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Professora cria música sobre a dengue

Por Bruna Dias | Colaborou Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 6 min

"É o fim da picada". Esse é o título da música educativa que a professora Rúbia Carla Donda Silva, 25 anos, atuante em Bauru, compôs para poder transmitir aos seus alunos como evitar a procriação do mosquito Aedes aegypti e, consequentemente, prevenir a dengue.

Gravada em 2007, a música torna-se uma importante arma de conscientização num momento em que Bauru sofre com uma epidemia da doença. Ontem, a Secretaria Municipal de Saúde confirmou mais 30 casos de dengue na cidade, elevando para 485 o total de registros neste ano - sendo apenas três importados.

O trabalho da professora foi registrado em sua autoria e gravado em um estúdio na cidade de São Paulo, ainda em 2007, com uma melodia que traz traços de rap e hip hop bastante animados.

Tudo começou quando Rúbia ainda estudava no antigo Centro Específico de Formação e Aperfeiçoamento do Magistério (Cefam), em 2002. Ela e outros colegas participaram de um concurso de canções sobre a dengue promovido pelo Cefam e a prefeitura da cidade de Jales, onde a professora residia na época.

"Eu fiz a letra da música para participar de um concurso. Na minha cidade, Jales, tinha o Dia de Combate à Dengue, então foi feito um campeonato entre as turmas do Cefam para premiar as três melhores letras, e a minha estava entre as premiadas", contou a professora.


Determinação


Pouco mais tarde ela começou a cursar faculdade na cidade de Marília, e logo que iniciou sua atuação como professora em 2006 já incluiu em seu plano de aulas a música sobre a dengue.

Foi por um incentivo da tia de seu marido, que mora em São Paulo, que Rúbia resolveu consolidar a sua composição em um estúdio e gravar a música, que já foi concebida com a melodia.

"Foi por incentivo da tia do meu marido que eu resolvi gravar a música. Gastei R$ 800,00 com o estúdio em São Paulo com dinheiro próprio. Como era um trabalho que eu fiz com tanto carinho, eu não queria que mais para frente alguém tomasse como seu. Além disso, precisava que um maestro fizesse uma partitura, que eu não sabia fazer. Agora eu levo o CD para a sala de aula. Antes eu tocava no violão", contou.

Rúbia, professora efetiva de escolas estaduais do 1º ao 5º anos - séries iniciais do ensino fundamental -, agregou a letra da música às diversas frentes em que leciona. A jovem professora de Bauru, que demonstra um enorme amor pela profissão, explica que a canção faz os alunos trabalharem a leitura, escrita e reflexão ao mesmo tempo.

"Depois que eu comecei a trabalhar como professora, todo ano, quando eu trabalho o conteúdo da dengue, eu utilizo a letra da música. É um assunto muito importante que dá para abranger diferentes áreas com os alunos", frisou.

Nesta segunda-feira, a Prefeitura de Bauru dará início à megaoperação de combate à dengue, sob a coordenação da Secretaria Municipal de Saúde. O objetivo principal é eliminar focos de larvas do mosquito Aedes aegypti, transmissor da doença, e evitar o aumento dos casos confirmados no município.

Os primeiros bairros a as ações, inclusive com nebulização, serão Jardim Prudência, Vila Nova Esperança, Vila Industrial e Núcleo Edson Francisco, região onde se concentra a maioria dos casos de dengue confirmados em Bauru.

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Em busca de apoio


A professora Rúbia Carla Donda Silva, 25 anos, já procurou incentivo junto à Secretaria Estadual de Educação para que sua música seja aplicada por outros professores em sala de aula, mas não obteve retorno. "Quando eu liguei, eles me disseram que esse trabalho era terceirizado, mas também não explicaram como eu teria que fazer", pontuou.

Em Bauru ela também tentou expandir sua ideia em um evento do qual participavam agentes de controles de endemias. "Teve um projeto da Secretaria da Saúde aqui em Bauru em que os agentes apresentaram uma peça de teatro em uma outra escola em que eu trabalhei. No final da peça eu apresentei a música para eles, que eu tinha ensaiado com os meus alunos. Dei uma cópia do CD para eles, mas nunca mais eu tive retorno", finalizou.

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Casos de dengue caem 93% no Estado


Balanço da Secretaria de Estado da Saúde divulgado ontem aponta que o número de casos de dengue no primeiro bimestre deste ano foi 92,6% inferior ao registrado no mesmo período de 2010.

Os municípios paulistas informaram à Secretaria até o momento, por intermédio do Sistema de Informações de Agravos de Notificação (Sinan), 3.390 casos autóctones da doença em janeiro. No primeiro bimestre do ano passado houve 46.050. As informações são preliminares e sujeitas a revisão.

Segundo os dados informados ao Sinan, Ribeirão Preto concentra 49,9% dos casos confirmados em janeiro e fevereiro, seguida por Bauru, com 7,1%, Araraquara, com 3,4%, e Santa Fé do Sul, com 2,8%.

Houve também, no primeiro bimestre de 2011, registro de dois óbitos por dengue no Estado. Um deles, com transmissão importada da Bahia, ocorreu no município de Osasco, na Grande São Paulo. O outro foi registrado em Andradina, na região de Araçatuba.

Ao longo do segundo semestre de 2010 a Secretaria desenvolveu trabalho de capacitação de 6 mil agentes em todo o Estado de São Paulo para aprimorar o trabalho de controle de vetores e atendimento aos cidadãos com suspeita de dengue. Foram realizadas, no total, 51 oficinas, envolvendo 330 municípios considerados prioritários.

Além do trabalho realizado pelo poder público, a Secretaria considera fundamental a mobilização de todos os paulistas, no sentido de removerem possíveis focos do mosquito transmissor da dengue, uma vez que 80% dos criadouros estão no interior das residências.

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Melodia da canção mistura rap e hip hop


"A dengue sai do ovo, depois se transforma em larva, virando um mosquito é que ela nos ataca". De maneira simples e criativa, a professora Rúbia Carla Donda Silva, 25 anos, juntou a letra, que conta todo o desenvolvimento da dengue incluindo a transmissão ao ser humano, a um ritmo alegre que mistura rap e hip hop.

A voz da canção é da própria Rúbia. "É uma melodia bem legal. Os alunos gostam bastante. Eles acabam decorando a música e transmitindo para outros colegas, pais e irmãos. A iniciativa é melhor do que um texto informativo que fica massante e a criança acaba esquecendo. A música eles não esquecem. Têm alunos de outros anos que, quando me encontram, sempre me perguntam: ?E aquela música da dengue professora??", acrescenta.

O título "É o fim da picada" possui duplo sentido. Segundo Rúbia, é o fim da picada para o mosquito Aedes aegypti, literalmente, e também é o fim da picada as pessoas deixarem que a dengue se alastre como vem acontecendo atualmente em Bauru.

Neste ano, a música ainda não foi trabalhada em sala de aula pela professora por conta do calendário de avaliações. Mas a inclusão da canção no programa dos alunos será no dia 22, Dia Mundial da Água.

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