A Polícia Militar Rodoviária apreendeu, no início da tarde de ontem, duas cartelas com 37 pontos de LSD, estimados em R$ 2.220,00, durante fiscalização de rotina a um ônibus no quilômetro 342 da rodovia Marechal Rondon. A droga estava na posse de Raphael Otávio Fernando Cornélio dos Santos, 23 anos, que foi flagrado também com 65 gramas de maconha distribuídos em quatro pequenos tijolos da droga.
O jovem trabalha como recepcionista de um hotel na cidade de Campo Grande (MS) e tinha como destino Bauru, onde vive sua família. Segundo policiais do Tático Ostensivo Rodoviário (TOR), que realizaram a abordagem ao ônibus, o veículo faria uma parada na cidade antes de seguir rumo à Belo Horizonte (MG).
A cartela com os 37 pontos de LSD foram encontradas dentro da carteira de Raphael, que transportava também dois tijolos de maconha em sua cueca, um no bolso de sua calça e outro dentro de uma pochete. O jovem teria alegado aos policiais que a droga seria para consumo próprio. No entanto, acredita-se que os entorpecentes seriam comercializados em festas de Bauru devido ao alto valor do produto.
Encaminhado ao Plantão Policial, Raphael Otávio Fernando Cornélio dos Santos foi preso em flagrante por tráfico de drogas e encaminhado à Cadeia Pública de Duartina. O jovem não tinha passagens anteriores pela polícia.
De acordo com os policiais que realizaram a abordagem, cada ponto de LSD é vendido por até R$ 60,00, o que poderia explicar a baixa frequência na apreensão desse tipo de droga. Os pontos equivalem a pequenas porções do entorpecente, em formato quadrangular, com 7 milímetros em cada lado e consumidos por via oral, mais precisamente debaixo da língua. Mesmo tão pequenos, eles costumam ser divididos em várias partes devido à potência da droga.
Droga alucinante
Os efeitos do LSD podem durar até 12 horas e produzem grandes alterações no cérebro, atuando sobre o sistema nervoso e provocando fenômenos psíquicos, como alucinações e delírios. Fisicamente, a substância sintética, produzida em laboratório, pode causar dilatação das pupilas, sudorese, aumento da frequência cardíaca, da pressão arterial e da temperatura, além de náuseas e vômitos.
A droga pode ser consumida por via oral, injeção ou inalação e pode ser encontrada nas formas líquida e em cápsulas. O LSD adquiriu popularidade na década de 1960 e é chamado também de doce, ácido, gota, papel ou microponto.
Como nossos pais
O antropólogo Cláudio Bertolli explica que o uso de drogas, inclusive do LSD, tornou-se um problema social a partir da década de 1950, com o fim da Segunda Guerra Mundial e início da Pós-Modernidade. "O questionamento da realidade levou especialmente os jovens, impulsionados pela Geração Beatnik e pelo Movimento Hippie, a buscar novas substâncias químicas alucinógenas", afirma.
A popularização do LSD acompanhou o crescimento do número do casos de alcoolismo e da expansão do uso da maconha na década de 1960. No entanto, o "doce", como é chamado pelos jovens, ficou esquecido por muitos anos após o surgimento de outras drogas sintéticas, como a cocaína, a partir da década de 1970.
De acordo com Bertolli, porém, houve um "renascimento" do LSD e, para a surpresa de muitos, a motivação pelo uso da droga ainda é a mesma e atinge, inclusive, vários alunos do professor.
"Apesar das mudanças dos contextos político e social, continuamos sendo como nossos pais e avós. Nossos projetos de vida são os mesmos: cursar uma boa escola, ingressar na universidade pública e conseguir um bom emprego. Nós apenas reproduzimos a sociedade. Daí surge o sentimento de angústia e a necessidade de se buscar superações aos limites impostos pelo cotidiano, inclusive pela droga", aponta o antropólogo.