Regional

Frio atípico reduz público em Botucatu

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 3 min

Botucatu - Uma trégua da chuva na noite de anteontem possibilitou que as quatro escolas de samba e os três blocos desfilassem na rua Amando de Barros na cidade de Botucatu (100 quilômetros de Bauru). O espetáculo contou com um público bem abaixo do estimado por conta do ?friozinho? , atípico de verão. Mesmo assim não faltou a alegria necessária para a festa.

O secretário municipal do Turismo de Botucatu, Fredi Pimentel, admitiu que o frio e o vento afugentaram o público. "O público estimado para o desfile era de 10 mil pessoas ao longo das 12 quadras da rua Amando de Barros. A temperatura deixa o pessoal indeciso em sair de casa. Eu acho que o público deve ter sido a metade do estimado."

Mas quem se arriscou assistiu um belo espetáculo, na avaliação do secretário.

A primeira a pisar na rua mais conhecida de Botucatu foi a Escola de Samba da Associação Atlética Ferroviária, um clube com 73 anos de história na cidade. Nas quatro alas que agregaram os 200 foliões, a escola contou um pouco do que a família Polence fez para o clube.

Segundo o diretor de marketing e comunicação, Edgard Marcos Paim, a família mereceu a homenagem porque fundaram e a presidência foi ocupada por várias gerações de ferroviários. "O clube tem três mil títulos e os associados fazem questão de desfilar, se apresentam espontaneamente. Nas alas, o destaque ficou para a dança de salão, representada por Odete Vaz Leme de 77 anos. Os sócios tiveram seus representantes desfilando em um trenzinho.

O público aplaudiu e curtiu o desfile da associação. Muita gente cantou o samba-enredo baseado na história da família que muitos conhecem. Confete, serpentina e espuma fez a alegria das crianças e adultos.

O bloco Amigos da Vila Pinheiro entrou na Amando de Barros para alegrar o público. O Monstro, a Emília, a Tia Anastácia e tantas outras personagens de histórias infantis contagiaram os espectadores que a todo momento eram chamados a pisar na pista e dar sua contribuição.

Segundo a vice-presidente do bloco, Pâmela Bento, é o terceiro desfile da agremiação que agrega 75 integrantes.

A escola de samba Unidos da Demétria entrou na pista e conseguiu chamar a atenção. Com um enredo focado na "Miscigenação, Passado, Presente e Futuro", a agremiação reuniu a maioria dos povos. Tinha japonês, alemão, holandês, índio brasileiro e tantos outros.

A letra do samba-enredo contagiou o público que não se cansou de aplaudir a passagem da escola. A figura de Rudolf Steiner, o fundador da escola Waldorf foi o foco das atenções, afinal um homem de terno em plena passarela do samba não é algo comum.

Beatriz Retz, integrante da escola explicou que o passado da estância Demétria era o abre alas da escola, representada por alguns de seus fundadores. O presente estava representado pela economia e o futuro eram as crianças que passaram pela Amando de Barros em uma carroça.

Na sequência desfilou o bloco do Grêmio Recreativo Combinados de Santa Eliza, integrado por mais de 100 pessoas e o bloco dos Turistas com cerca de 140 pessoas que saíram de São Paulo e Santos para curtir o Carnaval de Botucatu.

A penúltima escola a pisar na rua Amando de Barros homenageou o lendário Vicente Mateus. O presidente do time mais popular do Estado de São Paulo, Corinthians. "Vicente Mateus - Uma História em Preto e Branco" foi o enredo da Estopim da Fiel.

A agremiação com 150 integrantes distribuídos em quatro alas debutou na passarela do samba. "Antes éramos um bloco. Escolhemos esse enredo porque Vicente Mateus é uma figura folclórica, conhecida por suas frases de efeito e seu misticismo", explicou o diretor de Carnaval, Harley Aparecido Pereira.

A escola de samba Gente Unida de Vila Maria encerrou o desfile com muita fantasia, alegria e samba no pé. Saiu sob uma forte garoa que anunciava uma chuva. Os 150 integrantes cantaram o samba-enredo focado na "Vila de Ontem, de Hoje e Amanhã." "A escola existe de 1976", explicou o diretor de patrimônio, Vitor de Barros.

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