Tribuna do Leitor

Escritor reformista


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Morreu, no dia 27 de fevereiro último, o escritor gaúcho Moacyr Jaime Scliar. Era membro da Academia Brasileira de Letras, onde ingressou no ano de 2003. Formou-se em medicina no ano de 1962, tendo se especializado como médico sanitarista. Escreveu diversos romances. Temos a honra de ter conosco autografado um de seus livros: "Sonhos Tropicais". Era um escritor versátil. Sociólogo também, escrevia sobre religião, imigração judaica no Brasil e socialismo, visando principalmente a classe média, propulsora do progresso nacional, segundo seu entendimento. Passamos a admirar o ilustre mestre após uma visita que fizemos à Academia Brasileira de Letras,em outubro de 2008, quando tivemos uma aud iência com o presidente Cícero Sandroni. Aconteceu que, ao visitarmos as dependências da Academia,após a audiência, adentramos numa sala onde o imortal Moacyr Scliar dava uma entrevista ao jornalista carioca Wanderley Araújo. Fomos convidados a permanecer no local. Perguntado sobre a reforma ortográfica de 1990, o professor Moacyr respondeu: "Sou a favor de uma drástica reforma na orgorafia da língua portuguesa. Temos de simplificar o idioma. Ele é complicado demais".

A uma outra pergunta sobre o emprego da vírgula, respondeu: "Dizem que a crase não foi feita para humilhar ninguém. Mentira! Crase foi feita justamente para separar as pessoas em dois grupos, o dos que sabem usar a crase e o dos que não sabem, e esses são a maioria. Então, as pessoas se envergonham porque não sabem usar a crase e deixam de escrever por causa disto. O resultado é contraproducente, é negativo. Quando se fala em reforma ortográfica, para mim significa simplificação ortográfica. Sou a favor de que ela aconteça algum dia para que os brasileiros não se envergonhem de escrever o seu idioma". Para nós foi uma grande honra termos conhecido o imortal Moacyr Scliar, principalmente por testemunhar ter sido ele um adepto de uma reforma profunda das regras do nosso idioma, assim como é o senador Cristovam Buarque, além de outros tantos eméritos educadores. (José Perea Martins - Membro da Academia Bauruense de Letras e presidente da ONG Alfabeto Sem Amarras)

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