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Dr. Automóvel: Fazendo um jipe

Consultoria: Celso Sacomandi
| Tempo de leitura: 4 min

Por que dizer "fazendo um jipe"? Afinal, jipe não se compra pronto? Claro que sim. O problema é que a palavra jipe (que é uma tradução brasileira para a palavra Jeep, uma marca registrada) tornou-se um genérico de qualquer veículo com aptidão fora de estrada. Chama-se SUVs urbanos de "jipões" e até veículos de rua enfeitados com parachoques e suportes de estepe como VW CrossFox, Ford Ecosport e Fiat Adventure de "jipinhos urbanos", uma total descaracterização dos verdadeiros jipes 4x4 como os Willys, Toyota, Mitsubishi, Land Rover, Engesa, Troller, Agrale Marruá, dentre outros. Só que para comprar um verdadeiro veículo 4x4 novinho em folha com reduzida, chassis independente da carroceria, suspensão de longo curso, transmissão e motor parrudos, custa uma fortuna. Ainda mais se for querer enfiar o veículo em trilhas apertadas e buracos alagados, esta decisão pesa muito. A solução é comprar um jipe usado, de preferência caindo aos pedaços para ser barato, e "fazê-lo" novamente a seu gosto. É importantíssimo saber compatibilizar os diversos equipamentos como motor, conjunto de transmissão, suspensão e rodas para uma perfeita interação entre eles. É aqui que entramos.

Primeiramente, temos que ter em mente o tamanho da encrenca em que estamos nos metendo. Vai ser difícil encontrar os equipamentos e componentes ideais que vamos instalar, então antes de iniciar a procura sugiro que se faça um planejamento adequado do que estamos querendo como resultado final. Por exemplo, se for um jipe para um passeio no final de semana, o ideal é mantê-lo o mais original possível, pois ele já era bom assim. Motor a gasolina, câmbio original, pneus estreitos, tudo funcionava bem quando era novo, só ficou velho e deve ser restaurado. Agora, se quiser colocar o jipe para valer em uma trilha, teremos que incrementar mais seu desempenho. Um motor diesel seria ideal, pois não depende de parte elétrica para funcionar, portanto permite atravessar alagados com mais segurança do que um motor convencional a gasolina ou álcool. Só que o torque do motor diesel é muito maior do que um equivalente a gasolina, portanto a embreagem e o câmbio deverão ser redimensionados e substituídos também. Da mesma forma, a rotação de um motor diesel é menor do que a alcançada por um a gasolina, o que implicará na velocidade final menor em estrada.

Vemos assim que podemos programar os resultados de acordo com nosso objetivo final. Por exemplo, se precisamos de muita força na trilha, um motor diesel e uma transmissão com reduzida darão conta do recado. Para deslocamentos em estrada (afinal, para chegarmos a uma serra ou trilha difícil, temos que rodar no asfalto primeiro), seria extremamente desgastante viajar a 80 km/h com o motor berrando em 5ª marcha... Então, vamos compatibilizar a transmissão final, ou seja, os diferenciais (dianteiro e traseiro) e os pneus. Caso tenhamos torque de sobra no motor, devemos calcular qual seria o diâmetro ideal dos pneus para chegarmos a uma velocidade compatível com a altura e peso do jipe modificado. Não precisa sonhar em chegar a 180 km/h com seu jipe, mas 110 seria um bom valor para viagens tranqüilas e seguras. Meça o diâmetro externo de seus novos pneus e calcule o perímetro. Com a rotação máxima do motor na última marcha, sabendo sua relação de engrenamento, a final do diferencial e o perímetro do pneu, teremos a velocidade máxima possível de ser alcançada. Caso esta não seja a ideal, podemos alterar os pneus ou a relação do diferencial, até chegarmos a um valor adequado.

Continuando a compatibilização, vamos supor que já definimos qual seria a roda e pneus ideais para nosso projeto. Será que o conjunto roda-pneu caberá dentro da caixa de roda original do veículo? Aí entra a altura da suspensão. Para serviço mais pesado, deveremos usar molas ou feixes de mola mais reforçados e consequentemente, tudo o que estiver relacionado a eles. Podemos alterar a altura da suspensão com arqueamento do feixe ou jumelos mais altos, por exemplo. Os amortecedores deverão ter curso mais longo e os braços da direção deverão ser compatíveis com a nova articulação. Vemos que uma coisa sempre estará conectada a outra, por isso recomendo um estudo prévio do que realmente quer antes de sair comprando peças e colocando a esmo. Oficinas sérias como nosso parceiro Oliveira 4x4 fazem um serviço criterioso e bem feito, dando segurança ao comprador. Quem precisar de orientação para projeto, montagem, componentes e acessórios, pode entrar em contato que ajudo com prazer.

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