Normalmente, os profissionais que trabalham à noite recebem caixinhas mais generosas, isso porque os momentos de lazer desfrutados pela maior parte de quem procura os serviços de bares e restaurantes permitem descontração e até a valorização dos serviços prestados. Por outro lado, para os profissionais que atuam em estabelecimentos frequentados com mais assiduidade e por necessidade, como acontece com frentistas e taxistas, as gorjetas costumam ser de menor valor, mas não menos importantes para quem as recebe.
Exemplo disso é a motociclista Inês Goes, que trabalha há três anos com entrega de comida pronta. "Há pouco tempo, eu entregava pizza à noite e hoje entrego marmitas no horário do almoço. O que percebo é que as pessoas costumam ser mais generosas com os entregadores que trabalham à noite. Minha maior gorjeta veio de uma corrida sob a chuva. Acho que ficaram com pena de mim e, por isso, me deram R$ 10,00. Mas normalmente, essa quantia não passa de R$ 1,50. Uso o dinheiro para comprar cigarros", diz a motociclista, que ainda afirma gostar muito da profissão pelo prazer de liberdade que representa.
"Já cheguei a receber R$ 20,00 de um único cliente, mas isso é raro. O comum mesmo é receber R$ 2,00, o que totaliza aproximadamente R$ 12,00 ao dia e R$ 140,00 ao mês, dinheiro que vai direto para as contas de luz e água", ressalta o frentista Valdeir Francisco da Silva.
E engana-se quem acredita que os donos dos carros mais valiosos são os mais generosos. De acordo com o frentista, nem sempre é assim. Valdeir conta que a gorjeta é dada de acordo com a satisfação do cliente e independe da classe social do motorista. Portanto, em um "Fusquinha" ou em um Volvo, o que vale é a generosidade.
Recepcionista de um dos hotéis mais tradicionais da cidade, Luiz Germano Ceron trabalhou antes como mensageiro e também se diz contente com a generosidade dos clientes. Tradicionalmente, os hóspedes costumam oferecer caixinhas como forma de agradecimento à gentileza dos mensageiros, cujas funções, além de outras, incluem carregar malas e abrir portas. "Recebo uns R$ 200,00 de gorjetas ao mês. Não junto tudo para somar no fim do mês, mas esse dinheiro me ajuda bastante com as pequenas contas do dia a dia. Não fico com o bolso vazio".
Khalil Kyrillos Obeid é gerente de eventos no hotel da família. Ele ressalta que o primeiro princípio da hotelaria tradicional é que o estabelecimento seja a extensão da casa do cliente. Assim, segundo ele, quanto mais atencioso o colaborador for, maior será o retorno do cliente, o que ocorre de forma natural e agradecida.
De táxi
O taxista Cícero Lima Dourado acredita que o bauruense não tem o hábito de dar caixinha ao motorista de táxi. E vai além: ele afirma que é preciso divulgar mais as vantagens de se "tomar" um táxi. "As pessoas acham que as corridas são caras, mas algumas coisas precisam ser levadas em conta. Por exemplo, podemos levar até quatro pessoas que podem dividir entre si o valor da corrida. Assim, além de ser mais seguro e confortável, é mais barato pagar um táxi do que um ônibus circular", compara. "E se acham caro o serviço, imagine se ganhamos gorjetas? Dificilmente isso acontece. Na maioria das vezes, as pessoas fazem questão de trocos pequenos, coisas de centavos mesmo", pontua.
Vítor Moreira Tallão é presidente do Sindicato dos Taxistas, Caminhoneiros e Transportadores Autônomos de Bauru. Ele salienta que, geralmente, os passageiros de táxi que dão gorjetas são clientes fixos devido ao vínculo criado com o motorista, ou seja, aquelas pessoas que usam o serviço toda semana ou mensalmente.