Tribuna do Leitor

Apenas negócios


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Sou brasileiro e amo futebol, no entanto, esse mundo tem trazido exemplos ruins de conduta. Exemplos esses que não devem servir de espelho pra nenhum menino que um dia sonha ser jogador. Dentro do futebol, assim como no mercado de trabalho, é tudo muito rápido, a carreira de um jogador é curta demais.

O fato é que ser jogador profissional e empresariar um craque pelo menos nas duas últimas décadas virou uma verdadeira mina de ouro, negócio. Quem aí não quer ser contratado pela Nike ou Adidas?

É sabido que o filão de jogadores com salários altos ou até milionários são a minoria e que a carreira tem grandes riscos como uma contusão e a usual instabilidade do troca-troca do mercado da bola. Porém, isso não diminui a frenética procura por novas promessas. Uma delas é Paulo Henrique Ganso, de 2010 para 2011 não é mais um menino esperando sua chance, pois com muito trabalho e talento nato ele venceu se tornando realidade. O salário de PH atualmente é de R$ 130 mil reais, bem abaixo do que tem faturado seu amigo Neymar, que entre salários e receitas de publicidade recebe algo perto de R$ 500 mil mensais.

PH e o Santos se reuniram recentemente pra discutir a possível renovação do contrato, o clube acenou com valores similares a que NJR ganha, mas o camisa 10 não aceitou. O que se fala na mídia é que PH se sentiu desrespeitado pela diretoria santista dizendo até que foi esquecido enquanto se recuperava da contusão e o sonho dele e do grupo investidor é mesmo a Europa. Contudo, não é aí o ponto em que pretendo chegar, a pergunta é: quantos garotos entre 18 e 21 anos ganham isso hoje? Dentro ou fora do futebol. Pois é, poucos.

No documentário The Corporation (Canadá, 2004), cita-se dentre muitas outras práticas a maneira pouco nobre que a Nike, maior fornecedora de material esportivo do mundo, trata quem trabalha de verdade para ela.

De acordo com investigação e levantamentos de dados, cada trabalhador da República Dominicana recebe $ 0,70 de dólar por hora e tem 6,6 minutos para fabricar uma camiseta, o que significa $ 0,08 por peça. Esses são documentos oficiais da própria Nike.

Tornou-se praxe de grandes empresas procurarem mão-de-obra barata ou quase escrava para aumentar seus lucros. Republica Dominicana, Bangladesh, Vietnã e a própria China são alguns dos exemplos.

Mas infelizmente hoje em dia isso não chega a ser problema porque afinal de contas é a lei do livre mercado. Então, senhores PH Ganso, Neymar Jr. e muitos outros aspirantes a craque, tomem cuidado com o caminho que estão traçando e se realmente vale a pena seguir a lei do mercado onde tempo é sinônimo de dinheiro.


Leandro Ferreira

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