Tribuna do Leitor

DE ANTÔNIO SASTRE A ROGÉRIO CENI


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Apesar do meu corintianismo sobejamente conhecido em Bauru, jamais poderia deixar de enaltecer jogadores de outras equipes, a partir daqueles que na minha juventude foram destaque na vida futebolística brasileira. Estou, por exemplo, perfeitamente lembrado de Antônio Sastre, excepcional nome do futebol argentino contratado pelo São Paulo em 1943 e que, ao lado de Leônidas da Silva, comandou centenas e centenas de jornadas vitoriosas do Tricolor.

Demorou ele, Sastre, a desenvolver o seu melhor futebol e chegou mesmo a ser chamado de "bonde" (essa era a expressão da época que denominava jogadores que vinham falhando seguidamente) e quanto a ele, era citado também como sendo um deSastre...

No entanto, logo que acertou com os seus restantes companheiros de ataque que eram Luizinho (Mesquita de Oliveira), Leônidas (da Silva), Remo (Januzzi) e Pardal (depois a revelação Teixeirinha), Sastre se transformou em um verdadeiro ídolo do então time do Canindé, este era o campo de treinamento do São Paulo F.C. e agora lá se localiza o estádio da Portuguesa.

Tendo em vista o seu maravilhoso futebol, ganhou o apelido de El Maestro, pois era ele o grande condutor do time tricolor nas inesquecíveis vitórias. Em 15 de agosto de 1943, numa goleada contra o Juventus, por 8 a zero, Sastre foi o autor de "apenas" 6 gols.

Mesmo ainda jogando de maneira primorosa, chegou o dia de colocar um ponto final em sua carreira, pois o peso dos anos já era um entrave para continuar. Não me lembro contra quem, teria sido frente ao River Plate (da Argentina) em um jogo no Pacaembu que recebeu mais de 30.000 pessoas, Dom Antônio Sastre pela última vez vestia a camisa do onze das três cores e assim encerrava a sua passagem pelo Brasil.

A torcida, emocionada, viu Sastre dar uma volta olímpica pela pista de atletismo do Pacaembu, acenando para o público com a camisa do São Paulo F.C. Naqueles momentos de tanta emoção, Sastre chorou copiosamente e isso igualmente aconteceu com os jogadores, diretores, membros da imprensa e torcedores. Eu tive o privilégio de ver Sastre jogar muitas vezes.

Rogério Ceni - Passados quase 70 anos, eis que um novo ídolo marca passagem pelo São Paulo F.C., com uma liderança incrível. Goleiro excepcional, preterido por vários "técnicos" da seleção brasileira, Rogério caminha para completar os seus 100 gols, um recorde internacional que jamais será igualado.

Prata da casa e torcedor fanático do onze do Morumbi, como prova desse amor diz ele que um dia será presidente do São Paulo F.C. Exímio cobrador de faltas e de pênalti, tranquilo, mas que muitas vezes sai do sério quando a arbitragem prejudica o seu time, Rogério é uma presença marcante no futebol brasileiro. O maior elogio que eu poderia a ele fazer, é que gostaria e muito, que Rogério Ceni, no decorrer de sua brilhante carreira, tivesse sido goleiro do S. C. Corinthians Paulista.

Discutindo com a FIFA, sobre o total, ele esté bem perto de chegar aos 100 gols assinalados, sempre batendo faltas ou pena máxima e nunca terá a sua marca igualada, seja no Brasil ou no exterior. Repudiado por dirigentes da seleção brasileira, isso também aconteceu com Waldemar Fiume (Palmeiras) e Cláudio Cristóvão Pinho (Corinthians), estes poucas vezes tiveram chance de defender o nosso selecionado, rejeitados que eram por esportistas que respondiam pela direção técnica do selecionado.

De 1943 até os dias de hoje, são transcorridos 68 anos e, apesar de tantos craques que passaram pelo futebol pátrio, centenas que brilharam em campos do Velho Mundo, Dom Antônio Sastre e Rogério Ceni são dois nomes que nunca deixarão de figurar no pódium da consagração máxima.


Luciano Dias Pires - jornalista. Nota do autor: este artigo foi escrito antes do dia em que Rogério Ceni assinalou o seu centésimo gol, justamente contra o Corinthians.

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