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Cidades lembram Dia Nacional do Circo


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Rio - Data de nascimento de Abelardo Pinto, Palhaço Piolin, pioneiro na introdução do circo nas artes cênicas no século 19, 27 de março, Dia Nacional do Circo, foi comemorado ontem em diferentes cidades do Brasil.

Em Recife, o Movimento de Teatro Popular de Pernambuco e a Associação de Teatro de Olinda levam artistas para as ruas da Capital com performances teatrais e circenses. Em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, a Fundação de Cultura dedicou a semana ao teatro e ao circo com uma série de atrações até domingo.

No Nordeste, o 5.º Festival Banco do Nordeste das Artes Cênicas conta com espetáculos de teatro, circo e dança em Fortaleza (CE), Juazeiro do Norte (BA) e Sousa (PB) também em homenagem ao dia mundial do teatro.

O Sesc de São José dos Campos também criou programação especial em comemoração ao Dia Mundial do Circo com introdução às técnicas de malabares e acrobacias, espetáculos de mágica e ilusionismo e de artistas circenses.

No Rio de Janeiro, a data foi comemorada na Lapa, no centro, no meio da rua com atividades organizadas pela Rede Brasileira de Teatro de Rua/RJ a partir das 16h. O ator Marcondes Mesqueu é um dos organizadores do evento e apresentou seu personagem, o palhaço Dr. Saca-Rolha Saracura, médico de remédio, chá e benzedura.

"Só o lúdico liberta o homem, leva o homem para a fantasia, sobretudo numa sociedade dura, que não nos dá tempo para pensar e que vem gerando cada vez mais violência urbana. Só a arte é capaz de conter a violência", diz o ator que há anos trabalha com teatro de rua e itinerante.

Em São Paulo, pessoas fantasiadas participaram da "Palhaceata" organizada pela Organização de Palhaços Amigos (OPA), na avenida Paulista, região centro-sul da cidade, na manhã de ontem.

A Fundação Nacional de Artes (Funarte) não programou nenhuma atividade especial para a data, segundo o responsável pela Coordenação de Circo da Fundação Nacional de Artes (Funarte), Marcos Teixeira.


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Artistas pedem apoio governamental


Brasília - Artistas e representantes de entidades ligadas ao circo afirmam que mesmo com a concorrência de outras opções de cultura e entretenimento existentes hoje, não falta público aos espetáculos circenses. Ainda assim, eles pedem mais apoio governamental à categoria, principalmente por parte de prefeituras e estados.

Segundo a diretora-presidente da Academia Brasileira do Circo e vice-presidente da União Brasileira de Circos, Marlene Querubim, os cerca de 2,5 mil circos em atividade no País chegam a atingir um público mensal estimado em 1 milhão de espectadores, empregando cerca de 35 mil profissionais diretos.

"O circo é a maior casa de espetáculos do Brasil. Porque ele consegue chegar em lugares onde o cinema, o teatro e outros espetáculos não conseguem", afirma Marlene, que dirige os circos Spacial e dos Sonhos.

A ideia de que o circo um dia possa se tornar inviável por falta de público é descartada pelo presidente da Associação Brasileira de Circo (Abracirco), Camilo Torres. Para ele, apesar das muitas dificuldades, a atividade transmitida de geração em geração não está sequer ameaçada.

"Mesmo com as várias formas de entretenimento hoje existentes, o circo ainda encanta. O lúdico, o imaginário, a fantasia, a graça de um palhaço, a pirueta de um malabarista, o talento de um trapezista ou acrobata ainda são muito fortes e fazem parte do imaginário popular", reclamando, contudo, da falta de uma política nacional que abranja todo o segmento circense e de maior apoio por parte das secretarias municipais de Cultura.

Entre os problemas mais citados pelos vários entrevistados estão a falta de locais apropriados nas cidades onde se apresentam, excesso de burocracia e, consequentemente, da demora na liberação de documentos e na instalação de serviços como água e luz, além dos valores das taxas cobradas.

Administradora do Circo Internazionale di Napoli, Pollyana Pinheiro, reclama da falta de estrutura na maioria das cidades pelas quais passa e dos custos. Outra queixa comum diz respeito aos mecanismos públicos de financiamento da atividade. Para Torres, houve avanços recentes, mas eles ainda são insuficientes. Entre as conquistas, Camilo cita o fortalecimento de prêmios de estímulo às artes circenses, como o Carequinha, da Fundação Nacional de Artes (Funarte), e de programas estaduais de incentivo a artistas e grupos circenses, como os existentes, por exemplo, em São Paulo e Minas Gerais.

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Renovação artística atrai o público


Rio - A constante renovação de números e da própria concepção artística dos espetáculos é a melhor maneira do circo enfrentar a concorrência das novas opções de cultura e entretenimento à disposição do público. Embora afirmem que não falta plateia para os espetáculos circenses, artistas e representantes da categoria reconhecem a importância da atualização para contornar dificuldades como a proibição da presença de animais.

"É importante que os circos se reciclem e busquem a integração com outras manifestações artísticas que já usam muito das técnicas circenses. Devemos procurar incorporar as especificidades de cada uma delas e tornar nosso espetáculo ainda mais atraente", sugere o presidente da Associação Brasileira de Circo (Abracirco), Camilo Torres.

Já para o coordenador da Escola Nacional de Circo da Fundação Nacional de Artes (Funarte), Zezo Oliveira, a atividade já vem sendo reinventada por inúmeros artistas país a fora. Assim como Torres, Oliveira sustenta que a cultura circense ganhou força nos últimos anos e que a classe está mais organizada.

"Hoje já vemos prefeituras e governos interessados em financiar projetos e a comunidade circense tem diálogo permanente com o governo federal e está cobrando mais. Hoje temos uma série de associações, fóruns de discussão. Falta a elaboração de uma política mais geral e consistente para o circo, mas isso é um processo contínuo", afirma o coordenador da única escola federal de formação de profissionais para a área.

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Artistas querem animais em circos,mas ONGs defendem proibição


São Paulo - Diversos Estados e cidades brasileiras proíbem os circos de apresentarem animais em seus espetáculos. Nas localidades em que há previsão legal, os animais são apreendidos e entregues ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), a zoológicos ou a organizações não governamentais (ONGs). Não existe uma lei federal, mas já tramita no Congresso Nacional um projeto de lei que pretende proibir a exibição de animais em circos em todo o País.

A esperança de Marlene Querubim, diretora-presidente do Circo Spacial e da Academia Brasileira do Circo e vice-presidente da União Brasileira de Circos, é que a utilização de animais em circos seja permitida sob regulamentação, como ocorre em alguns países da Europa e também nos EUA. Com a regulamentação, explica Marlene, seria estabelecido o tamanho da jaula para os animais e as formas de adestramento, por exemplo.

Para Marlene, "houve um grande engano" na forma como a questão foi tratada na sociedade. "ONGs mal-intencionadas divulgaram notícias de maus-tratos em circos. Respondo a esta questão da seguinte maneira: existem pais que cuidam bem dos filhos e existem pais que maltratam os filhos. E nem por isso vamos deixar de ter filhos. Existe gente que maltrata e essas pessoas devem ser punidas. Mas não a classe circense. Animais fazem parte da tradição e da história do circo".

Já a Aliança Internacional do Animal (Aila), uma entidade não governamental, sem fins lucrativos e de defesa dos animais, quer a proibição da utilização de quaisquer animais em circos.

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