Economia & Negócios

Programa Olhar Verde teve bate-papo e debates transmitidos na Internet

Vinícius Lousada
| Tempo de leitura: 3 min

Com cerca de 60 pessoas presentes no auditório do Ciesp e pelo menos 62 conectadas, acompanhando ao vivo o evento pela Internet, o encontro do programa "Olhar Verde" na tarde de ontem teve palestra de Rodrigo Agostinho. Como prefeito e ambientalista, ele apresentou a realidade do município sob o aspecto ambiental, considerando critérios adotados pelo governo do Estado de São Paulo para a certificação do Selo Verde e Azul, além de destacar problemas locais, globais e ações de sua gestão no setor, com destaque para a arborização urbana e recuperação de matas ciliares.

O diretor regional do Ciesp de Bauru, Domingo Malandrino, afirmou que sempre é válido ouvir um especialista na área ambiental, como Rodrigo Agostinho. "Senti o prefeito um pouco desanimado em relação ao que ele pode fazer como gestor e o que gostaria de fazer de acordo com o que sempre acreditou em sua carreira como ambientalista. Como coloquei a ele, o Ciesp está à disposição para ajudá-lo no que for preciso nessa causa fundamental", aponta.

Realizado desde 2008, o programa Olhar Verde teve pela primeira vez um encontro transmitido ao vivo pela Internet e contou com cinco salas de bate-papo com internautas comentando e interagindo com a mesa-redonda realizada após a palestra do prefeito Rodrigo Agostinho.

Coordenador de Meio Ambiente do Ciesp, Caio Cesar Passianoto destaca o caráter de educação ambiental do programa, que firma convênio com a Secretaria Municipal de Educação. "Além de empresários, professores da rede municipal participam dos encontros e multiplicam os conhecimentos em sala de aula", explica.

Promover a mudança de hábitos no dia a dia da população é a grande meta do Olhar Verde. "Caso tenhamos o tratamento de esgoto, é fundamental que a população e os empresários saibam o que pode e o que não deve ser descartado na rede. Caso contrário, as estações de tratamento terão o dobro de custos operacionais", aponta Malandrino.

O diretor regional do Ciesp conta também sobre o projeto de um Censo Empresarial, que, em parceria com órgãos do poder público e da CPFL Paulista, fará o levantamento de todo o setor econômico formal e informal no município. "Será um projeto inédito no País, com papel importante rumo ao desenvolvimento sustentável de Bauru", explica.

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Esgoto x certificação estadual


Bauru não pode ser certificada com o Selo Verde e Azul do governo estadual porque não cumpre um dos principais requisitos exigidos: tratamento de 100% do esgoto. De acordo com o prefeito, Rodrigo Agostinho, o município tem que atingir essa meta até 2014 por conta de acordo com o Ministério Público.

"Caso não consigamos dinheiro a fundo perdido com o Estado ou à União, vamos ter que optar pelo financiamento ou pela concessão desse serviço a uma empresa privada a partir de licitação. Mas o primeiro passo agora é apresentar o nosso projeto que está sendo desenvolvido ao Ministério das Cidades", explica.

A obra para que todo o esgoto de Bauru seja tratado precisa do investimento de R$ 117 milhões. Atualmente, o Departamento de Água e Esgoto (DAE) arrecada cerca de R$ 1 milhão todos os meses através do Fundo Municipal de Esgoto, pago pelos munícipes junto com a conta de consumo de água, o que, segundo o prefeito, abateria em torno de um terço do custo total da obra. Rodrigo afirma também que a estação de tratamento do Gasparini está em fase de pré-operação e deve tratar 10% do esgoto produzido pelo município.

Para o diretor regional do Ciesp, Domingos Malandrino, essa questão é uma prioridade e Bauru deve encontrar o meio menos oneroso para executar essa obra. "O Ciesp não é a favor da terceirização nem do tratamento do esgoto nem da água", afirma.

O prefeito faz questão de frisar, no entanto, que essa opção não representa qualquer tipo de relação com a privatização do DAE, à qual se posicionou contrariamente durante a campanha eleitoral de 2008.

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