Escolhido Rei Momo 2011, Luigi, como é conhecido, vai levar toda sua alegria ao Sambódromo Municipal, abrindo os dois dias de desfile das Escolas de Samba e blocos carnavalescos, ao lado das rainhas Francinas Manson e Laetra (Diversidade). Apesar da pouca idade e inexperiência na missão, Luigi acredita que a tarefa não será difícil.
"A responsabilidade é grande, mas acho que não vai ser difícil alegrar o povo, porque eu sou assim, gosto de brincar com todo mundo", garante.
"Digamos que ele é Rei Momo desde a hora que acorda", reitera a mãe Mara Lúcia Ferreira Lima, uma das responsáveis pela inscrição do jovem na disputa pela coroação neste Carnaval.
Ele e toda a família acompanham há anos a Tradição da Zona Leste, e foi ainda pequeno que Luigi apaixonou-se pelo Carnaval. "Minha mãe chegou a me levar a uns três carnavais da Tradição, antes dos desfiles acabarem", recorda.
"Ano passado eu estava com o pé quebrado, mas não deixei de sair, de jeito nenhum", completa.
Exibindo seus 110 quilos com muito gracejo e samba no pé, Luigi saiu vitorioso entre quatro concorrentes que disputaram o posto de Rei Momo, em evento realizado no último dia 19, na Sociedade Hípica.
Na ocasião, faixas e gritos da torcida foram indícios do favoritismo do jovem. A popularidade de Luigi foi comprovada pela reportagem do JC Cultura, que teve seu trabalho acompanhado por toda vizinhança do Rei, morador do Núcleo José Regino. "Vai, Luigi, dá uma sambadinha", foi um dos muitos pedidos que acompanharam a sessão de fotos.
Fartura e alegria
O Momo faz parte da caracterização do Carnaval em vários países e se popularizou no Brasil, a partir de 1910, no Rio de Janeiro. Vindo da mitologia grega, ele é filho do sono e da noite, e acabou expulso do Olimpo - morada dos deuses - porque tinha como diversão ridicularizar as outras divindades.
É da sua ligação com os festejos pagãos de fertilização da terra na Antiguidade que vem a sua caracterização como personagem que deve ser opulento. "Em Roma, principalmente, o Momo era visto como um Deus gordo ligado à primavera, que traria os benefícios da fartura", explica Antônio Walter Ribeiro de Barros Júnior, professor de Cultura e Arte da Universidade do sagrado Coração (USC).
Já em sua origem cristã, o Carnaval tem a função de levar a alegria ao próximo e o Rei Momo, enquanto guardião da festa, deve ser sinônimo de riso. "O dever do Rei Momo escolhido é esbanjar alegria, porque ele representa essa fartura e felicidade do Carnaval", afirma o professor.