Bairros

Moradores protestam após tragédia

Por Vitor Oshiro | Colaborou Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 6 min

Cinco "fogueiras" alimentadas por pneus e tudo mais o que se podia encontrar. Além de interditar a via, a altura da fumaça preta, que podia ser avistada a quilômetros de distância, foi a maneira encontrada por moradores de três bairros bauruenses cortados pela rua Laudze Garcia Menezes para chamar a atenção das autoridades e pedir mais segurança. No último sábado, pai e filha morreram atropelados na rua, que funciona como marginal da rodovia Comandante João Ribeiro de Barros, a Bauru-Marília.

Na ocasião, o coletor de recicláveis Valdecir Monteiro, que completou 48 anos exatamente no dia da tragédia, e sua filha caçula Gabriela, de apenas 4, foram atingidos por um Renault Clio conduzido por Joyce Aparecida de Oliveira, 20 anos. Com a morte de ambos, a população, que já viu acidente semelhante no fim do ano passado, revoltou-se pedindo mais sinalização e segurança.

Ontem, o posicionamento revoltoso ficou mais quente, literalmente. Em cinco pontos da rua em questão, os moradores dos bairros Fortunato Rocha Lima, Parque Jaraguá e Jardim Eldorado fizeram barricadas com fogo. Como combustível para as chamas utilizaram pneus, galhos, colchões, panos, entre outros objetos.

Sob os gritos de "queremos lombada" e "justiça a Valdecir e Gabriela" (as vítimas fatais do fim de semana), a população se aglomerava por todos os segmentos da rua. A posição de todos era unânime em pedir obstáculos a fim de reduzir a velocidade dos automóveis que passam pelo local.

Maria Aparecida da Silva tem 23 anos. Desses, 12 viveu em uma residência nas proximidades da Laudze Garcia Menezes. "O movimento de carros é muito grande. E eles passam correndo demais. Existem escolas e igrejas e é muito perigoso. Não aguentamos mais esse tipo de acidente e, por isso, viemos protestar", desabafa.

Segundo ela, o fluxo é constante em diversos horários, porém, há picos de maior movimentação. "O pior horário é depois das 16h e durante todo o fim de semana. Nessas horas, fica um movimento enorme aqui. Como não tem lombada, o povo corre mesmo".

Fátima Benedito Lisboa, 43, mudou-se há menos de um ano para o Parque Jaraguá e já percebeu o tamanho do risco concentrado na via. "Tenho uma filha de 7 anos. Não aguento mais isso. É uma preocupação enorme. Tem carros que passam a 140 km/h. É um absurdo, principalmente porque a quantidade de crianças aqui é muito grande".

A reportagem esteve no local e constatou realmente um grande número de crianças circulando pela rua Laudze Garcia Menezes. Segundo apurado, o limite máximo de velocidade na via é de 40 km/h.

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?Rua morta?

Segundo os moradores, a periculosidade da rua Laudze Garcia Menezes sempre foi uma grande preocupação. De acordo com Solange da Silva, 43 anos, presidente da associação de moradores do Parque Jaraguá, foram feitos vários pedidos de lombadas ao local.

"Faz três anos seguidos que estamos mandando abaixo-assinado e pedindo mais segurança aqui. Mas ninguém faz nada. Pedimos lombada, mas falaram que aqui é uma ?rua morta? e que não precisava. Como não precisa? Nessa área, contando aqui e a rodovia, já foram oito mortes este ano".

A presidente da associação adianta que protestos como o de ontem vão continuar até que uma atitude seja tomada. Para hoje, outra "queima de pneus" está agendada para as 16h na via, em frente a uma igreja no Jardim Eldorado.

Apesar do tom sério do protesto, outra moradora ainda se refere ao problema da dengue em Bauru (leia mais na página 5) para mostrar que a ação não terminou ontem. "Se depender da gente, vamos resolver esse problema da dengue também, porque vamos queimar todos os pneus que estão juntando água parada na cidade", alfinetou Maria Aparecida da Silva.

Solange da Silva, presidente da associação, é ainda mais incisiva ao apontar que, caso algo não seja feito, as ações serão intensificadas. "Se ninguém fizer um obstáculo, nós é que faremos. Se o fogo não resolver, vamos quebrar o asfalto e os carros vão ter que passar mais devagar", completa, em tom de promessa.

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PM e Bombeiros

Por conta do protesto e das barricadas de fogo feitas na rua Laudze Garcia Menezes ontem, cinco viaturas da Polícia Militar (PM) e outra unidade do Corpo de Bombeiros ficaram de prontidão no local. A orientação era apenas preventiva. Segundo os bombeiros, além de haver o perigo da propagação do fogo pelo mato e residências nas proximidades, o fato mais preocupante era a extensa fumaça preta originária dos pneus queimados.

O vento carregou todo resíduo para cima, entretanto, o alerta era para uma possível mudança que levaria a fumaça para a rodovia. Com esse fato - que felizmente não ocorreu -, a visibilidade dos motoristas poderia ser prejudicada e novos acidentes poderiam ter ocorrido.

A PM também, de forma preventiva, acompanhou o protesto à distância. Como foi apenas uma manifestação pacífica, nenhuma atitude foi tomada pelos policiais.

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Emdurb diz que agilizará a instalação de lombadas

Na noite de ontem, o presidente da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb), Nico Mondelli, declarou que será concluído um estudo para analisar os pontos que necessitam de lombadas no local. Todavia, afirmou que "serão pintadas faixas amarelas de sentido duplo na rua" e que vai conversar com o prefeito Rodrigo Agostinho para que "a área seja tratada como prioridade e que seja agilizada a implantação de algumas lombadas na via".

Em relação aos radares, o presidente da Emdurb disse que a possibilidade é remota, pois "não há essa necessidade".

Durante o protesto de ontem, os moradores também exigiram calçadas, uma vez que elas não existem em nenhuma das margens da via. O secretário municipal de Obras, Eliseu Areco, disse que vai analisar a questão para saber de quem é a responsabilidade.

"Ao longo daquela rua, existem três setores envolvidos: os moradores, que são os particulares; a prefeitura e o DER (Departamento de Estradas de Rodagem). Iremos verificar de quem é a responsabilidade em cada parte daquela área para tentar resolver o problema", informou.

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Presidente da Câmara alertou sobre perigov

Em novembro do ano passado, acidente semelhante no Jardim Eldorado, cerca de 300 metros do atropelamento registrado anteontem, resultou na morte de Paola Thamara Silva Zanino, 8 anos.

Na ocasião, a vítima andava pela quadra 3 da rua Pastor Eduardo Alves Leite, quando foi atingida pela motocicleta conduzida por Cláudio Alves Freire Pinto, 19 anos.

Ontem, o caso foi relembrado na Câmara dos Vereadores, onde o presidente da Casa, Roberval Sakai (PP), contou já ter alertado sobre a questão. "15 dias antes da morte da Paola, em novembro do ano passado, eu solicitei à Emdurb a construção de um obstáculo na via (Laudze Garcia Menezes). Infelizmente não foi colocado, e agora, novamente temos vítimas fatais".

De acordo com ele, que utilizou inclusive a tribuna da Câmara para debater a questão, a Emdurb já havia feito um estudo no local, onde foram detectadas deficiências na rua. "Acompanhei a Emdurb em uma análise logo após o acidente do ano passado. Foi detectado que precisava de, ao menos, dois obstáculos e faixa de pedestres. Já passou da hora de resolver o problema", conclui.

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