Neste 22 de março comemoramos o Dia Mundial da Água. Nada mais confortável que abrir a torneira e encontrar água limpa e em abundância. Isto é tão natural em nossa vida que só quem não tem isto pode avaliar a importância de poder contar com este precioso líquido, sem fazer nenhum esforço.
Embora saibamos de onde vem a água, dificilmente pensamos nisto ao abrir uma torneira. A água que recebemos em casa vem de um rio que ainda não foi poluído ou do subsolo: dos famosos aquíferos. Outra coisa que sabemos, mas nem sempre nos preocupamos, é que a água que entra limpa em nossa casa ou qualquer outro ambiente urbano sai em forma de esgoto, tendo como destino novamente um rio. Evidentemente, sem o devido tratamento, nossos dejetos irão contaminar as águas do rio que os recebe, tornando-as indisponíveis para o consumo humano.
Adicionado a isto, temos a contaminação de nossas águas superficiais e aqüíferos por agrotóxicos e efluentes industriais e pecuários, em especial da suinocultura. Não é preciso um grande exercício lógico para concluir que, sem medidas drásticas para reversão desta situação e considerando o aumento das populações humanas e de animais domésticos, em um tempo relativamente curto o prazer de abrir as torneiras e encontrar água limpa vai ficar restrito a um número bem menor de indivíduos.
Para muitos, os cuidados com o meio ambiente e certas medidas aconselhadas por ambientalistas passam a ser um retrocesso no conforto trazido pelo progresso, tais como a facilidade proporcionada pelos descartáveis, pela impermeabilização do solo urbano, além do desmatamento para construção de novos loteamentos ou cultura agropastoril, só para citar alguns exemplos. Por outro lado, os grandes desastres ambientais vêm assustando e levando-nos a rever conceitos.
Sem dúvida nenhuma, todo conforto que o desenvolvimento nos trouxe vai por água abaixo (desculpem o trocadilho) se não pudermos contar com água potável. Para se ter água potável para as presentes e futuras gerações temos que rever com urgência nossas posições ambientais. Temos leis que visam a saúde ambiental. Nossa própria Constituição garante a todos um meio ambiente equilibrado, necessário à sadia qualidade de vida. Entretanto, a aplicação e fiscalização dessas leis não é uma tarefa fácil enquanto a população em geral não entender que nosso conforto está atrelado a uma série de comportamentos interligados e que nossas ações não podem perder de vista as condições que nos assegurem uma qualidade de vida a longo prazo.
Ao abrir a torneira de sua casa hoje, pense qual está sendo sua colaboração, para que a água continue a jorrar com abundância e qualidade. "Declaração Universal dos Direitos da Água: Art. 1º - A água faz parte do patrimônio do planeta.Cada continente, cada povo, cada nação, cada região, cada cidade, cada cidadão é plenamente responsável aos olhos de todos."
A autora, Maria Helena Beltrame, é secretária executiva do Instituto Ambiental Vidágua