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Dr. Automóvel: O custo do etanol

Consultoria: Marcos Serra Negra Camerini*
| Tempo de leitura: 4 min

Mais uma boa pergunta ouvida durante a semana, que vou comentar aqui. O etanol, que quando ainda se chamava álcool no posto era bem mais barato (agora ganhou status de commodity internacional...), está com o preço lá em cima. Usineiros alegam que é entressafra, que choveu muito, que atrapalhou a colheita, que o preço do açúcar no mercado internacional está mais vantajoso, enfim desculpas não faltam. E o estoque regulador, para que serve? O que importa realmente é que não se pode mais comprar o combustível vegetal orgulho nacional. Vantagem clara de quem tem carro flex, aliás, a única. Como o preço do álcool está acima dos 70% do da gasolina, deixa de ser competitivo e é vantagem óbvia usar gasolina.

Assisti em um noticiário na TV uma reportagem sobre o assunto, onde um entrevistado disse claramente (tenho certeza que o repórter escolheu o cara a dedo...) "com esse preço do álcool, pra que investir em carro flex?"... Será que o entrevistado não entendeu que não se compra carro flex para consumir álcool, mas sim o combustível que for mais vantajoso no momento? Se for a gasolina, ponha gasolina e rode contente. Se for o álcool o combustível da vez, vale o mesmo. E sem frescuras de ficar ouvindo besteiras de pseudo-entendidos em carros, de que não pode passar direto de um combustível para outro, que precisa misturar, que o carro vai sentir saudades do antigo combustível... Troque e pronto.

Aproveito e faço outro comentário a respeito do etanol. Como passou a ser uma commodity como o petróleo, o governo aproveita para tirar mais dinheiro de nós, contribuintes, com essa carga horrorosa e especulativa de impostos. Vender gasolina da Petrobrás a outros países do Mercosul a preços que chegam à metade dos aqui praticados já é uma afronta aos brasileiros, agora acompanhar o preço internacional de um produto fabricado aqui com tecnologia própria, é exploração e picaretagem oficiais. Basta ver os lucros apresentados pela Petrobrás às nossas custas, já que no ano passado quase não importamos petróleo pois temos nossos poços produzindo em quantidades acima das nossas necessidades. Todos sabem que existem diversos tipos de petróleo (leve, pesado, benzênico, parafínico, cicloparafínico, etc.) e que nem tudo se pode fazer com um único tipo de óleo, portanto ainda precisamos importar alguma coisa. Mas que o volume e a dependência do mercado externo caíram, não há dúvida.

O que não consigo aceitar muito fácil, como engenheiro e não economista, é que o Brasil tem um produto e tecnologia diferenciados no mundo e prefere ganhar dinheiro lá fora a economizar aqui dentro. É sempre no nosso lombo... Vejamos o caso da nossa pobre gasolina que é fraca, de baixa octanagem e ainda por cima tem de 22 a 25% de álcool anidro (não confunda com o álcool hidratado, que é o etanol das bombas), o que não deixa de ser álcool da mesma forma, produzido aqui ou importado dos EUA. Não seria o caso de se estudar a redução ou mesmo a retirada completa do álcool da gasolina, para reduzir custo e aumentar a oferta? Tecnicamente não haveria grandes problemas, pois 50% de nossa frota são carros flex, a eletrônica embarcada dá uma compensação no sistema de injeção, os carros antigos carburados dariam graças a Deus e os importados não precisariam de tantas alterações para se adequar à nossa gororoba, a gasolina brasileira. Só que nunca vejo nenhuma autoridade fazendo algo para reduzir os custos ativos e passivos de nossa economia, visando baratear os produtos à disposição dos consumidores e gerando mais produção, consumo e emprego. A carga de impostos sobre os veículos novos chega quase à metade do preço de venda. O combustível nacional segue os preços internacionais e se o mundo árabe está em guerra, o barril de petróleo sobe às alturas e o nosso acompanha, sem que tenha sido afetada sua produção em nada. Veja quanto custa a gasolina na Venezuela, um dos maiores produtores de petróleo do mundo e membro da OPEP. Eles exportam seu petróleo para o mundo a preço de mercado, mas sua gasolina para uso interno é a mais barata do mundo, coisa de US$0,10 o litro. Nós, os espertos brasileiros, vendemos gasolina boa sem álcool para a Argentina e lá ela custa a metade da nossa. Sem querer entrar em detalhes político-estratégicos, mas com o ponto de vista de consumidor que se sente lesado, cobro uma resposta das autoridades para mais esse roubo e falta de respeito com a população, que sempre acaba nas mãos dos especuladores por falta de regras mais justas e perfeitas.

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