Internacional

Embaixador líbio faz críticas e deserta

Folhapress
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Cairo - Um ex-chanceler líbio que o líder Muammar Gaddafi nomeou como seu embaixador na Organização das Nações Unidas (ONU), Ali Abdussalm Treki, se recusou a assumir qualquer posição oficial e condenou o "derramamento de sangue" em seu país.

Treki fez as declarações num comunicado enviado à Reuters por seu sobrinho, Soufian Treki, um diplomata líbio na Liga Árabe, no Cairo. Ele disse que seu tio estava na capital egípcia no momento.

"Decidi não continuar trabalhando ou aceitar qualquer missão", afirmou o ex-ministro no documento. "Rezo para Deus me ajudar a participar no salvamento dessa preciosa nação."

Ele defendeu um diálogo nacional para discutir as aspirações líbias.

A rede de TV Al Jazeera informou na noite de ontem que "um número de pessoas" próximas a Gaddafi deixou a Líbia com destino à Tunísia, um dia depois de o ministro de Relações Exteriores líbio, Moussa Koussa, ter renunciado ao cargo e viajado a Londres.

Um porta-voz do governo líbio não estava disponível de imediato para comentar.

Citando fontes não-identificadas, a Al Jazeera afirmou que o grupo incluía o presidente da empresa nacional de petróleo da Líbia, Shokri Ghanem.

Mais cedo, Ghanem afirmou que estava na Líbia: "Eu estou em Trípoli e eu estou no meu escritório", disse ele à Reuters em uma entrevista por telefone.

A rede Al Jazeera também citou o porta-voz do Congresso Geral do Povo da líbia, Mohamed Abdul Qasim al-Zwai, o chefe de inteligência estrangeira, Abuzeid Dorda, e Abdelati al-Obaidi, um alto diplomata a cargo de assuntos europeus.

Koussa, um dos assessores mais próximos de Gaddafi e ex-chefe de espionagem, renunciou e viajou à Grã-Bretanha na quarta-feira em protesto aos ataques das forças de Gaddafi contra civis.

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Otan assume o comando das operações


Bruxelas - A Otan anunciou ter assumido "consistentemente" ontem pleno comando das operações militares na Líbia e alertou os combatentes em terra para que não ataquem os civis.

A Otan concordou no domingo em assumir as operações que estavam a cargo de uma coalizão de países liderados pelos Estados Unidos, França e Grã-Bretanha. A decisão deixa a aliança integrada por 28 Estados com a responsabilidade de realizar os ataques aéreos contra a infraestrutura militar do líder líbio, Muamar Gaddafi, de policiar a zona de exclusão aérea sobre o país e o embargo de venda de armas.

"A transição foi consistente, sem fissuras", disse a repórteres o general canadense Charles Bouchard, comandante das operações da Otan na Líbia, em entrevista em Nápoles, a sede da aliança no sul europeu.

"A Otan é integralmente responsável", completou ele.

Desde que a Otan assumiu o controle, às 3h de Brasília, sua aviação realizou mais de 90 voos. A aliança tem mais de 100 jatos de combate e aviões de apoio à sua disposição, bem como dezenas de fragatas para controlar o Mediterrâneo, declarou ele.

No entanto, apesar de quase duas semanas de ataques aéreos do Ocidente, as tropas de Gaddafi foram bem-sucedidas nos últimos dias nas suas investidas para forçar o recuo dos rebeldes, que tentavam ganham espaço rumo ao oeste, partindo de seu reduto de Benghazi, no leste, rumo à capital, Trípoli. Bouchard afirmou: "Eu gostaria de dar os últimos alertas para aqueles que estão agindo contra a população civil nos centros civis: vocês serão desaconselhados a continuar com tais atividades. Recomendo que cessem essas atividades."

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Robert Gates diz que outros países podem treinar rebeldes


Washington - O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Robert Gates, reconheceu ontem que os rebeldes líbios têm pouco conhecimento, além de treinamento e organização limitados.

Ele rejeitou, contudo, a ideia dos EUA treinarem os rebeldes e disse que outros países podem fazê-lo.

"Em termos de providenciar assistência a eles, francamente, há muitos países que podem fazer isso", disse Gates, em audiência no Congresso americano. "Esta não é uma capacidade única do governo americano. E, no meu ponto de vista, outro país deveria fazer isso", completou.

Os ataques aéreos das forças internacionais, incluindo os EUA, neutralizaram a Força Aérea do ditador líbio e causaram grandes danos às suas bases militares, mas as tropas governistas continuam melhor equipadas na batalha contra os rebeldes.

Esta disparidade ficou óbvia nos últimos dias, quando as forças de Muammar Gaddafi forçaram os rebeldes a um recuo caótico de Sirte, cidade natal do ditador. Sob disparos de foguetes, os rebeldes recuaram ainda de Bin Jawad e de Ras Lanuf.

Gates especula que os rebeldes contem com apenas mil combatentes treinados, contra uma força formada por militares e mercenários.

O presidente americano, Barack Obama, não descarta armar os rebeldes - o que poderia ser uma forma de "equilibrar" as forças da batalha na Líbia.

Contudo, a Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), que assumiu o comando da operação, rejeita a ideia - assim como a Rússia. Muitos questionam se é seguro dar armas a grupos desconhecidos e o que aconteceria com estas armas após a guerra.

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