Novamente, bauruenses tiveram uma surpresa nada agradável ao abrirem suas torneiras ontem. A água, que deveria sair límpida e pronta para utilização, estava escura e barrenta. Segundo a assessoria de imprensa do Departamento de Água e Esgoto (DAE), a informação fornecida pela área responsável pelo sistema ETA (Estação de Tratamento de Água) para o problema foi o rompimento de uma adutora. Entretanto, funcionários do próprio DAE informaram que a causa foi, mais uma vez, a captação de água do rio Batalha. O mesmo fato já havia sido registrado há exatamente uma semana na regiões sul e central da cidade.
O curioso é que dessa vez o problema somente teria afetado o Conjunto Habitacional Joaquim Guilherme e o Parque Viaduto, principalmente, no Parque Residencial dos Sabiás. O fato de apenas essas localidades terem sido afetadas merece detalhamento, uma vez que o rio Batalha é responsável por 40% da distribuição de água na cidade, equivalente a uma população de 140 mil habitantes.
A assessoria de comunicação do DAE informou que o motivo da água ter saído barrenta foi o rompimento de uma adutora. O fato, porém, é estranho, uma vez que o rompimento da tubulação causaria o desabastecimento das localidades. De acordo com a assessoria, o diretor da Estação de Tratamento de Água (ETA), Olavo Severino, apontou esse problema, que, inclusive, já teria sido consertado ontem.
Funcionários do DAE ouvidos pelo JC, contudo, afirmaram que a origem do dilema foi na captação da água do rio Batalha. Por conta do volume excessivo de resíduos, o procedimento é reduzir a vazão da água (o que pode ser realizado até à metade da produção normal) para evitar que o líquido captado venha com muito barro. A vazão normal pode chegar a 650 litros por segundo.
Entretanto, mesmo com a redução dessa vazão por conta da turbidez, alguma água com barro, mais uma vez, teria passado pelos processos de filtragem e chegado às casas das pessoas. A estranheza é isso ter atingido apenas quem mora no Núcleo Joaquim Guilherme e Parque Sabiás.
O funcionário público Maurício dos Santos, 40 anos, foi um desses moradores que sofreu com o problema. "Eu e minha mulher estamos sem tomar banho por conta desse problema. Sorte que eu tinha um galão de água, porque era para estar até sem água para beber", conta Maurício.
Ainda segundo ele, o problema foi detectado anteontem e, até o início da tarde de ontem, não havia verificado uma solução. "Hoje, terei que sair de casa para tomar banho. A água está tão suja que não dá para fazer nada".
Tanto os funcionários do DAE quanto a assessoria informaram que o motiva da persistência do problema em algumas localidades está no líquido contido nas caixas d?água de cada propriedade. Eles explicaram que a água ainda pode estar saindo suja pelas torneiras porque é a mesma que foi despejada antes da resolução do problema e ficou armazenada nos reservatórios.
A autarquia se colocou à disposição para fazer a limpeza e desinfecção dessas caixas d?água. Quem verificar que o problema ainda continua pode solicitar o serviço pelo telefone (14) 3106-1100.
Mesmo problema
Exatamente há uma semana, o mesmo problema atingiu Bauru. Na ocasião, além da presença do líquido sujo escoando pelas torneiras, as regiões sul e central da cidade sofreram ainda com a falta do abastecimento de água.
Moradores do Jardim Estoril, Altos da Cidade, Vila Falcão, Vila Industrial, Jardim Bela Vista e Jardim Ouro Verde e diversos outros bairros adjacentes relataram o problema por cerca de dois dias.
Os processos de erosão de erosão e assoreamento do rio Batalha foram apontados como os principais responsáveis pela sujeira da água que chegou às residências. Em relação à falta de água, o DAE afirmou que não ocorreu a interrupção do abastecimento, mas sim a redução da produção.
Outros casos
Além da água que chega suja às casas dos moradores, o problema da falta de água se tornou algo recorrente em Bauru. Na última quarta-feira, uma bomba queimada no poço Beija-Flor, localizado na quadra 1 da rua Alexandre Jorge Nasralla, no Núcleo Beija-Flor, deixou vários bairros da zona norte da cidade sem abastecimento.
Entre os bairros afetados com falta de água pela queima da bomba estavam, além do Beija-Flor, o Parque City, Novo Jardim Pagani, Parque Santa Cecília, Parque São Geraldo, Jardim Godoy, Jardim TV, e Vila Garcia.
E o problema não é uma novidade no local. Conforme divulgado pelo JC, em dezembro do ano passado, os moradores da parte baixa do Beija-Flor também sofreram com falta de água. Na ocasião, o DAE informou que os problemas no abastecimento estariam ocorrendo devido a interrupções de energia.
A bomba queimada no Beijo-Flor tinha sido instalada em abril do ano passado, portanto com vida útil em dia. A autarquia disse que iria enviar o equipamento para o fornecedor para buscar investigar a causa do problema.
Ainda no início de janeiro deste ano, um problema na guilhotina de um dos registros da ETA localizada no Jardim Ferraz afetou o abastecimento de água de aproximadamente milhares de pessoas. E o DAE divulgou que seriam apenas 9 mil habitantes.
Alguns dias depois, os cerca de 3.100 moradores do Núcleo Octávio Rasi também tiveram problemas depois que a bomba do poço ficou submersa em função das forte chuvas e acabou sugando água barrenta arrastada pelas enxurradas.