Internacional

Rebeldes só negociam a saída Gaddafi

Folhapress
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Al-Bayda - Os rebeldes que estabeleceram um Conselho Nacional no leste da Líbia estão abertos a negociar a demissão ou exílio do dirigente Muammar Gaddafi, disse um assessor de um líder da oposição ontem.

Ahmed Jabreel, assessor do ex-ministro da Justiça Mustafa Abdel Jalil, que preside o Conselho agora sediado em Benghazi, disse que a comunidade internacional deveria criar uma zona de exclusão aérea para ajudar os rebeldes a derrubarem Gaddafi, no poder há 41 anos.

"Se houver qualquer negociação, será sobre uma coisa só: como Gaddafi vai deixar o país ou renunciar para que possamos salvar vidas. Não há mais nada a negociar," disse Jabreel, que estava autorizado a falar à reportagem em nome de Abdel Jalil.

"Não vamos negociar uma solução política. Queremos que ele seja levado a julgamento, mas se não lhe dermos uma saída, sabemos que mais pessoas serão mortas", afirmou ele em Al Bayda, uma cidade costeira controlada pelos rebeldes no leste da Líbia.

O Conselho Nacional fez um apelo para que a Organização das Nações Unidas (ONU) aprove bombardeios estrangeiros contra supostos mercenários africanos a soldo de Gaddafi.


Filho não quer mediação


Saif al Islam, filho do líder líbio Muammar Gaddafi, disse ontem que não é necessário qualquer envolvimento internacional na mediação da crise na Líbia, quando questionado sobre a oferta da Venezuela.

Saif afirmou em entrevista ao canal Sky News que não estava ciente da oferta feita pelo presidente venezuelano, Hugo Chávez, mas acrescentou: "Temos que dizer obrigado... mas somos capazes o suficiente para resolver nossos problemas por nosso próprio povo. Não há necessidade de qualquer intervenção internacional".


Lula é convidado


Mais cedo a Venezuela disse esperar que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva possa liderar uma comissão internacional de mediação para buscar a paz na Líbia, afirmou uma fonte do governo à reportagem.

A fonte venezuelana disse, porém, que os planos de incluir Lula na proposta de mediação do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, estavam em um estágio muito "preliminar".

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Tribunal Penal Internacional investigará Gaddafi


Haia - O promotor Luis Moreno Ocampo, do Tribunal Penal Internacional, com sede em Haia, afirmou ontem que irá investigar o ditador da Líbia, Muammar Gaddafi, e seu círculo mais próximo - incluindo alguns de seus filhos - por possíveis crimes contra a humanidade que teriam sido cometidos na violenta repressão contra manifestantes antigoverno, que pedem o fim de seu regime.

Ocampo disse que as forças de segurança de Gaddafi têm atacado manifestantes pacíficos em diversas cidades do país desde 15 de fevereiro, e que o mandatário e seus aliados têm comando formal ou de fato sobre essas forças.

O promotor prometeu que não haverá "impunidade" na Líbia. "Quero ser claro: se as tropas deles cometem crimes, eles podem ser criminalmente responsáveis", afirmou Ocampo à emissora de TV americana CNN.

Trata-se da primeira vez que o TPI irá investigar denúncias ao mesmo tempo em que elas estão ocorrendo.

Ocampo havia prometido para ontem a divulgação dos nomes de pessoas consideradas suspeitas.

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Polo petrolífero é símbolo da resistência; revolta ganha contornos de guerra civil


Brega - Operados por civis com farto entusiasmo revolucionário e escasso treinamento militar, os canhões de artilharia antiaérea em torno da cidade portuária de Brega, no leste da Líbia, simbolizam a vitória mais importante até agora dos rebeldes.

A estratégica cidade portuária, que foi palco de uma longa batalha nessa semana, amanheceu ontem nas mãos dos insurgentes e sob novo bombardeio aéreo.

Bombas disparadas por um caça da Força Aérea líbia deixaram três crateras numa duna dentro do complexo petrolífero de Brega, sem causar danos ou deixar feridos. Na vizinha Ajdabiya, um depósito de armas foi atingido.

No dia anterior, um avião havia feito disparos que causaram destruição mínima, aumentando a crença dos rebeldes de que os pilotos estão errando de propósito.

Depois de rechaçarem o ataque-surpresa das forças leais a Gaddafi, os insurgentes reforçaram a entrada de Brega e avançaram 50 km em direção a oeste, preparando-se para uma nova ofensiva.

Há pouco movimento na estrada de mão dupla que liga o leste ocupado ao centro do país, onde forças pró-Gaddafi mantêm o controle.

Posições rebeldes com homens armados de fuzis e lança-granadas controlam a estrada, mas não há sinais de avanço rumo ao oeste. Cerca de 70 km de asfalto cercado por dunas e camelos separam as forças rivais.

Cada vez mais, a revolta contra Gaddafi ganha contornos de uma guerra civil, ainda que de baixa intensidade, com limitado poder de fogo e travada em porções reduzidas do território líbio.

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?Gaddafi perdeu a legitimidade e deve sair?, diz Barack Obama


Washington - O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, voltou a condenar ontem, em Washington, a violência perpetrada contra manifestantes antirregime na Líbia e afirmou que o ditador do país, Muammar Gaddafi, perdeu a legitimidade e deve deixar o poder.

A declaração ocorre no mesmo dia em que o Tribunal Penal Internacional (TPI) anunciou que irá investigar o mandatário e membros de seu círculo mais próximo

Em entrevista coletiva ao lado do presidente do México, Felipe Calderón, Obama afirmou que os EUA continuam "indignados" com a violência cometida contra o povo líbio, e que o país está liderando esforços internacionais para evitar mais violência.

"A violência deve parar. Gaddafi perdeu sua legitimidade para liderar e deve sair", afirmou o líder americano. "As aspirações do povo líbio por liberdade, democracia e dignidade devem ser atendidas."

A maior prioridade neste momento, segundo Obama, é tirar dezenas de milhares de pessoas que tentam deixar a Líbia devido aos violentos confrontos entre forças leais a Gaddafi e rebeldes opositores.

O presidente explicou que os EUA serão usados aviões militares para ajudar na retirada de estrangeiros. "Aprovei, em consequência (das milhares de pessoas que tentam sair da Líbia), o uso de aviões militares americanos para ajudar a voltar o Egito os egípcios que fugiram para a fronteira da Tunísia".

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Brasil reage com cautela ao conflito


Brasília - O governo brasileiro adotou posição cautelosa em relação ao conflito na Líbia. Segundo o porta-voz da Presidência, Rodrigo Baena, o Brasil "apoiará todas as iniciativas definidas pelas Nações Unidas". A declaração foi feita hoje ao final do dia.

A posição é muito mais conservadora do que a de outros países, como os EUA.

Mais cedo, a presidente Dilma Rousseff comentou os aspectos econômicos da crise. Perguntada se a crise líbia preocupa o Brasil por causa da alta do preço do petróleo, a presidente subestimou o impacto do conflito, pelo menos temporariamente. "Acho que não é uma preocupação ainda das maiores", disse ela.

Segundo Dilma, "não há hipótese" de a crise líbia afetar "o conjunto do fornecimento [petrolífero] do mundo", caso haja mais problemas na produção e fornecimento.

Dilma comentou ainda os negócios do Brasil com o país.

Ela citou grandes empresas e construtoras que atuam na Líbia. "Isso causa obviamente para esses investidores uma turbulência".

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Brasileiro deixou área de conflito


Brasília - O Ministério de Relações Exteriores confirmou ontem que o mecânico brasileiro André Luís Claro Poças, funcionário da petroleira Petroair, foi retirado de Brega, cidade no leste da Líbia alvo de ataques aéreos das forças leais ao ditador Muammar Gaddafi, e levado para uma área mais afastada do conflito. Poças é o último brasileiro a pedir auxílio à Embaixada Brasileira na Líbia para deixar o país. Mais de 500 brasileiros, segundo estimativas do próprio Itamaraty, já deixaram a Líbia

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