Trípoli - A Líbia anunciou ontem a suspensão das relações diplomáticas com a França, o único país ocidental a reconhecer oficialmente o conselho rebelde que luta para tirar Muammar Gaddafi do poder. "Hoje foi tomada a decisão de suspender as relações diplomáticas com a França", disse o vice-chanceler líbio, Khaled Kaim, em Trípoli. "Está claro que o governo francês está concentrado em dividir a Líbia."
A França e outros líderes da União Europeia concordaram ontem em analisar todas as opções para tentar retirar Gaddafi do poder, mas evitaram um endosso a alternativas militares, como bombardeios ou a imposição de uma zona de exclusão aérea.
O plenário de líderes da UE não seguiu a proposta feita pelo presidente francês, Nicolas Sarkozy, de reconhecer o conselho nacional, sediado em Benghazi, como legítimo governo líbio. A reunião também evitou abordar a proposta franco-britânica de uma resolução do Conselho de Segurança que autorize a imposição de uma zona de exclusão aérea, o que impediria Gaddafi de usar sua aviação contra os rebeldes.
Obama: EUA e aliados ?apertam laço?
Washington - O presiBarack Obama disse ontem que os EUA e seus aliados estão lentamente "apertando o laço" em torno do líder líbio Muammar Gaddafi e que uma zona de exclusão aérea continua sendo uma opção para pressioná-lo a deixar o poder.
Obama, acusado por críticos de reagir muito lentamente à turbulência na Líbia, disse acreditar que as sanções internacionais, um embargo de armas e outras medidas impostas contra o governo de Gaddafi estejam tendo impacto, e acrescentou que todas as outras opções permanecem sobre a mesa.
Obama disse que o mundo tem a obrigação de evitar que se repitam as atrocidades vistas na década de 1990 nos Bálcãs. Afirmou ainda que a situação na Líbia deve ser observada de perto, e que possíveis medidas serão examinadas caso a caso.
Vários setores cobram uma intervenção mais enérgica dos EUA, incluindo ajuda militar direta a grupos rebeldes que lutam para depor Gaddafi. O mais recente apelo veio do ex-presidente Bill Clinton, que disse que os EUA deveriam impor uma zona de exclusão aérea sobre a Líbia, o que impediria Gaddafi de usar sua aviação contra os rebeldes.
A secretária de Estado Hillary Clinton, esposa do ex-presidente, tem enfatizado a necessidade de aprovação da ONU para uma intervenção na Líbia. Obama disse que a zona de exclusão aérea será discutida pela Otan na próxima terça-feira, mas que qualquer envolvimento militar dos EUA deve ser considerado com cuidado.