Por conta dos inúmeros problemas e da total insatisfação da população em relação ao atendimento público na área de saúde, o prefeito Rodrigo Agostinho prevê reformas nas instalações do Pronto-Socorro Central (PSC) de Bauru. As obras deverão ser executadas logo que três das quatro Unidades de Pronto-Atendimento (UPA) ficarem prontas. Segundo a assessoria de imprensa da prefeitura, a previsão é de que essas unidades estejam funcionando no fim de abril.
Os problemas no PSC não são recentes. Há meses o JC vem noticiando o drama de pessoas que esperam horas e horas em busca de atendimento. Muitas daquelas que conseguem, acabam ficando em macas nos corredores do local pela ausência de quartos.
Ontem mesmo, uma jovem procurou a reportagem para denunciar que sua irmã, de apenas 10 anos, estava com febre alta e esperava atendimento há mais de três horas.
Em entrevista à emissora Record na inauguração de uma praça ontem, Agostinho disse que o PSC passará por reformas logo que as UPAs estiverem funcionando. "Assim que as UPAs forem abertas, o Pronto-Socorro Central vai ser fechado para uma reforma geral", declarou.
De acordo com a assessoria de comunicação da prefeitura, três dessas unidades devem começar a atender dentro de 40 dias. Elas estão localizadas no Jardim Bela Vista - a maior delas -, no Núcleo Mary Dota e na Vila Ipiranga.
Já a quarta unidade, que ficará no Núcleo Geisel, ainda nem começou a ser construída, sendo que a previsão de inauguração é somente para o fim do ano. A assessoria de comunicação, porém, aponta que, com o funcionamento dessas três UPAs, o atendimento já poderá ser deslocado do PSC.
A previsão inicial era de que essas UPAs ficassem prontas no fim ano passado. Entretanto, as empresas responsáveis pelas respectivas construções solicitaram prorrogações nos prazos de entrega das reformas para o primeiro trimestre deste ano.
Ainda de acordo com a assessoria, não há quaisquer previsões do início das obras no PSC e por quanto tempo o local ficará fechado. A assessoria de comunicação explica que a administração sabe que a instituição precisa de reformas urgentes nas instalações, porém, adianta que é necessário planejamento e, inclusive, a elaboração de um projeto para a realização dessas obras de melhorias.
Em cada uma das UPAs, a população poderá ser atendida em problemas como pressão alta, febre, cortes, queimaduras e alguns traumas. Haverá ainda primeiros socorros para casos mais graves como infarto ou acidente vascular cerebral (AVC).
A promessa é de que sejam disponibilizados serviços de raio X, laboratório para exames, aparelho de eletrocardiograma e atendimento pediátrico. Além da construção das instalações, a verba para equipar e manter em funcionamento as UPAs de Bauru virá do Fundo Nacional de Saúde (FNS) diretamente para o Fundo Municipal de Saúde (FMS).
PS Bela Vista fechado
Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, o PS Bela Vista novamente terá o funcionamento suspenso durante este fim de semana. A suspensão começou ontem às 19h e prossegue até as 7h de segunda-feira. Enquanto isso, todos os atendimentos de urgência e emergência, mesmo com todos os problemas já citados do local, serão concentrados no PSC.
Apesar da suspensão dos atendimentos, a assessoria de comunicação da prefeitura informa que uma ambulância e profissionais de enfermagem estarão disponíveis no Bela Vista caso haja necessidades de primeiros socorros.
Situação do PS B. Vista é debatida em reunião
Com o objetivo de angariar soluções momentâneas ao atendimento de urgência e emergência preocupante do PS Bela Vista, o secretário municipal da Saúde, Fernando Monti, se reuniu com membros da sociedade civil nesta semana. Ontem ele esteve com o presidente da OAB/Bauru, Caio Augusto Fernandes, acompanhado do coordenador da Comissão de Direitos Humanos, Gilberto Truijo, e apresentou a situação da unidade.
No dia anterior, o secretário convidou para uma reunião o Conselho Gestor da Unidade do Bela Vista e representantes do Conselho Municipal de Saúde, sem que tenha comparecido nenhum representante do Conselho Gestor da Unidade. Em ambas as reuniões, Monti reafirmou não existir qualquer intenção de privatização de unidades de saúde da rede municipal e aproveitou para informar sobre ideias da instituição da Fundação Pública Intermunicipal.
"O principal objetivo dessas medidas que estão sendo adotadas pelo poder público é a solução dos problemas pontuais apresentados pelo serviço de Urgência e Emergência visando o atendimento às necessidades da população", aponta Monti.
O secretário também falou sobre as UPAs, que segundo ele, amenizarão o problema dos reduzidos espaços físicos nas instituições de saúde da cidade. "O Programa Saúde da Família também será ampliado de sete para 33 equipes. Estamos atuando em várias frentes, ao mesmo tempo, buscando a melhoria do sistema de saúde em Bauru."