Geral

Dengue chega à metade dos casos de 2010

Bruna Dias
| Tempo de leitura: 5 min

Em um curto espaço de tempo, entre janeiro e fevereiro os casos confirmados de dengue em Bauru saltaram de 40 para 334. Somente ontem, 59 suspeitas foram confirmadas. A situação configura epidemia, o que preocupa a população. Os bairros mais atingidos são o Parque Jaraguá, com 43 casos, e o Santa Edwirges, com 39. A cidade já soma pouco mais da metade de todos os registros do ano passado, que somaram 648.

Quem mora nessas regiões e ainda não adquiriu a doença vive com medo. O problema, para Márcio Willians Dias, 39 anos, morador da quadra 6 da alameda Plutão, no Santa Edwirges, é sempre o cuidado que os vizinhos não tomam.

"Aqui em casa ninguém pegou a doença, mas eu conheço muitas pessoas de casas próximas que pegaram. O problema são os vizinhos que não se previnem. Nós tomamos os cuidados, mas a larva pode ser depositada no quintal deles", criticou.

Ele aponta um sofá que estava escondido em meio ao mato alto de um terreno baldio localizado do outro lado da rua.

"Ali mesmo, se você olhar bem, tem um sofá. Jogaram outro dia. A situação já está complicada e o pessoal não para de acumular lixo. A prefeitura vem, faz a inspeção nas nossas casas, mas não resolve essa situação dos terrenos. Também há residências abandonadas que eles dizem que não podem entrar", acrescentou.

]Bem próximo dali, no Parque Jaraguá a equipe de reportagem do Jornal da Cidade flagra mais um exemplo de falta de cidadania. Em um terreno localizado na rua Juvenal Bastos há uma placa da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) com dizeres alertando que é proibido jogar lixo naquele local. No entanto, a população não respeita.


Detritos


No local há madeira, sacos plásticos, roupas, restos de comida. Enfim, uma infinidade de lixo ao ar livre. Do outro lado da rua, mais madeira acumulada em um terreno. O dono do material é Valdecir de Souza, 45 anos. Ele utiliza a madeira constantemente para manter aceso o forno à lenha de sua padaria, que fica ao lado do terreno.

"Essa madeira chegou ontem. Eu uso sempre, e como estão em tocos não junta água. Ali também não tem lixo. O terreno não é meu, mas eu mantenho sempre limpo. Agora o mato está alto por conta da chuva. Mas acredito que ali não seja um foco do mosquito da dengue. O pessoal da prefeitura sempre passa aqui para vistoriar o meu estabelecimento", contou.

Valdecir disse que ninguém de sua família adquiriu a doença. No entanto, conta que muitos de seus clientes já foram vítimas. A funcionária Elisabete da Silva Lemes, 20 anos, está com febre, dores pelo corpo, nuca e nos olhos: sintomas da doença. "Eu fiz o exame ontem e estou esperando o resultado sair. Na quadra da minha casa tem vizinhos que pegaram dengue. Pode ser que tenha vindo de lá", disse.

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Epidemia


O número de registros da doença não para de aumentar. No ano de 2010, Bauru somou 648 casos, sendo 485 autóctones, 47 importados e 116 por critério epidemiológico. Ou seja, a cidade já soma mais da metade desse total em apenas dois meses.

O secretário municipal de Saúde, Fernando Monti, admite o estado de epidemia e atribui o aumento abrupto de casos ao longo período de chuvas, o que contribuiu para a formação de criadouros das larvas do mosquito vetor Aedes aegypti.

"Nós viemos de uma situação chamada sustentada, ou seja, ao longo dos últimos meses do ano passado a gente continuou tendo um aumento no número de casos. Nisso também influenciou muito as condições climáticas, o regime de chuvas nos meses de janeiro e fevereiro que é comum para o mês de março. Essas condições favoráveis colaboraram para a proliferação do mosquito vetor", afirmou.

Assim como outros insetos, o mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, fica resistente à mudança de clima e também a inseticidas. Por isso, Monti frisa que é de extrema importância fazer o controle de criadouros, que são os locais onde as larvas se alojam e se reproduzem.

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Procedimentos


A Secretaria Municipal da Saúde orienta que todas as pessoas que voltarem de viagens ou mesmo as que permanecerem na cidade, devem procurar a Unidade Básica de Saúde mais próxima de suas residências para a realização dos exames e tratamento, se necessários, e possível notificação ao apresentarem sintomas da doença.

Aqueles que recorrerem ao atendimento médico privado e que confirmarem a doença deverão também notificar a Secretaria de Saúde, através do telefone 3235-1458.

Os principais sintomas da doença são febre, dores de cabeça, cansaço, dor muscular e nas articulações, indisposição, enjoos, vômitos, manchas vermelhas na pele, dor abdominal, entre outros sintomas.

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Sucen intervirá com máquinas para nebulização


Uma das medidas estudadas na tarde de anteontem pelo secretário municipal de Saúde, Fernando Monti, em uma reunião com representantes da Superintendência de Controle de Endemias (Sucen) da Secretaria de Estado da Saúde foi a volta das antigas máquinas de nebulização. Como o número de casos de dengue aumentou significativamente em Bauru, estas substituirão as máquinas de pequeno porte utilizadas pelos agentes da Vigilância Sanitária.

O maquinário fornecido pela Sucen é bem parecido com os antigos utilizados no município e dispersa uma quantidade menor de inseticida, no entanto, cobre áreas maiores de até 200 quadras. Monti destaca que o papel da população é fundamental para que essa medida seja eficaz.

"As pessoas não precisam ter medo e devem abrir suas casas no momento em que a máquina passar porque o mosquito pode estar escondido dentro da residência, e o inseticida não chega onde tem que chegar", destaca.

Ainda nesta semana a nebulização já deve acontecer em algumas áreas onde não houve registro de muitos casos. O secretário municipal de Saúde explica que, antes da nebulização, deve haver um trabalho de urbanização com a população além de uma melhora das chuvas e ventos.

"A eficácia depende desses fatores que nós não podemos controlar, porque o maquinário também depende de boas condições climáticas para conseguir adentrar esses locais. Para acontecer isso, nós também precisamos mobilizar o local e fazer uma redução de criadouros para depois fazer esse processo", pontuou.

Visando ainda proteger a população que se concentrará nas áreas do Sambódromo e do Parque Vitória Régia para curtir o Carnaval, a secretaria realizará uma varredura nessas regiões para identificar e eliminar criadouros das larvas do Aedes aegypti nos próximos dias.

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