Internacional

ONU aprova uso da força militar na Líbia


| Tempo de leitura: 4 min

Nova York - O Conselho de Segurança da ONU aprovou a criação de uma zona de exclusão aérea na Líbia, abrindo espaço para ações militares contra as forças ligadas ao ditador Muammar Gaddafi.

A medida foi aprovada por 10 dos 15 membros do organismo. Os demais (entre eles, a China e a Rússia, que têm poder de veto) decidiram se abster, assim como o Brasil.

Antes da votação, a embaixadora dos EUA na ONU, Susan Rice, disse que o CS estava preparado para analisar medidas que incluíam a zona de exclusão aérea, mas que "talvez fossem além??, já que a proposta tem limitações na proteção da população civil.

"A resolução é uma resposta poderosa às necessidades urgentes no terreno."


Ajuda aos rebeldes


Com o endosso, as forças militares dos EUA, da França e do Reino Unido iniciaram a preparação para agir na defesa dos rebeldes líbios.

Segundo autoridades dos EUA, o Pentágono já estava nos detalhes finais nos planos para ataques contra as forças aéreas líbias e também contra alvos no solo.

Entre as opções estudadas, estava o uso de aviões para atacar tanques e infantarias ligadas a Gaddafi.


Ataques


Segundo a secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, a criação da zona de exclusão aérea implica ataque a alvos no território líbio.

"Ela exige certas ações para proteger os aviões e os pilotos", disse, na Tunísia.

A pressão para que os 15 membros do CS tomasse novas medidas vinha crescendo à medida que as forças de Gaddafi foram retomando o controle do território líbio e intensificando seus ataques contra a população civil.

Ao explicar o seu voto, o Reino Unido afirmou que a resolução anterior do CS, adotada no fim de fevereiro, não teve os efeitos esperados já que Gaddafi continuou a atacar a população civil.


Sem perdão


Um dos exemplos usados pelo governo britânico foi o discurso feito por Gaddafi ameaçando a população de Benghazi.

O pronunciamento do ditador, horas antes da votação na ONU, afirmou que as suas forças iriam invadir ainda hoje Benghazi e que não haveria "perdão?? para quem demonstrasse resistência.

"Não haverá mais medo, não haverá mais hesitação, a hora da verdade chegou."


Itália oferece bases


A Itália está pronta para disponibilizar suas bases militares para garantir o cumprimento da resolução do Conselho de Segurança da ONU. A base aérea de Sigonella, na Sicília, que fornece apoio logístico à Sexta Frota do Estados Unidos, é uma das bases da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) mais próximas à Líbia e poderá ser usada em qualquer ação militar.

____________________

Brasil se absteve em votação


Nova York - A embaixadora Maria Luiza Viotti justificou a abstenção dizendo que o Brasil não está convencido de que o uso da força levará à proteção de civis, mas que terá, ao contrário, o efeito de exacerbar as tensões.

O voto brasileiro vai contra a expectativa de uma mudança radical na política externa do país relativa aos direitos humanos.

A aprovação da resolução ganhou força depois que os EUA indicaram seu apoio. Até hoje, Washington vinha se mostrando reticente quanto à eficácia da medida.

____________________

"Limparemos Benghazi, sem piedade", diz Gaddafi


Trípoli - O líder líbio Muammar Gaddafi ameaçou ontem invadir "sem misericórdia nem piedade" a cidade de Benghazi, segunda maior do país e reduto do movimento rebelde que tenta derrubá-lo.

"Vamos chegar rua a rua, casa a casa, quarto a quarto", disse Gaddafi em um pronunciamento por rádio dirigido a Benghazi, que fica no leste do país.

Resolução aprovada pelo CS da ONU de uma zona de exclusão aérea sobre a Líbia, o que poderá aumentar drasticamente o envolvimento internacional militar no conflito.

A TV Al Jazeera mostrou milhares de moradores em uma praça central da cidade, celebrando o resultado da votação da ONU. A multidão agitava as bandeiras tricolores que identificam a oposição, gritavam palavras de ordem contra o governante e soltavam rojões.


Ameaça


Já o Ministério da Defesa líbio promete retaliar caso as tropas pró-Gaddafi sejam alvo de ataque de forças estrangeiras.

"Qualquer ação estrangeira contra a Líbia vai expor todo o tráfego aéreo e naval no mar Mediterrâneo ao perigo e (instalações) civis e militares serão alvo de contra-ataques da Líbia", disse a nota.

Gaddafi já havia alertado que só quem depuser suas armas será poupado da vingança imposta aos "ratos e cães."

"Acabou. Está decidido. Estamos chegando hoje à noite (quinta-feira)", disse Gaddafi, cujas tropas estão a cerca de cem quilômetros da cidade. "Vamos encontrá-los dentro dos seus armários. Não teremos misericórdia nem piedade."

Apesar de aprovadas as resoluções ontem, o tempo claramente está se esgotando para os rebeldes de Benghazi, cidade com 670 mil habitantes. Moradores disseram que a aviação de Gaddafi realizou três bombardeios ontem, e que houve violentos combates na estrada costeira pela qual as tropas do governo avançam.

O chefe do Conselho Nacional instituído pelos rebeldes em Benghazi, Mustafa Abdel Jalil, disse à Al Jazeera que os bombardeios estrangeiros seriam essenciais para conter as forças de Gaddafi.

"Estamos firmes. Não vamos nos intimidar por mentiras e acusações ... Não aceitaremos nada senão a libertação em relação a esse regime", afirmou ele.


Povos árabes temerosos


Muita gente no mundo árabe considera que uma vitória de Gaddafi sobre os rebeldes representaria um ponto de inflexão na atual onda de rebeliões da região, que já levou à derrubada dos governos da Tunísia e Egito, e motiva protestos também no Barein, Iêmen e outros países.

Comentários

Comentários