Internacional

Gaddafi promete resistir na Líbia

Folhapress
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Trípoli - O ditador líbio, Muammar Gaddafi, fez uma rápida aparição ontem na praça Verde, em Trípoli, para pedir à multidão de seguidores no local que "defenda a Líbia", segundo imagens mostradas pela rede de TV americana CNN.

"Defendam a Líbia e os interesses da Líbia. Estamos prontos para triunfar contra os inimigos", disse o ditador.

"Nós derrotaremos qualquer campanha estrangeira, como já fizemos no passado", acrescentou Gaddafi, dizendo que "a força da massa e da juventude é invencível".

"A vida sem dignidade não tem significado, a vida deve ter a glória e a vitória, representada por essas bandeiras verdes. Vivam com dignidade e com moral. Muammar Gaddafi é um de vocês! Dancem, cantem e sejam felizes", finalizou o ditador, antes de mandar beijos à multidão de apoiadores.


Confrontos na capital


Ontem, milícias atiraram para dispersar milhares de manifestantes antigoverno na capital da Líbia, Trípoli, reduto do ditador Muammar Gaddafi. As agências de notícias internacionais já trazem relatos, não confirmados, de ao menos dois mortos em vários confrontos na capital.

Estes são os primeiros confrontos a chegar a Trípoli em dias, depois que a oposição conquistou boa parte do leste do país, tomou alguns dos principais poços de petróleo e continua fechando o cerco a Gaddafi.

Atendendo à convocação, milhares de manifestantes se reuniram na praça Verde, do lado de fora de uma mesquita no centro de Trípoli, para pedir a queda de Gaddafi. Eles foram confrontados por tropas e milícias ainda leais ao ditador que dispararam para o ar para dispersar a multidão. Os tiros causaram correria.

Em outros bairros da capital, a situação é mais violenta e há relatos de forças de segurança disparando contra os manifestantes.

"A situação é caótica em partes de Trípoli agora", disse uma testemunha citada pela Associated Press, acrescentando que milícias pró-Gaddafi armadas corriam pelas ruas em veículos.

A emissora de televisão Al-Jazeera diz que ao menos duas pessoas morreram ontem em diferentes confrontos registrados em vários bairros da capital líbia. A emissora do Qatar diz ainda que a maior base aérea de Trípoli uniu-se à revolta popular.

Já a agência de notícias Reuters diz que ao menos cinco morreram quando as forças de segurança abriram fogo contra manifestantes no distrito de Janzour, no oeste de Trípoli.


Preparação


A convocação para a marcha de opositores do regime a partir das mesquitas, após as orações, foi a primeira tentativa de realizar uma grande manifestação anti-Gaddafi na capital desde os confrontos da noite de terça-feira. Mensagens de SMS foram enviados pedindo aos líbios que transformassem o dia de ontem em um dia da libertação.

Desde o início da manhã, as milícias de Gaddafi organizaram um forte esquema de segurança em torno de várias mesquitas na cidade, intimidando os fiéis. Jovens armados com braçadeiras verdes (para mostrar seu apoio ao Gaddafi) montaram postos de controle em muitas ruas, parando os carros e realizando buscas.

Tanques e postos de controle foram instalados ainda na estrada para o aeroporto de Trípoli, disseram testemunhas.

Trípoli, onde vive quase um terço da população líbia, é o centro do território que permanece sob o controle de Gaddafi, após a revolta que começou em 15 de fevereiro.

Os rebeldes tomaram controle de uma faixa de território que vai da fronteira com o Egito, passa por metade da costa de 1.600 km no Mediterrâneo ao porto de Breqa, a apenas de 710 km leste de Trípoli. Mas os rebeldes avançam ainda por algumas cidades no noroeste. Milicianos e forças de Gaddafi foram expulsos ontem por rebeldes das cidades de Zawiya e Misrata -nas quais os combates mataram ao menos 30 pessoas.


Navio com brasileiros


Após quase dois dias na fila, o navio que partiu de Atenas na quarta-feira para resgatar brasileiros em Benghazi, segunda maior cidade líbia, conseguiu atracar.

Os 148 brasileiros que esperam para deixar o país enfim embarcaram. Mas o mau tempo impediu que o navio deixasse o porto. A previsão é que isso aconteça hoje.

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Família vai viver e morrer na Líbia


Trípoli - Seif al Islam, filho do ditador líbio, Muammar Gaddafi, prometeu ontem que sua família irá "viver e morrer na Líbia", e que não irá permitir que "um bando de terroristas?? assuma o controle do país. As declarações foram feitas no mesmo dia em que manifestantes de oposição lançaram uma nova ofensiva contra o regime, convocando demonstrações em massa contra o mandatário.

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EUA e UE ampliam pressão contra Gaddafi


Nova York - Cada vez mais isolado dentro do seu país, o ditador líbio, Muammar Gaddafi, sofre o recrudescimento também do cerco externo. EUA e União Europeia anunciaram ontem sanções à Líbia.

O governo americano informou que fechará sua embaixada em Trípoli e que adotará outras medidas unilaterais para "pressionar o regime". Na Europa, países-membros do bloco declararam embargo de venda de armas à Líbia e o bloqueio dos bens de autoridades do governo líbio.

EUA


Sem esperar por uma decisão do Conselho de Segurança da ONU (CS), os EUA suspenderam ontem as atividades de sua embaixada na Líbia e disseram que pretendem adotar sanções unilaterais contra o ditador Muammar Gaddafi.

A Casa Branca não deu detalhes de quais serão as medidas, mas provavelmente elas vão incluir o embargo da venda de armas e o congelamento dos ativos de autoridades líbias no exterior.


ONU


O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, foi outro a defender sanções. Mas o Conselho de Segurança, reunido em Nova York, não chegou a um consenso entre os 15 membros sobre qual ação adotar. Uma nova reunião vai ocorrer hoje e, segundo a embaixadora brasileira, Maria Luiza Ribeiro Viotti, a intenção é divulgar uma "mensagem forte, unificada e que possa interromper a violência". O Brasil preside atualmente o CS.

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