Cultura

Viagens pelo tempo

Karla Beraldo
| Tempo de leitura: 3 min

Em busca de sua identidade, a filha de um casal de imigrantes libaneses tenta voltar às suas origens por meio da memória e da imaginação. Esse é o enredo do espetáculo "As Folhas do Cedro", encenado hoje, às 21h, no Serviço Social do Comércio (Sesc), pela Companhia Teatral Arnesto nos Convidou. A cidade é o primeiro ponto de parada da peça, que voltou a viajar pelo Estado depois da estreia e temporada paulistana no ano passado. A entrada á gratuita.

O texto e a direção são assinados por Samir Yazbek. O autor é filho de libaneses e buscou inspiração em sua ascendência, além de nas histórias de outras famílias de imigrantes de diversas nacionalidades. "Ele esteve no Líbano refazendo todo o percurso de sua família e essa referência pessoal do autor deu ao espetáculo um impulso emocional muito forte", comenta o ator Hélio Cícero sobre o quarto trabalho feito em parceria com Yazbek.

Apesar da ligação com sua história, o autor esclarece que a peça não é autobiográfica. "É uma obra de ficção a partir de um universo pessoal, uma meditação sobre temas que me interessam", explica em material de divulgação. Para Cícero, além da força emocional e da grande quantidade de libaneses no Brasil (no País, a comunidade libanesa, entre imigrantes e descendentes, soma mais de seis milhões), o diferencial de "As Folhas do Cedro" está na forma de como são expostas as relações.

"É um espetáculo poético de muita simplicidade. Não há exageros, é tudo centrado nas relações entre as pessoas, do imigrante com seus familiares, da relação entre pais e filhos e tudo isso cria um magnetismo com a plateia", comenta Cícero sobre a peça, ganhadora do Prêmio APCA (2010), na categoria melhor autor.

"Apesar de não ter, necessariamente, uma preocupação histórica, o espetáculo coloca, de maneira sintética, o que é um ser sair da sua terra e ir para um lugar desconhecido", completa.

Além de Cícero, integram o elenco os atores Daniela Duarte, Douglas Simon, Gabriela Flores, Mariza Virgolino, Rafaella Puopolo e a pequena Marina Flores, de nove anos.

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Viagem


A história de "As Folhas do Cedro" é narrada pela filha de um casal de imigrantes libaneses, na São Paulo de hoje. Em busca de sua origens, ela transporta-se ao Amazonas, nos anos 1970, época em que a mãe fora buscar o marido que trabalhava como empreiteiro de obras na construção da estrada Transamazônica, durante a ditadura militar.

Identificada com a busca da mãe, a filha procura desvendar a figura do pai e confronta-se com as demais personagens. Segundo material de divulgação, a peça contrapõe o progresso - representado pelo pai - à tradição - representada pela mãe.

A filha procura se integrar entre esses dois extremos. A personagem menina representa a ancestralidade da filha: ora é a própria, ora a Mãe, ora os antepassados da família, que viveram no Líbano.

? Serviço

Espetáculo "As Folhas do Cedro" hoje, às 21h, no Sesc (avenida Aureliano Cardia, 6-71). Entrada gratuita. Mais informações pelo telefone (14) 3235-1750.

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