Tribuna do Leitor

DESPUDOR QUE ENVENENA


| Tempo de leitura: 2 min


Após o já habitual e tardio recomeço das atividades legislativas no meio de fevereiro, fica patente o que há décadas acompanhamos: o horário de trabalho dos deputados para aquilo que deveriam mostrar à sociedade é inversamente proporcional ao que fazem nos porões do Congresso.

Desde quando a presidente Dilma começou a montar seu governo, os partidos da base aliada, sempre sob o auspício presidencial, iniciaram uma disputa ferrenha dos milhares de cargos que são distribuídos conforme as "cotas" partidárias. É uma completa calamidade! O que se vê são gangues partidárias e bandos assemelhados disputando milhares de cargos como se disputam pontos de tráfico no Morro do Alemão, sem a mais remota preocupação se os indicados têm noção da responsabilidade ou conhecimento técnico para a área a ser tomada de assalto.

Vivemos a triste constatação humana do "no Brasil é assim mesmo" e, a cada troca de comando, só nos resta esperar que a coisa fique ainda pior. E fica, com ou sem Tiririca! Cargos de relevante importância para a gestão do país são entregues de "porteira fechada" aos partidos ou àquela turminha, desde que tenham o compromisso "ético" de votar com o governo naquilo que interessar ao governo, mesmo que a ética humana vá para os ralos.

Discutem-se abertamente cifras (orçamento de $ 10 bi ao partido X, de $ 13 bi ao Y, e assim vai) numa bolsa de valores macabra, à luz do dia, como se fosse a atividade mais normal do mundo e como se não soubéssemos que, por trás destes grupos, não existissem centenas de empreiteiros e políticos corruptos ansiosos por participar do butim.

E, para manter ares de democracia, mantêm-se as eleições para que a culpa recaia no eleitor "que nunca sabe escolher seu representante". Este é o despudor que envenena a República.


Ivan Garcia Goffi - advogado

Comentários

Comentários