Será que a velha máxima que indica que o ano só se inicia após o carnaval é verdadeira? Penso que não. O ano começou a todo vapor. Nova presidente da República, posse dos políticos eleitos no ano passado e muitas discussões políticas.
No ambiente econômico o ano iniciou com pressão sobre os preços. Com receio de perder o controle da inflação, o governo cortou gastos, aumentou a taxa de juros básica e centra esforços em conter a demanda interna.
Além destes aspectos vieram IPVA, IPTU, matrícula escolar, material escolar, fatura do cartão de crédito das férias e gastos de final e início de ano.
No ambiente externo, conflito do Egito e Líbia, entre outros. Barril do petróleo ultrapassando US$ 100. As atividades escolares já tiveram início e o conteúdo desenvolvido em sala de aula já se acumula.
Quem pensa que o ano só começa agora está muito enganado. Os fatos estão presentes e vida segue firme e intensa. Já encontro colegas que se sentem cansados, como se já estivessem no final do ano. É o preço de fazer parte da engrenagem do mundo moderno. É aquela história que se parar de pedalar a bicicleta cai. Uma verdadeira roda viva.
No ambiente empresarial as projeções para o ano já estão revistas e quem esperou chegar neste momento para dar um rumo diferente aos negócios está muito atrasado.
Na prática, não há mais espaço para vincular o realizar, o tomar atitudes, o fazer diferença, em datas específicas.
Da mesma maneira que a internet abriu um mundo de possibilidades, 24 horas por dia, 30 dias no mês e 365 dias no ano, a rotina de trabalho, de decisões e realizações deve acompanhar este ritmo. Foram mais de 68 dias muito intensos e que deram o tom dos grandes desafios que enfrentaremos neste ano, tanto no particular como no coletivo.
Se você está entre aqueles que apostaram no início do ano a partir de agora, terá que criar condições de se alinhar com aqueles que se tocaram o ano começou e faz tempo. De qualquer maneira, não custa nada desejar um feliz ano novo, afinal, desejar coisas positivas não tem data específica. Então, feliz ano novo a todos!
O autor, Reinaldo Cafeo, é economista e articulista do JC